Bancada feminina bate recorde e tem proporção maior de esquerda que o total da Câmara
Por Leonardo Lucena — Brasil 247
247 – A bancada feminina na Câmara dos Deputados terá 109 parlamentares na legislatura que começa em fevereiro de 2027, número recorde na história da Casa, mas ainda distante da proporção de mulheres na população brasileira. Os números foram divulgados nesta segunda-feira (5) pelo jornal Folha de S.Paulo.
As mulheres eleitas neste domingo (4) ocuparão 21,2% das 513 cadeiras da Câmara. Em 2022, foram 90 deputadas, o equivalente a 17,5% do total. O avanço foi de 21,1%, com 18 parlamentares a mais.
A nova bancada feminina terá composição partidária proporcionalmente mais à esquerda que o conjunto da Câmara. Entre as 109 deputadas eleitas, 52 são de partidos de direita, 47 de siglas de esquerda e 10 de legendas de centro.
Com esse resultado, a distribuição entre as mulheres ficará em 48% à direita, 43% à esquerda e 9% ao centro. Na Câmara como um todo, a direita terá 59,1% dos parlamentares, a esquerda ficará com 24,2% e o centro ocupará 16,8% das cadeiras, segundo a classificação citada pela reportagem.
A diferença aparece com mais força na comparação com os homens eleitos. Entre os 404 deputados federais do sexo masculino, 62% pertencem a partidos de direita, 19% a siglas de esquerda e 19% a legendas de centro, de acordo com os dados do TSE mencionados no levantamento.
A reportagem utilizou o GPS Partidário 2026, que posiciona os partidos da esquerda à direita a partir da prática política das siglas.
PT lidera entre deputadas de esquerda
No campo da esquerda, o PT elegeu o maior número de mulheres: 25 deputadas. O PSOL, partido de Erika Hilton, que obteve votação histórica entre mulheres candidatas à Câmara, conquistou outras sete cadeiras femininas.
O PCdoB também elegeu sete deputadas. O PSB terá cinco representantes mulheres, enquanto o PV contará com duas. PDT e Rede não elegeram mulheres para a Câmara.
No centro, MDB e PSD dividiram igualmente as dez cadeiras femininas do campo: cinco deputadas para cada partido. Avante e Solidariedade não elegeram mulheres.
À direita, o PL terá a maior bancada feminina, com 22 deputadas. O União Brasil elegeu oito mulheres, seguido por Podemos, com sete, PP, com seis, e Republicanos, com cinco. O Novo terá duas deputadas. PSDB e PRD elegeram uma cada. O Missão não elegeu deputadas.
Mulheres seguem minoria
Apesar do crescimento, as mulheres continuarão como minoria na Câmara. O percentual de 21,2% fica abaixo da presença feminina na população brasileira, que chega a 51,5%, segundo o IBGE.
O novo recorde na Câmara ocorre em paralelo ao avanço da presença feminina no Senado. Na eleição deste domingo, 12 senadoras foram eleitas. Elas se somarão a outras seis que já exercem mandato, levando a bancada feminina da Casa a 18 integrantes, ou 22,2% das cadeiras.
No Senado o crescimento teve peso maior de parlamentares de direita. A bancada feminina da Casa será 80% maior do que aquela que iniciou a legislatura anterior, em 2023.
Composição geral da Câmara
A nova Câmara dos Deputados terá maior concentração de parlamentares em partidos de direita. O PL elegeu a maior bancada, com 121 deputados federais.
O PT, partido do presidente Lula, ficou com a segunda maior bancada, com 70 deputados. O União Brasil elegeu 46, seguido por PSD, com 43. PP e Republicanos terão 41 deputados cada.
O MDB elegeu 36 parlamentares, e o Podemos, 27. Em seguida aparecem PSB, com 15; PSOL, com 14; PCdoB e PSDB, com 11 cada; e Novo, com 10.
A lista se completa com PV, que elegeu sete deputados; PDT, com seis; Avante e PRD, com cinco cada; Solidariedade, com dois; e Rede e Missão, com uma cadeira cada.
A legislatura eleita em 2026 tomará posse em fevereiro de 2027. A nova configuração amplia a presença feminina na Câmara, mas mantém as deputadas como minoria dentro de uma Casa de 513 parlamentares.
Fonte: Brasil 247