Boom da IA acrescenta R$ 4,4 trilhões às fortunas de bilionários

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Por Otávio Rosso — Brasil 247

247 – A expansão dos negócios ligados à inteligência artificial fez de 2026 um ano recorde para os maiores bilionários da tecnologia. Cerca de 100 integrantes do setor entre as 500 pessoas mais ricas do planeta acrescentaram, juntos, US$ 845 bilhões — aproximadamente R$ 4,4 trilhões — às suas fortunas entre janeiro e setembro.

Os dados, compilados pelo Bloomberg Billionaires Index, mostram que esse foi o maior ganho já registrado pelo grupo nos primeiros nove meses de um ano. A valorização das empresas de tecnologia, sobretudo nos Estados Unidos, foi o principal motor do avanço.

Somadas, as fortunas dos bilionários ligados ao setor tecnológico chegaram a US$ 4,6 trilhões, cerca de R$ 23,9 trilhões. O montante representa 36% de toda a riqueza reunida no índice da Bloomberg, embora esses empresários correspondam a aproximadamente um quinto das 500 pessoas acompanhadas.

O contraste com outros setores é significativo. Bilionários cuja riqueza não está ligada à tecnologia perderam, em conjunto, US$ 62 bilhões, ou cerca de R$ 323 bilhões, no mesmo período. Os americanos concentraram 94% de todo o ganho líquido registrado pelo levantamento.

Desde 10 de setembro, as dez pessoas mais ricas do mundo são dos Estados Unidos, situação inédita desde que a Bloomberg começou a acompanhar as maiores fortunas globais, em 2012.

Musk concentra parte expressiva dos ganhos

Elon Musk liderou com ampla vantagem a expansão patrimonial. O empresário acrescentou US$ 310 bilhões, cerca de R$ 1,6 trilhão, à sua fortuna até o fim de setembro. O aumento corresponde a aproximadamente 40% de todo o avanço registrado pelo índice no período.

Musk chegou brevemente à marca de primeiro trilionário do mundo após a fusão da SpaceX com a empresa de inteligência artificial xAI e a abertura de capital da companhia, em junho.

Nove das dez maiores fortunas do planeta estão diretamente relacionadas a empresas americanas de tecnologia.

Michael Dell, fundador da Dell Technologies, teve aumento de 81% em seu patrimônio, que chegou a US$ 254 bilhões, ou aproximadamente R$ 1,3 trilhão. A valorização ocorreu em meio ao forte crescimento das vendas da companhia para data centers, uma das principais infraestruturas utilizadas no desenvolvimento e na operação de sistemas de inteligência artificial.

Mark Zuckerberg, fundador da Meta, acrescentou US$ 23 bilhões — cerca de R$ 120 bilhões — ao patrimônio em 2026. As ações da empresa avançaram 27% somente em setembro, o melhor resultado mensal em quase quatro anos, após o lançamento do assistente de inteligência artificial Muse.

Mercado começa a mostrar sinais de cautela

Apesar dos ganhos acumulados no ano, as maiores fortunas globais perderam parte do valor desde meados de junho. O patrimônio combinado das 500 pessoas mais ricas chegou a US$ 13,4 trilhões naquele mês, mas caiu 6%, para US$ 12,6 trilhões, aproximadamente R$ 65,6 trilhões.

A retração ocorreu em meio à desaceleração de parte dos mercados e ao aumento das dúvidas sobre a sustentabilidade dos investimentos bilionários realizados para financiar a corrida pela inteligência artificial.

O forte endividamento assumido por grandes empresas para ampliar data centers, capacidade computacional e infraestrutura de nuvem passou a despertar preocupação entre investidores.

Larry Ellison ilustra essa mudança de percepção. Em setembro de 2025, o fundador da Oracle chegou temporariamente ao posto de homem mais rico do mundo depois de ganhar US$ 89 bilhões em apenas um dia, impulsionado pelas expectativas em torno dos negócios da companhia relacionados à infraestrutura de IA.

