Bora lá
Por Camilo Irineu Quartarollo — Brasil 247
Em colunas, bandeirolas, urras, surgem multidões das ruelas, ruas e vêm da Candelária de Nuestra Senõra em marcha sobre os paralelepípedos históricos de Bogotá à praça Bolívar. Em Bucaramanga, duas grandes colunas partiram da Universidade Industrial de Santander ao encontro da Praza Cívica Sarmiento. Deslocamentos consideráveis de grupos e colunas vistos em Cáli, Ibagué, Popayán, Barraquilla e Pereira. Em Medellín, multidões avançam e chegam às avenidas centrais, sem temer o confronto previsto no Decreto 1525 de Espriella, sobre o uso da força policial.
Nas ruas da Argentina, a degradação social se desnuda em senhores desempregados ainda de terno e barba por fazer. Amarrotados e surrados, deserdados pelos próprios votos no “loquito”. Esses desenganados de uma dignidade portenha atingida pela motoserra corta-direitos de Milei. Avós, aposentados, executivos, professores e professoras passam por esmoleres. Recentemente, os estudantes protestaram com faixas e apitaços diante do Congresso argentino, na 5ª Marcha Federal Universitária. Milei não cumpriu a Lei de Financiamento Educacional e fez cortes orçamentários. A polícia os dispersou violentamente, como fazem com seus pais e avós. Por certo, voltarão. No vizinho Chile, o povo se revolta contra o ditador Kast, contra as retiradas de verbas para Cultura e Educação, dentre outras.
Nos Estados Unidos, de carros-moradia em plena Nova Iorque e marchas em todo o país de custos sociais insuportáveis – lá não tem SAMU ou SUS, nem minha Casa Minha vida. Há protestos recorrentes, mais de 2.600 marchas e centenas de grupos em cidades americanas e no exterior.
Estudantes italianos, assim como os franceses, protestam contra a falta de manutenção dos prédios escolares, contra o aumento do custo de vida e contra a falta de investimentos sociais. Na Albânia, por dias já, os confrontos de policiais com os estudantes em Tirana espalham-se pelas cidades como Lezha e Durrës, na chamada Revolução dos Flamingos. Em Liège, Bélgica, centenas de manifestantes protestam pela melhoria da Educação. Na Espanha, Madri, 25 mil pessoas num grande protesto e greve dos professores. Em Portugal, marchas em todo o país, pelo acesso à moradia.
Na praça de Grève, antiga praia do cascalho e porto do rio Sena, desempregados e descontentes se ajuntavam de manhã nos idos de 1789, para arrumar “bicos”. Ali, os parisienses discutiam suas lutas. Forjaram-se líderes do povo e se fez assinar a Declaração dos Direitos Humanos dos Cidadãos. Direitos soberanos. Do salário-mínimo reajustado. Do repouso semanal remunerado. De não se esgoelar nos 6×1. Da saúde universal e solidária. Da educação. Da moradia… Eh, muita calma nessa hora, direito à terra e riquezas do subsolo, como as Terras Raras.
Flávio declarou em inglês sofrível que as Terras Raras do Brasil será a solução “deles”, dos americanos! Ara, cara-pálida, eu pensei que essas riquezas eram para “nossa” solução.
O Brasil resiste a ultradireita. Com os atos Pró-Lula por todo o país e também na Piracicaba dos antigos canaviais, o “Bora Lula”. Depende de nós manter a Soberania, o bolsa-família, o SUS, a Educação… verifiquemos nossa sessão e votemos nesse domingo de 25 de outubro. Bora lá.
Eia povo, laços fora, toca o tambor e a bateria, puxa de coração a marcha. Bora mais eu.
Fonte: Brasil 247