Biodiversidade passa por declínio, mas natureza ainda é capaz de se recuperar, aponta relatório
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O recém-lançado Relatório Planeta Vivo 2026, da organização do terceiro setor WWF em parceria com a Sociedade Zoológica de Londres (ZSL), aponta que houve declínio na populações de espécies de animais silvestres monitorados de 73% nos últimos 52 anos. Apesar disso, o documento revela que quando a natureza tem chance, a capacidade de recuperação é extraordinária.
O levantamento, de quase 36 mil séries de dados, mostra que metade das populações analisadas estão estáveis ou em crescimento, longe de ser uma pausa perdida, provando, segundo o relatório, que apesar da perda de biodiversidade, o declínio ambiental não é um destino inevitável.
Entre espécies ameaçadas que apresentaram crescimento em suas populações estão as tartarugas-verdes e atuns-azuis, que voltaram a prosperar nos oceanos após as regulamentações mais rigorosas e proteção de habitats. Tigres na Ásia e elefantes no sul da África, são outros exemplos, e cujo sucesso na recuperação é atribuído ao combate à caça ilegal e gestão de áreas protegidas.
“A recuperação dessas populações mostra o que anos de esforços coletivos e contínuos de conservação podem alcançar. Em meio a quedas acentuadas, há motivos para ter esperança”, afirma Kirsten Schuijt, diretora-geral do WWF Internacional.
No Brasil, mesmo tendo um dos ecossistemas mais pressionados pelas mudanças climáticas e ações humanas, o relatório destaca que as ações coordenadas do governo, terceiro setor e produtores locais geraram resultados extraordinários para a recuperação de populações de espécies ameaçadas.
O caso das onças-pintadas na região do Iguaçu, encravada na Mata Atlântica — o bioma mais desmatado do país —, é um dos maiores símbolos dessa virada. Projetos focados na conservação e na coexistência pacífica entre a fauna e as comunidades locais fizeram a população saltar de apenas 11 indivíduos em 2019 para 42 em 2025. Esse aumento representa uma impressionante recuperação populacional de 280%.
Outro marco histórico é o do mico-leão-dourado, espécie que foi o ponto de partida do trabalho do WWF no Brasil. O sucesso no aumento de suas populações na natureza permitiu que o animal saísse da categoria de “criticamente ameaçado” para “ameaçado”, um passo fundamental para afastá-lo definitivamente da extinção.
“O Brasil tem condições de reverter perdas, mas isso exige ações de conservação contínuas e em escala, com proteção e restauração dos ecossistemas. Recuperar a biodiversidade significa gerar resultados concretos não apenas para as espécies, mas também para as pessoas que vivem nesses territórios e dependem deles”, explica Helga Correa, especialista em Conservação do WWF-Brasil, sobre a fórmula desse sucesso.
A perda e a degradação de habitats — impulsionadas principalmente por falhas nos sistemas globais de produção de alimentos, energia e finanças — continuam sendo as maiores ameaças à vida silvestre. Porém, o relatório de 2026 traz um conceito promissor: os pontos de inflexão positivos.
Assim como os ecossistemas podem entrar em colapso rápido, os sistemas socioeconômicos também podem mudar rapidamente para melhor. O levantamento ressalta três pontos importantes para um futuro: energia, alimentos e economia verde.
Na área de energia, o levantamento ressalta que a transição energética já atingiu um ponto de inflexão, ou seja, a energia solar já se tornou a fonte mais barata de geração de energia. Na questão de alimentos, eles ressaltam projetos como a coalizão Brasil Sem Desperdício, iniciada em 2026, que reúne empresas para diminuir o desperdício ao longo da cadeira produtiva. E no campo de economia verde, projetos como Concepta conseguem aliar a conservação de 345 mil hectares de florestas à criação de 180 empregos resilientes ao clima, mostrando que a floresta em pé gera riqueza.
Avanços macropolíticos também começam a refletir na paisagem. Em 2025, o Brasil registrou uma redução transversal na taxa de desmatamento em todos os biomas, fechando o ano com um índice 20% menor que o anterior — a melhor marca desde 2019.
A janela para garantir um futuro onde o ser humano viva em harmonia com a natureza está encolhendo, mas, como os números da recuperação de biodiversidade provam, ela ainda está aberta. O desafio rumo à COP17 da Biodiversidade, na Armênia, deixou de ser apenas mitigar danos para focar na expansão acelerada daquilo que já provou dar certo, a restauração ativa do planeta.
“Quanto mais pessoas se unirem para proteger rapidamente os animais silvestres e os ecossistemas, mais cedo poderemos transformar conhecimento em ação e alcançar pontos de inflexão positivos”, conclui Andrew Terry, diretor de conservação da ZSL.
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Fonte: umsoplaneta