Ato por Lula em Goiânia lota a Praça Universitária e termina com casal detido após provocações

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Por João Palhares — Brasil de Fato

Todos os conteúdos de produção exclusiva e de autoria editorial do Brasil de Fato podem ser reproduzidos, desde que não sejam alterados e que se deem os devidos créditos.

Dentre as diversas cidades do país em mobilização pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Goiânia reuniu na tarde deste domingo, 11 de outubro, mais de 50 mil pessoas. Movimentos sociais, estudantes e apoiadores se encontraram na Praça Universitária a partir das 15h, o ato seguiu até a Praça Cívica, no centro da cidade, onde foi encerrada por volta das 20h. Durante a manifestação, um casal que passava de carro pelo local provocou participantes do ato, e os dois acabaram conduzidos pela Polícia Militar de Goiás (PMGO) à Central de Flagrantes da capital.

O ato acontece há duas semanas do segundo turno, onde Lula volta às urnas em disputa com Flávio Bolsonaro (PL) após uma diferença de pouco mais de 2,2 milhões de votos no primeiro turno, em 4 de outubro. Ainda nesta semana, diversas denúncias de ameaças foram recebidas por autoridades no estado vinculadas ao campo progressista. Na sexta-feira, 9 de outubro, a Universidade Federal de Goiás (UFG) chegou a acionar instituições policiais após relatos em meio à mobilização estudantil.

Para o advogado Valério Luiz Filho, que disputou uma vaga de deputado federal pelo PT neste ano, a mobilização em Goiânia é a maior do campo da esquerda que ele já presenciou na cidade. Na avaliação, o volume de pessoas nas ruas revela uma base que existe mesmo quando não está mobilizada. “Existe 30% da população brasileira que está colocada ideologicamente de esquerda, mesmo que ela não se mobilize sempre. Mas agora ela está se mobilizando”, afirmou.

Valério aponta que, desta vez, o que leva essas pessoas às ruas é a percepção de que um eventual governo de Flávio Bolsonaro representa uma ameaça concreta, sobretudo para grupos em situação de vulnerabilidade, que temem perseguição política contra suas vidas. “Elas encaram o governo que talvez possa vir, como uma ameaça existencial”, disse. Com atos acontecendo em todo o país, ele acredita “numa chance real de virada no segundo turno”.

O advogado analisa, porém, que uma vitória de Lula não encerraria a disputa. Com o Congresso eleito em outubro, o presidente não teria base para governar e precisaria, segundo ele, apostar em seus projetos e em uma mobilização constante da população, tanto para sustentar o governo quanto para expor os interesses dos deputados e senadores eleitos.

Por volta das 18h, um carro dirigido por um homem, com uma mulher no banco do passageiro, passou pela praça durante o ato. Segundo manifestantes e conforme presenciado por meio da reportagem fotográfica, a mulher chegou a cuspir em participantes e passou a fazer provocações. Durante o momento, cervejas chegaram a ser arremessadas entre os participantes. O homem, que se apresentava como um policial, desceu do carro afirmando que alguém havia batido em seu veículo, e os dois se envolveram em uma discussão com manifestantes.

Quando a PM chegou, participantes do ato passaram a cobrar que fosse feito o teste do etilômetro. Por cerca de 15 minutos, o homem apresentou diversos momentos de resistência e tentava pedir à polícia que nada fosse feito “por ser também um policial” e não estar fazendo nada de errado. A mulher chegou a falar por diversas vezes que não teriam feito nada, e chegou a empurrar um dos policiais que faziam a abordagem. Apesar da mulher, que o acompanhava, estar com uma garrafa de cerveja na mão, a reportagem chegou a apurar que nenhuma outra bebida estava visível no carro. Ao final, os dois foram levados em uma viatura da PM e do Grupamento de Intervenção Rápida Ostensiva (Giro). 

Minutos antes do ocorrido, o casal havia passado com o carro – com adesivo “fora lula” – em uma das ruas nas proximidades da praça e gritava com o nome de Bolsonaro. O momento, que chegou a abordagem da polícia, ocorreu após os dois fazerem um retorno pela via no sentido oposto ao que passaram anteriormente. Durante a primeira passagem, a mulher chegou a apontar, diversas vezes, uma garrafa de cerveja para fora do carro e fazia várias caras para os manifestantes.

A reportagem procurou a comunicação da PMGO por volta das 18h e perguntou se foi constatada embriaguez, para onde os envolvidos foram encaminhados e se o homem integra alguma força policial. O setor informou somente que a ocorrência ainda não havia sido registrada. Mais tarde, com o fim do plantão, a comunicação orientou a reportagem a procurar o batalhão responsável pela região da Praça Universitária. O batalhão, por sua vez, respondeu que somente o Comando de Comunicação Estratégica da PM tem competência para se manifestar sobre o caso, devolvendo a demanda ao setor que havia indicado o contato.

Por telefone, a Central de Flagrantes da Polícia Civil do Estado de Goiás (PC/GO) confirmou que o homem e a mulher foram conduzidos à unidade por desobediência, mas não informou se foi realizado o teste do bafômetro nem deu detalhes sobre o registro. Até a publicação desta matéria, a PMGO não informou ao Brasil de Fato DF se os dois foram autuados e/ou liberados.

Dirigir sob efeito de álcool é infração gravíssima pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), punida com multa e suspensão do direito de dirigir por 12 meses. Quando a concentração constatada é igual ou superior a 0,3 miligramas de álcool por litro de ar expelido, ou há sinais de alteração da capacidade psicomotora, a conduta também é crime, com pena de detenção de seis meses a três anos.

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Fonte: Brasil de Fato

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