Atos por Lula e pela democracia mobilizam ao menos 80 cidades brasileiras a uma semana das eleições
Por otero — Fundação Perseu Abramo
Manifestações em defesa da democracia e pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ocorreram no domingo (18) em ao menos 80 cidades brasileiras, segundo o Opera Mundi. Sob os slogans “Bora Virar” e “Brasil nas Ruas”, os atos reuniram artistas, estudantes, movimentos sociais e torcidas antifascistas a uma semana do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A organização variou conforme a cidade. Houve concentrações seguidas de caminhada, como em Brasília, atos musicais, como no Rio de Janeiro, e programações espalhadas por diferentes bairros, como em São Paulo.
Lula permaneceu em Brasília, onde se preparou para o debate com Flávio Bolsonaro (PL), realizado na Band naquela noite, e não participou das manifestações.
O rap mobiliza a periferia de São Paulo
O ato “O Rap Convoca”, em Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte da capital paulista, foi um dos destaques da programação paulistana. O evento levou ao palco Emicida, Rashid, Projota, Karol Conká e Jotapê e reuniu um público majoritariamente jovem.
A escolha do bairro, distante do circuito tradicional de manifestações políticas da cidade, buscou aproximar a mobilização dos moradores da periferia. Organizado pelo movimento hip-hop, o encontro teve apoio da Bancada Feminista, da Frente Povo Sem Medo e da Frente Brasil Popular.
Ao encerrar o evento, Emicida afirmou: “O rap sempre teve lado, o lado da rua, o lado do povo. O rap tem lado e está do lado certo.”
A capital paulista teve, ainda, concentrações no Largo da Batata, no Largo da Banana, no Grajaú e em Itaquera. A programação distribuída por diferentes regiões permitiu levar a campanha para além de uma única concentração central.
Caminhada em Brasília
Em Brasília, a concentração começou às 9h, em frente ao Museu Nacional da República, e seguiu pela Esplanada dos Ministérios até o Congresso. O ato teve participação de Alexandre Carlo, ex-vocalista do Natiruts, de representantes do hip-hop e de torcidas antifascistas.
Entre os participantes estavam os rappers GOG e Morfeu, além de integrantes de movimentos culturais e de organizações políticas.
Chico Buarque com os estudantes e música em Copacabana
No Rio, a programação se dividiu em dois momentos. Pela manhã, a região da Candelária recebeu estudantes e movimentos sociais em uma manifestação organizada pela União Nacional dos Estudantes (UNE).
Chico Buarque participou e pediu união: “Vamos juntos contra a ignorância, contra a truculência, contra a subserviência. Viva a juventude, viva a democracia. Viva o presidente Lula.”
Também na Candelária, a estudante de artes visuais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Andressa da Paz, de 24 anos, lembrou as condições precárias da universidade durante o governo Bolsonaro. “Estou esperançosa de que dia 25 de outubro, Lula vai ganhar”, afirmou à Agência Brasil.
À tarde, o Ato Musical pela Democracia ocupou o Posto 5 de Copacabana, com apresentações de Caetano Veloso, Djavan, Marina Sena, Ivan Lins, Simone e outros artistas. O Monitor do Debate Político da USP/CEBRAP e a More in Common estimaram 56,4 mil pessoas às 18h, com margem de erro de 12%. A chuva impediu a continuidade das medições depois desse horário.
O humorista Paulo Vieira abriu o evento criticando a tentativa de impedir sua realização. Caetano destacou a resistência da cultura brasileira às ameaças à democracia, enquanto Djavan ressaltou a defesa da soberania nacional.
Salvador e outras cidades
Em Salvador, a mobilização percorreu o trajeto entre Ondina e o Farol da Barra, com participação de Daniela Mercury, Gilberto Gil e outros artistas.
“Os artistas e o povo estão nas ruas defendendo essa virada, a reeleição do presidente Lula”, afirmou ao jornal A Tarde o deputado federal eleito Lucas Reis (PT-BA), que participou da caminhada.
Também foram registrados atos em Recife, Olinda, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Vitória, Fortaleza, Maceió, Natal, João Pessoa, Goiânia, Campo Grande, Belém, Palmas, Cuiabá, Manaus, Boa Vista, Rio Branco e Macapá.
As manifestações ocorreram em meio a uma disputa presidencial apertada. Pesquisa CNT/MDA divulgada na semana apontou empate técnico: Flávio Bolsonaro tinha 46,8% das intenções de voto e Lula, 45,9%. Nos votos válidos, os percentuais eram de 50,5% e 49,5%, respectivamente.
Fonte: Fundação Perseu Abramo