Azul Conecta fecha acordo com Auren para compensação de emissões de todos os voos de 2026

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A Azul Conecta anunciou uma parceria com a Auren Energia para compensar as emissões de carbono associadas ao consumo de combustível de todos os seus voos realizados ao longo de 2026. A iniciativa, batizada de Conecta NetZero, prevê a utilização de créditos de carbono certificados e não terá custo adicional para os passageiros.
A Azul Conecta é a operação regional da Azul voltada à ligação de cidades de menor porte aos principais centros urbanos da companhia. Com aeronaves menores, principalmente do modelo Cessna Grand Caravan, a empresa atende mercados que não comportam os aviões utilizados nas rotas comerciais de maior demanda. O anúncio, portanto, vale apenas para os voos desta divisão regional da companhia e não para os voos feitos em outras linhas e aeronaves menores.
A estimativa é que sejam compensadas cerca de 10 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO₂e) ao longo do ano. Os créditos utilizados são provenientes dos complexos eólicos Ventos do Piauí I e Ventos do Araripe III, integrantes do portfólio de geração renovável da Auren.
Segundo as empresas, os créditos seguem o Verified Carbon Standard (VCS), programa administrado pela organização Verra, e passaram por processos independentes de validação e verificação. Eles também tiveram sua elegibilidade reconhecida para a fase piloto do CORSIA, mecanismo criado pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO) para lidar com as emissões da aviação internacional.
Depois de utilizados na compensação, os créditos serão aposentados no registro da Verra em nome da Azul Conecta. A aposentadoria significa que as unidades deixam definitivamente de circular e não podem ser revendidas ou utilizadas novamente para compensar emissões. A medida busca dar rastreabilidade à compensação e evitar a dupla contagem dos créditos — uma das questões centrais nas discussões sobre a credibilidade do mercado voluntário de carbono.
O programa, no entanto, é parte de uma estratégia mais ampla de redução de emissões da companhia aérea. A compensação não elimina as emissões produzidas pela queima de combustível das aeronaves, mas procura neutralizar, por meio de créditos certificados, uma quantidade equivalente de emissões contabilizadas pela companhia.
A Azul afirma que sua estratégia de descarbonização também inclui renovação e modernização da frota e medidas de eficiência operacional. Entre 2019 e 2025, segundo a empresa, a intensidade de carbono de sua operação caiu cerca de 20%.
Para César Grandolfo, diretor de Relações Institucionais, Tributárias e de Sustentabilidade da Azul, o programa representa mais uma etapa da estratégia climática da companhia.
“Ao compensar integralmente as emissões associadas ao consumo de combustível dos voos da Azul Conecta por meio de créditos certificados, reforçamos nosso compromisso de combinar eficiência operacional, inovação e responsabilidade ambiental”, afirmou.
A Auren afirma que já comercializou mais de 7 milhões de créditos de carbono para clientes em mais de 20 países. A empresa também informa possuir um portfólio de créditos associado a projetos de geração renovável e conservação de florestas nativas.
“A parceria mostra como a geração de energia renovável pode contribuir também para a descarbonização de outros setores da economia”, disse João Guillaumon, vice-presidente de Clientes e Comercialização da Auren Energia.
Compensação não substitui redução das emissões
A iniciativa ocorre em um momento em que empresas aéreas enfrentam o desafio de reduzir sua pegada climática em um setor particularmente dependente de combustíveis fósseis. Mesmo com ganhos de eficiência, as emissões totais continuam crescendo à medida que aumenta a demanda por voos.
Em 2024, as companhias aéreas emitiram globalmente cerca de 942 milhões de toneladas de CO₂, segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), alta em relação aos 882 milhões de toneladas registrados em 2023. No mesmo período, porém, a intensidade de carbono da operação — medida pelas emissões por tonelada-quilômetro transportada — caiu 3,7%, sinal de que as aeronaves e operações estão ficando mais eficientes, mas que esses ganhos ainda não são suficientes para compensar o crescimento do tráfego.
Embora avanços tecnológicos, eficiência operacional e renovação de frota possam reduzir o consumo de combustível por passageiro, a aviação ainda depende majoritariamente de combustíveis líquidos. Com isso, sozinha, a aviação responde por cerca de 2,5% das emissões globais de CO₂, de acordo com análise baseada em dados do Global Carbon Project. Contudo, seu impacto climático é maior quando considerados outros efeitos além do CO₂, como a formação de contrails ( aquelas linhas brancas que aparecem atrás dos aviões no céu) e alterações na química atmosférica.
Para o setor aéreo, o desafio permanece maior do que compensar emissões: trata-se de reduzir, de forma estrutural, a quantidade de carbono emitida por cada voo. Nesse processo, tecnologias mais eficientes, combustíveis sustentáveis e mudanças operacionais deverão ter papel central — enquanto os créditos de carbono aparecem como uma ferramenta complementar na transição.
A lógica é que uma tonelada de CO₂ equivalente emitida pela atividade seja compensada por uma unidade certificada correspondente a uma tonelada de emissões evitadas ou removidas em outro projeto.
A efetividade climática desse mecanismo, porém, depende da qualidade, adicionalidade, rastreabilidade e integridade dos créditos utilizados. A certificação e a aposentadoria das unidades são, portanto, elementos importantes para demonstrar que os créditos empregados não serão utilizados por mais de uma empresa.
No caso da Azul Conecta, a companhia afirma que a compensação das emissões de 2026 faz parte de sua trajetória para cumprir metas climáticas validadas pela Science Based Targets initiative (SBTi). Segundo a Azul, seus objetivos de redução estão alinhados à trajetória de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
A parceria com a Auren representa, assim, uma tentativa de combinar medidas de redução de emissões na própria operação com um mecanismo de compensação para as emissões que permanecem associadas ao consumo de combustível.
A Azul não informou sua estratégia de compensação dos demais voos, além dos da Azul Conecta.

Fonte: umsoplaneta

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