Brasil deixa plenário da ONU durante fala de Netanyahu
Por Paulo Emilio — Brasil 247
247 – Representantes do Brasil deixaram o plenário da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, durante o discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nesta quinta-feira (24). A retirada ocorreu em meio à saída de integrantes de diversas outras delegações e a vaias dirigidas ao premiê israelense.
Segundo a Folha de São Paulo, o movimento de saída do plenário foi amplo. Diante da movimentação e das manifestações durante o pronunciamento, o presidente da sessão, Khalilur Rahman, precisou pedir ordem mais de uma vez.
Debandada marca discurso de Netanyahu
Netanyahu reagiu à saída dos representantes durante seu próprio pronunciamento.
“Se outros covardes morais ainda estivessem presentes, poderiam se retirar”, afirmou o primeiro-ministro israelense, segundo a reportagem.
A delegação brasileira já havia adotado comportamento semelhante durante o discurso de Netanyahu na Assembleia Geral no ano passado.
Na sessão desta quinta-feira, o Brasil estava representado no plenário por funcionários da Missão Permanente do país junto às Nações Unidas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia retornado ao Brasil após discursar na abertura dos debates, na terça-feira (22).
Mauro Vieira participava de evento pela UNRWA
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também não estava no plenário durante a fala do primeiro-ministro israelense.
O chanceler participava naquele momento de um evento de apoio à Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina, a UNRWA. O encontro havia sido organizado por Brasil, Jordânia e Espanha.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também participava do evento e, portanto, não acompanhou o pronunciamento de Netanyahu no plenário.
Lula acusou governo Netanyahu de genocídio em Gaza
A retirada dos representantes brasileiros ocorreu dois dias depois de Lula citar nominalmente Netanyahu em seu discurso na Assembleia Geral e acusar seu governo de praticar genocídio na Faixa de Gaza.
“Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”, afirmou Lula na terça-feira.
O presidente brasileiro retornou ao país no mesmo dia.
A guerra em Gaza ocupou espaço relevante no pronunciamento de Lula. O discurso ocorreu durante o Debate Geral da 81ª sessão da Assembleia Geral, que reúne representantes dos 193 Estados-membros das Nações Unidas em Nova York entre 22 e 28 de setembro.
Abbas também discursou nesta quinta-feira
A questão palestina também marcou a agenda da Assembleia Geral nesta quinta-feira. O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, participou da reunião por videoconferência após o governo dos Estados Unidos negar a concessão de visto para sua viagem a Nova York.
Em seu pronunciamento, Abbas afirmou que o povo palestino atravessa “um dos períodos mais perigosos de sua história” e declarou que as ações de Israel na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ameaçam “a própria vida e a existência do povo palestino”.
Mandado do TPI contra Netanyahu
A presença de Netanyahu nos Estados Unidos ocorre ainda sob o impacto do mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o primeiro-ministro israelense por acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
Os Estados Unidos não são signatários do Estatuto de Roma, tratado que instituiu o TPI, e não se consideram obrigados a executar o mandado em seu território. Por isso, Netanyahu pôde viajar a Nova York para participar da Assembleia Geral.
A presença do premiê israelense também motivou protestos na cidade.
Fonte: Brasil 247