Ato Mulheres com Lula reúne milhares em Porto Alegre em defesa da democracia
Por Fabiana Reinholz — Brasil de Fato
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Com palavras de ordem em defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos das mulheres, milhares de pessoas participaram, neste sábado (17), do ato Mulheres com Lula em Porto Alegre. A mobilização reuniu movimentos sociais e sindicais, estudantes, trabalhadoras, parlamentares e famílias. Os discursos destacaram o combate ao machismo, ao racismo e à extrema direita, além da importância de ampliar a votação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o dia 25.
A concentração ocorreu na praça do Aeromóvel, em frente à Usina do Gasômetro, de onde as participantes seguiram em marcha pela rua dos Andradas. O ato contou com a presença da candidata ao governo do Rio Grande do Sul Juliana Brizola (PDT), do candidato a vice Edegar Pretto (PT) e dos candidatos ao Senado Manuela d’Ávila e Paulo Pimenta (PT).
As mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro em 2026 e também são maioria entre os eleitores gaúchos. Ao longo da manifestação, lideranças políticas e participantes defenderam a mobilização nos bairros e locais de trabalho para conquistar votos, além da continuidade da organização popular após as eleições. O fim da escala de trabalho 6×1 e a garantia de direitos sociais também estiveram entre as pautas destacadas.
Pela manhã foi realizado o Corre com Lula.
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A deputada federal reeleita Fernanda Melchionna (Psol/RS) defendeu a mobilização para conquistar votos até o dia da eleição, mas ressaltou que a atuação política precisa ir além da disputa eleitoral. Segundo ela, a vitória de Lula representaria uma barreira aos interesses do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Brasil e às ameaças à soberania nacional.
“É urgente eleger o Lula dia 25. Nós vamos virar cada voto, cada segundo, conversar com as pessoas”, afirmou. A deputada defendeu o diálogo com quem está desiludido com a política, votou em outro candidato ou pretende anular o voto ou se abster. Como exemplo, relatou que, naquela manhã, durante uma atividade no bairro Passo das Pedras, a militância conseguiu conquistar votos, sobretudo de pessoas que pretendiam não comparecer às urnas.
“Mas a saída é muito mais do que eleitoral”, ponderou. Para Melchionna, associações de moradores, professores organizados, grêmios estudantis e movimentos populares são fundamentais para fortalecer a participação política e construir formas coletivas de resistência.
A deputada também alertou para o crescimento da extrema direita no Congresso Nacional e para ameaças aos direitos das mulheres. Entre os riscos apontados, mencionou iniciativas que, segundo ela, buscam restringir a autonomia feminina e obrigar meninas vítimas de violência sexual a levar uma gravidez adiante.
“O que eles querem? Obrigar as meninas a ser mãe, mesmo vítimas do estupro, crianças”, questionou. Melchionna também criticou discursos que reforçam a submissão feminina e manifestações contrárias ao direito das mulheres ao voto.
Ao abordar o cenário internacional, a parlamentar relacionou a extrema direita ao machismo, à misoginia, à LGBTfobia e ao racismo. Ela defendeu que a organização popular continue após as eleições, independentemente do resultado, para pressionar governos, enfrentar o Congresso Nacional e impedir retrocessos nos direitos sociais.
A deputada estadual Luciana Genro (Psol) também ressaltou o protagonismo das mulheres no enfrentamento ao conservadorismo. “Esse ato é fundamental porque as mulheres têm sido linha de frente no enfrentamento à extrema direita, porque nós sabemos na nossa própria pele o que significa esse movimento internacional que chega ao cúmulo de dizer que quer tirar o direito de voto das mulheres e a dizer que não existe feminicídio”, afirmou.
“Então é a nossa vida que está em jogo. Por isso as mulheres vão fazer todo o esforço que está a nosso alcance para virar até o último voto no domingo que vem, para a gente ganhar essa eleição e ter mais força para seguir lutando”, acrescentou.
Por sua vez, a vereadora Grazi Oliveira (Psol) convocou as participantes a buscar votos entre quem não compareceu às urnas no primeiro turno. Ela defendeu políticas públicas que protejam as mulheres antes que a violência resulte em morte. “Nós queremos políticas que nos mantenham vivas, porque nós queremos viver. Nós queremos políticas públicas que radicalizem antes da morte acontecer. Nós não queremos radicalizar depois que a gente já morreu.”
