Brasil e Estados Unidos marcam reunião presencial para negociar o tarifaço
Por Wendal Carmo — Carta Capital
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Os dois países já haviam realizado um encontro virtual sobre o tema no último dia 31
Brasil e os Estados Unidos devem retomar presencialmente as negociações sobre o tarifaço imposto pelo governo Donald Trump a produtos brasileiros durante uma reunião preparatória do G20, em Milwaukee, no estado norte-americano de Wisconsin, nos dias 30 de setembro e 1º de outubro.
O encontro deve reunir o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer.
A reunião será a primeira presencial entre representantes dos dois países desde o início das negociações para tentar reduzir as tarifas americanas. Segundo Elias Rosa, as equipes técnicas continuam trocando documentos e preparando a próxima rodada de conversas.
“Há uma reunião do G20 programada para os dias 30 de setembro e 1º de outubro lá nos Estados Unidos. A expectativa, tanto nossa quanto do USTR, é que nós façamos uma reunião presencial lá”, disse o ministro nesta segunda-feira. Ainda não há previsão de acordo entre os países, frisou o auxiliar de Lula.
A agenda em Milwaukee será voltada a ministros de Indústria e Comércio dos países do G20. Elias Rosa afirmou que também estão previstas reuniões bilaterais com outros integrantes do grupo, mas que a negociação sobre as tarifas será o principal objetivo do encontro com Greer.
Brasil e EUA já haviam realizado uma reunião virtual sobre o tema no último dia 31. Desde então, segundo o ministro, os dois governos vêm encaminhando documentos e preparando a conversa presencial.
As negociações ocorrem após o governo Trump impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. A medida foi justificada pelos Estados Unidos com acusações de práticas comerciais e regulatórias consideradas desleais.
Entre os argumentos apresentados pelo governo americano estão questionamentos sobre o acesso de empresas dos EUA ao mercado brasileiro, o funcionamento do Pix, decisões judiciais envolvendo plataformas digitais e questões relacionadas a desmatamento, corrupção e propriedade intelectual.
As medidas estabeleceram diferentes níveis de tarifas para produtos brasileiros. Parte das mercadorias ficou sujeita a sobretaxas, enquanto outros produtos foram excluídos das cobranças, entre eles alguns itens agrícolas, petróleo, gás natural, aeronaves civis e componentes da Embraer, além de celulose, medicamentos e outros insumos.
Integrantes do governo brasileiro avaliam que, na prática, as negociações devem servir para ampliar a lista de produtos isentos e reduzir as alíquotas aplicadas às exportações nacionais.
Wendal Carmo
Repórter do site de CartaCapital no Nordeste
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Fonte: Carta Capital