Assessor do deputado distrital Iolando (MDB-DF) é alvo de investigação sobre o filme ‘Dark Horse’
Por Redação — Brasil de Fato
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Um assessor da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) está entre os investigados da Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10), que investiga suspeitas de desvios de recursos públicos destinados por meio de emendas parlamentares. Ademar de Sena Sampaio, que ocupa um cargo comissionado no gabinete do deputado distrital Iolando Almeida (MDB-DF), aparece entre os investigados e é sócio de Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro (PL), e um dos principais alvos da operação.
Na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), Ademar Sampaio é citado como sócio-dirigente da Upcon Serviços Especializados Ltda., empresa da qual Karina também é sócia. Ele também aparece como procurador de organizações religiosas e do Instituto Viver-Brasil.
A Operação apura possíveis desvios de recursos públicos federais, fraudes em procedimentos de contratação, falsidade documental, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Entre os indícios mencionados estão pagamentos sem comprovação suficiente da prestação dos serviços e a utilização de fornecedores com vínculos pessoais, políticos ou comerciais com integrantes do núcleo investigado.
O assessor do deputado Iolando está entre os investigados que foram alvo da ordem de busca e apreensão domiciliar autorizada por Dino. Ele aparece como o quarto da lista de pessoas incluídas na medida. O ministro também determinou que Ademar Sampaio não tenha contato com os demais investigados e que não deixe o país sem autorização.
Ademar, que é pastor da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Brasília (Adeb), mantém uma relação de longa duração com o gabinete de Iolando Almeida na CLDF. De acordo com dados do Portal da Transparência da CLDF, ele ocupa cargo no gabinete do parlamentar desde outubro de 2019, passando por diferentes funções. Atualmente, ele está no Cargo Especial de Gabinete CL-02. Em julho de 2026, a remuneração bruta registrada para o cargo era de R$ 5.721.
Em janeiro de 2025, Ademar também aparece ao lado de Celina Leão (PP) em publicações nas redes sociais. Na ocasião, ele registrou sua posse à frente do Setor 8 da Adeb, em Sobradinho, e agradeceu à então vice-governadora, à Iolando e ao deputado federal Gilvan Máximo (Republicanos) pelo “apoio destas autoridades políticas da nossa Capital”. No vídeo publicado, Celina se dirige a Ademar como “nosso querido pastor”.
A assessoria de imprensa do deputado Iolando foi procurada pela reportagem do Brasil de Fato DF, por e-mail e telefone, para se manifestar sobre a investigação do funcionário, mas não houve retorno até a publicação.
O processo apresenta uma comunicação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre movimentações em uma conta corrente de Ademar. Entre 26 de junho de 2025 e 10 de junho de 2026, foram identificados R$ 682,3 mil em movimentações, sendo R$ 341,5 mil em créditos e R$ 340,7 mil em débitos. O documento registra que, nos dados cadastrais utilizados pelo Coaf, Ademar aparecia como agente administrativo da Câmara Legislativa, com rendimento de R$ 3.283,68 em dezembro de 2025.
Segundo o relatório, entre os principais remetentes de recursos, está a empresa Ademar de Sena Sampaio Contabilidade, que enviou R$ 66 mil, uma construtora, que enviou R$ 52 mil, o próprio Ademar de Sena Sampaio, que remeteu R$ 43 mil, uma pessoa física que destinou R$ 25 mil e duas remessas da Igreja Evangélica Assembleia de Deus, uma no valor de R$ 31 mil e outra no valor de R$ 22 mil.
O documento aponta que o Relatório de Inteligência Financeira não informa todas as operações ocorridas nas contas dos investigados, mas apenas as operações identificadas como suspeitas de serem ocorrências de lavagem de dinheiro no período informado.
A Upcon também é mencionada nos dados de inteligência financeira analisados pelo STF, ao lado do ICB, da Academia Nacional de Cultura (ANC), da Go Up Entertainment e da GO7, empresas e organizações relacionadas ao núcleo empresarial de Karina Gama.
A relação empresarial entre os dois foi formalizada em março de 2026. Registros do quadro societário da Upcon mostram que Ademar era sócio da empresa desde 2020 e que Karina Gama entrou na sociedade em 3 de março deste ano, passando a figurar como sócia-administradora.
O Brasil de Fato DF entrou em contato por e-mail e telefone com Ademar de Sena Sampaio para que pudesse comentar sobre a investigação, mas não houve retorno até a publicação.
O Instituto Conhecer Brasil também aparece na decisão de Flávio Dino entre as organizações investigadas. Segundo os dados financeiros analisados pelo STF, o ICB aparece como o principal captador de recursos. A decisão aponta ainda que o instituto recebeu recursos de emendas parlamentares de autoria do deputado federal Mário Frias (PL-SP).
Karina Gama aparece na investigação como presidente do ICB e da Academia Nacional de Cultura (ANC), além de sócia-administrativa da Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”. A Upcon, onde ela é sócia de Ademar, faz parte do conjunto de empresas relacionadas à investigação. O Brasil de Fato pediu posicionamento ao ICB sobre as investigações, mas não houve retorno até a publicação da reportagem.
Em 2023, O ICB firmou uma parceria com a FAP-DF e a Secretaria de Educação para executar o projeto Steam Maker, voltado à educação tecnológica em escolas públicas.
O acordo tinha valor inicial de R$ 4 milhões e recebeu um aditivo de R$ 1 milhão, chegando a R$ 5 milhões. O projeto previa a implantação de laboratórios maker em 16 escolas, capacitação de professores e fornecimento de equipamentos, entre eles impressoras 3D.
O Brasil de Fato DF procurou a Secretaria de Educação para esclarecer a situação da parceria, os valores executados e a prestação de contas do projeto, mas não houve retorno.
O caso já havia sido questionado no Distrito Federal. Em 12 de junho, o deputado distrital Gabriel Magno (PT) encaminhou uma Notícia de Fato ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para apurar problemas na execução do projeto. Como mostrou o Brasil de Fato DF à época, vistorias identificaram equipamentos sem funcionamento, problemas de infraestrutura e falhas na capacitação técnica.
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Fonte: Brasil de Fato