Em sua intervenção, a deputada estadual Laura Sito (PT) defendeu que a unidade demonstrada nas ruas se transforme em mobilizações nos bairros, nos locais de trabalho, nas organizações e nas igrejas. Ela relatou que, durante visitas à Restinga e à Lomba do Pinheiro, encontrou mulheres que não votaram no primeiro turno, enfrentam dificuldades financeiras e estão desiludidas com o sistema político.
Segundo a deputada, essas mulheres precisam ser mobilizadas para participar do processo eleitoral e atuar como multiplicadoras em suas famílias e comunidades. Sito defendeu que cada pessoa assuma um papel ativo na campanha em defesa da democracia.
A parlamentar também convocou a população para uma manifestação com Lula em Porto Alegre na segunda-feira (19), às 16h. Durante o ato, pediu a presença de 100 mil pessoas na rua dos Andradas para marcar a defesa da democracia na capital gaúcha.
Diretora de Mulheres da União Nacional dos Estudantes (UNE) e militante do Levante Popular da Juventude, Juliana Bergman destacou a participação das mulheres na eleição de representantes progressistas e na mobilização para o segundo turno.
“Agora é um momento de união para conseguir apontar a nossa resistência, a nossa luta, ao longo de tantas décadas que o movimento feminista, que as organizações populares, que os partidos, que a Frente Feminista construiu ao longo desses anos”, afirmou.
Bergman também ressaltou o papel das mulheres das periferias, estudantes e trabalhadoras na mobilização eleitoral.
A candidata ao governo do Rio Grande do Sul Juliana Brizola afirmou que a disputa eleitoral não se resume a uma oposição entre esquerda e direita. Em sua fala, classificou os integrantes da família Bolsonaro como “vigaristas” e acusou o grupo de querer entregar o Brasil aos Estados Unidos.
“Essa eleição não é sobre esquerda e direita. O vice-presidente Alckmin nunca foi um homem de esquerda. Ele é de centro-esquerda ou ele é de uma direita moderada. Os bolsonaros, eles não são de direita. Eles são vigaristas, querem entregar o nosso país para os americanos”, pontuou.
Ao mencionar o avô, o ex-governador Leonel Brizola, que viveu 15 anos no exílio, a candidata relacionou a história da família à defesa da soberania nacional. Ela também convocou as participantes a dialogar com pessoas que ainda não estão mobilizadas para a eleição. “Nós precisamos daqui para frente, a cada dia, conquistar pelo menos dois votos cada uma de nós. E, para isso, a gente vai ter que falar com quem pensa diferente”, declarou.
A candidata ao Senado Manuela d’Ávila relacionou a eleição à defesa da soberania, dos direitos trabalhistas e da vida das mulheres. Ela destacou a importância do fim da escala 6×1 e afirmou que a violência contra as mulheres não pode ser dissociada dos discursos de ódio da extrema direita. “Nós, mulheres, vamos salvar o Brasil porque nós sabemos que os feminicídios, que chegam cada vez mais numerosos, cada vez em gurias mais novas, como no extremo sul na semana passada, não caíram do céu. É fruto da violência da extrema direita, verbalizada debochadamente pelos seus líderes na última década no nosso país.”
D’Ávila pediu que as participantes mantivessem a mobilização e dedicassem tempo ao diálogo com mulheres que não votaram no primeiro turno ou ainda não perceberam o impacto da eleição sobre seus direitos. “Gastem a energia, gastem a força, a vitalidade, a convicção na conversa com as pessoas que não saíram para votar. Na conversa daquela companheira que a gente olha para o lado, sabe que pode contar, mas que ainda não se deu conta que o que está em jogo é o seu futuro e o futuro de todas as mulheres brasileiras”, declarou.
A vereadora Natasha Ferreira (PT), primeira travesti eleita para a Assembleia Legislativa gaúcha, no pleito de 2026, afirmou que sua chegada ao parlamento representa uma possibilidade de resistência diante do crescimento da extrema direita. “Enfrentamos a extrema direita com aquilo que eles mais odeiam, as mulheres, as pessoas negras, as LGBTs.”
