Augusto Cury violou legislação eleitoral ao impulsionar conteúdos de forma irregular nas redes

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Por Otávio RossoBrasil 247

247 – Conteúdos favoráveis a Augusto Cury (Avante), candidato à Presidência da República, foram impulsionados por terceiros em redes sociais, prática considerada irregular pela legislação eleitoral. A regra permite que apenas candidatos, partidos, federações, coligações e representantes contratem e paguem por anúncios eleitorais, que devem ser identificados de forma clara.

O levantamento foi feito pela Folha de São Paulo com base na biblioteca de anúncios da Meta, empresa que reúne plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp. A reportagem identificou mais de 60 anúncios, entre ativos e removidos, veiculados nas últimas semanas com mensagens positivas sobre Cury.

Procurado pelo jornal, o marqueteiro da campanha, Sergio Lima, afirmou que a candidatura atua de acordo com as normas eleitorais. “Não temos conhecimento a respeito desses impulsionamentos”, disse, por mensagem de texto.

A suspeita ocorre em meio ao crescimento de Cury nas redes e nas pesquisas após sua participação no debate presidencial da Band. No Datafolha divulgado na última quinta-feira (3), o escritor aparece com 8% das intenções de voto, em terceiro lugar, atrás do presidente Lula (PT), com 38%, e do senador Flávio Bolsonaro (PL), com 33%.

Segundo a Folha, Cury também ganhou quase 2,5 milhões de seguidores no Instagram em duas semanas. Influenciadores que não costumavam tratar de política passaram a publicar vídeos roteirizados em apoio ao candidato, o que provocou desconfiança em campanhas adversárias sobre eventual pagamento por publicidade, prática também proibida pela legislação eleitoral.

Na semana passada, ao comentar as suspeitas, Sergio Lima negou irregularidade. “Se fosse isso, não teria reflexo na pesquisa, seria tudo ‘fake’. Levem ao TSE, não tem problema nenhum”, afirmou à reportagem.

A Folha encontrou, na última semana, 20 anúncios ativos impulsionados por terceiros na biblioteca da Meta. Até terça-feira (8), 12 já haviam sido apagados. Entre eles, havia três anúncios veiculados por Camila Cury, filha do candidato, para divulgar um vídeo em que elogiava o pai. Outros 43 anúncios foram derrubados pela própria Meta por descumprirem as regras da plataforma sobre publicidade eleitoral.

A resolução do TSE de 2019 determina que o impulsionamento de conteúdo eleitoral deve ser “identificado de forma inequívoca como tal e contratado exclusivamente por partidos políticos, federações, coligações, candidatas, candidatos e representantes”. Os anúncios também devem apresentar o CPF ou CNPJ do responsável pelo pagamento e a expressão “propaganda eleitoral”. Segundo a Folha, essas exigências não aparecem nos conteúdos identificados.

Fonte: Brasil 247

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