Um ano depois, a fortuna de Ellison havia diminuído US$ 196 bilhões. Ao mesmo tempo, instrumentos financeiros utilizados para proteção contra eventual inadimplência da Oracle passaram a ser negociados próximos de máximas históricas, diante da preocupação com o volume de recursos necessários para sustentar os investimentos da companhia.

Crescimento das fortunas amplia debate sobre tributação

A rápida expansão da riqueza dos maiores empresários de tecnologia também intensificou discussões sobre a tributação dos super-ricos nos Estados Unidos.

Eleitores da Califórnia deverão decidir em novembro sobre a criação de um imposto sobre o patrimônio de bilionários. Propostas semelhantes também entraram no debate político em estados como Washington, Nova York, Illinois e Rhode Island.

A composição do grupo dos mais ricos também está mudando. Em vez de patrimônios acumulados exclusivamente por famílias tradicionais e transmitidos por herança, parte crescente das grandes fortunas está associada a empresários relativamente jovens ligados à tecnologia.

“Falamos muito sobre a grande transferência de riqueza — mas, entre as 100 ou 1.000 pessoas mais ricas, algumas podem ser idosas e possuir negócios bastante tradicionais, mas muitas são jovens empreendedores de tecnologia”, afirmou James Mazeau, economista do escritório do diretor de investimentos do UBS Group AG.

“Fico me perguntando até que ponto isso vai contribuir para uma concentração ainda maior da riqueza”, acrescentou.

Boom também cria novos bilionários

A valorização associada à inteligência artificial não beneficiou apenas fundadores das gigantes já consolidadas. Empresários ligados a startups, chips, servidores e outros componentes essenciais da infraestrutura de IA também passaram a integrar a lista dos maiores bilionários.

Os sete cofundadores da Anthropic entraram para o grupo em junho, após uma rodada de financiamento que avaliou a empresa de inteligência artificial em US$ 965 bilhões, cerca de R$ 5 trilhões.

Empresários chineses como Yan Junjie, da MiniMax Group, e Liang Wenfeng, da DeepSeek, também foram incorporados ao ranking.

A demanda por equipamentos necessários à expansão dos data centers impulsionou ainda fabricantes menos conhecidos fora da indústria de tecnologia.

Lin Tsung-chi, fundador da taiwanesa King Slide, fabricante de trilhos para servidores e sistemas de gerenciamento de cabos, apareceu neste ano com uma fortuna de US$ 9,5 bilhões, cerca de R$ 49 bilhões.

Wang Xin, presidente da Guangdong Dtech Technology, também entrou para o índice em meio à maior procura pelas brocas especializadas produzidas pela companhia para a fabricação de placas de circuito.

Na Coreia do Sul, Boo-jin Lee e Seo-hyun Lee, herdeiras da família controladora da Samsung Electronics, passaram a integrar a lista favorecidas pela demanda crescente por chips de memória. A alta das ações da Samsung ainda ajudou a família a quitar um imposto sobre herança de US$ 8 bilhões relacionado à morte do ex-presidente da companhia Lee Kun-hee, em 2020.

Em Taiwan, Tsai Ming-kai, da MediaTek, e Morris Chang, fundador da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), também passaram a fazer parte do grupo de bilionários monitorado pela Bloomberg.

A disputa entre China e Estados Unidos pela liderança no desenvolvimento de inteligência artificial e pela autonomia na produção de componentes tecnológicos também ampliou a riqueza de empresários chineses ligados a fornecedores estratégicos, entre eles Zou Zhinong e sua família, da Suzhou TFC Optical Communication, e Yuan Fugen, da Suzhou Dongshan Precision Manufacturing.

Entre os setores acompanhados pela Bloomberg, tecnologia registrou de longe o maior crescimento patrimonial em 2026, com US$ 845 bilhões. O setor financeiro apareceu na sequência, com US$ 267 bilhões, seguido por indústria, com US$ 65 bilhões, energia, com US$ 24 bilhões, e materiais, com US$ 3 bilhões.

Fonte: Brasil 247

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