Ferreira criticou a atuação da extrema direita e defendeu que a esquerda no parlamento enfrente seus discursos e iniciativas. Também relacionou as dificuldades enfrentadas pelas mulheres à falta de creches, às relações abusivas e às políticas de Estado que, em sua avaliação, integram o projeto conservador. “O presidente Lula representa o país onde o povo pobre aprendeu a comer, onde as pessoas passaram a ter dignidade, onde as pessoas trans como eu foram recebidas na mesa do presidente para debater a política real, onde nós somos de fato ouvidos.”
Ao concluir, convocou a militância a transformar o segundo turno em uma mobilização contra o bolsonarismo. “Semana que vem é dia de derrotar o fascismo. É dia de derrotar o Flávio. É dia de derrotar o bolsonarismo”, declarou.
Além das lideranças políticas, mulheres de diferentes gerações e trajetórias participaram da manifestação para defender a democracia, a igualdade de direitos e as políticas públicas.
A professora aposentada Cornélia Ecker afirmou que foi ao ato para defender “a democracia, a paz, a soberania, os direitos sociais”. “Não podemos perder para essa família de milicianos”, declarou.
A assistente administrativa Jerusa Vieira, mulher negra, também destacou a importância da mobilização. “Porque eu defendo a democracia e os direitos de todos iguais”, afirmou. Ao falar sobre a eleição, resumiu sua expectativa: “Negra, preta, pobre, tudo que eu quero é que o Lula ganhe, só isso”.
Mãe solo, Paola Victoria Castanheira, laboratorista de ensaios geotécnicos, participou da manifestação com as duas filhas, uma de 7 meses e outra de 19 anos. Ela afirmou que foi ao ato para defender os direitos das meninas e das mulheres negras. “Pra lutar pelos nossos direitos, pra elas terem direito a ser elas, meninas, mulheres negras, hoje em dia, nesse Brasil que a gente tá aí enfrentando por tudo.”
Castanheira frisou que uma vitória de Lula significaria mais tranquilidade quanto à garantia de direitos para as filhas, incluindo educação e acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS). Ela também ressaltou a importância de levá-las às mobilizações para que compreendam que a política precisa ser discutida e estudada e que possam fazer escolhas conscientes no futuro.
Vestidas como as aias, personagens do livro “O conto da aia”, da escritora canadense Margaret Atwood, Judite Fabrícia Guterres e Katia Cláudio Weber participaram do ato para chamar a atenção para os riscos de retrocessos nos direitos das mulheres.
Guterres, que trabalha como boleira, afirmou que a presença nas ruas é uma forma de protestar contra injustiças. “Nós viemos aqui no ato para lutar por justiça, para lutar nos nossos direitos. A nossa voz sempre está nas ruas e não devemos baixar a cabeça para o fascismo.”
Weber explicou que a referência à obra está relacionada à forma gradual como direitos podem ser retirados. “As coisas começaram aos poucos, já começaram a questionar o voto da mulher, já começaram a tirar os direitos das esposas como herdeiras necessárias, quando o cônjuge morre. Eles já começaram a mexer nos nossos direitos por baixo dos panos. A gente tem que acordar, a gente tem que ir para as ruas e a gente tem que lutar, porque a gente já conquistou e querem tirar da gente.”
A promotora legal popular Fabiane Lara dos Santos, sobrevivente de tentativa de feminicídio e vice-presidenta do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, participou do ato ao lado da mãe, Jurema Terezinha da Costa Lara, de 72 anos, ex-sindicalista.
Santos relacionou a mobilização às conquistas históricas das trabalhadoras e abordou a jornada de trabalho. “Eu, como uma mulher preta periférica, aqui do lado da minha mãe, a dona Jurema, que lutava pelo sábado inglês, hoje vê essa vitória consolidada dos 5×2. É uma vitória de todas nós. Estamos unidos por um Rio Grande do Sul, por um país que respeite a todas nós. Nós queremos vivas. Nós queremos vivas. Lula lá.”
Lara afirmou que participou da manifestação em defesa de “um Brasil melhor”. Ao falar sobre o significado de uma vitória de Lula, disse que pretende contribuir para a eleição do presidente. “Pra mim, no momento, é tudo, porque eu não preciso votar, eu vou votar pra ajudar ele”, declarou.
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Fonte: Brasil de Fato