As vitórias e as derrotas dos prefeitos do ES nas eleições 2026

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A Gazeta

Ricardo Ferraço e Euclério Sampaio em evento de apoio a Ricardo em Cariacica

Ricardo Ferraço e Euclério Sampaio em evento de apoio ao vice-governador em Cariacica, na última segunda-feira (9)
Divulgação
O pleito de 2026 não foi municipal. Ninguém disputou o cargo de prefeito e nenhum prefeito foi candidato. Muitos chefes de Executivos municipais, porém, emprestaram prestígio e pediram aos eleitores para votar em determinados candidatos a governador e deputado, por exemplo.
Alguns ganharam junto com seus pupilos. Outros, perderam. Em relação à corrida pelo Palácio Anchieta, a derrota dos prefeitos foi fragorosa. 
A maioria estava no palanque do governador Ricardo Ferraço (MDB), mas não conseguiu transferir capital político para fazer o emedebista vencer nas respectivas cidades.
Obviamente, o desempenho dos candidatos não pode ser creditado ou debitado apenas nas contas dos prefeitos. Uma série de fatores, alguns até subjetivos, contribuiu para o resultado das urnas.

Em relação aos apadrinhados que concorreram a cadeiras no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa, o resultado foi mais pulverizado. 
Confira:

EUCLÉRIO SAMPAIO
Em Cariacica, a situação é emblemática. Euclério Sampaio (MDB) foi reeleito com 88,41% dos votos em 2024. Saiu das urnas com um capital político gigantesco, uma quase unanimidade.
Isso o cacifou, pouco tempo depois, para ser alçado a “general” da campanha de Ricardo ao governo. Presidente estadual do MDB, Euclério teve um papel-chave como estrategista e cabo eleitoral.
Ele fez o mesmo, principalmente, pelo deputado federal Messias Donato (União Brasil), que disputou a reeleição. Messias foi “o federal do Euclério”.
Não foi reeleito, apesar da boa votação, 66.236 votos, superior aos 42.640 que recebeu em 2022. 
O aliado de Euclério foi o candidato a deputado federal mais votado de Cariacica, com 33.615 votos, mas ainda assim perdeu a cadeira em Brasília. 
Agora, os números não foram favoráveis a Ricardo na cidade.
Ele recebeu 30,61% dos votos dos eleitores de Cariacica. Foi ultrapassado com folga pelo ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) que chegou a 45,19%.
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Helder Salomão (PT), ex-prefeito de Cariacica e potencial adversário do grupo de Euclério em 2028, recebeu 23,09% dos votos na cidade, percentual superior aos 15,32% que o petista teve considerando todo o estado.
É graças ao desempenho do petista que vai haver segundo turno no Espírito Santo. Ricardo quase perdeu para Pazolini já no primeiro turno. No total, o republicano alcançou 49,65% dos votos.
Aliás, foi em Cariacica que o PT teve outra vitória importante: a vereadora Açucena, única opositora do prefeito na Câmara, foi eleita deputada estadual com 35.988 votos.
Outro resultado com gosto amargo para Euclério.
E teve mais:
O deputado estadual Denninho Silva (União Brasil), primo do emedebista e que contou com o apoio do prefeito, não foi reeleito.
Sandro Locutor (MDB), outro aliado do prefeito, idem. 
A votação de Açucena em Cariacica, 12.213 votos, foi maior que as de Denninho (8.446) e Locutor (11.402).
Mas ao menos um aliado de Euclério foi o mais votado na cidade e foi eleito: o ex-governador Renato Casagrande (PSB), que disputou o Senado. 
Casagrande recebeu 94.497 votos em Cariacica. Evair de Melo (Republicanos), o candidato de Pazolini a senador, ficou em segundo lugar (70.198) e também foi eleito.
ARNALDINHO BORGO

Em Vila Velha, o prefeito Arnaldinho Borgo (PSDB) fez campanha para Ricardo, mas os eleitores da cidade não corresponderam aos apelos. 
Se dependesse apenas dos votos do município canela-verde, Pazolini teria sido eleito em primeiro turno, com 54,03% dos votos. O governador ficou com 27,13%.

A “federal do Arnaldinho”, entretanto, foi eleita. Ex-secretária estadual de Governo, Emanuela Pedroso (PSB), a Manu, contou com o apoio declarado e incessante de Arnaldinho na corrida pela Câmara dos Deputados. Ela recebeu, no total, 69.398 votos, sendo 15.060 somente em Vila Velha.

Arnaldinho Borgo e Manu

Arnaldinho Borgo e Manu
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A “estadual do Arnaldinho”, Lyza Herzog (PSDB), por sua vez, teve 13.879 votos (11.918 em Vila Velha) e não foi eleita para a Assembleia.

Arnaldinho foi um pródigo apoiador de Casagrande na disputa pelo Senado e, em Vila Velha, o ex-governador foi o mais votado: 110.422 votos, seguido de perto por Evair (108.276).

CRIS SAMORINI

A prefeita de Vitória, Cris Samorini (PP), não participou ativamente de atos de campanha de Pazolini, mas é sabidamente uma apoiadora do ex-prefeito, a quem sucedeu no comando do Executivo municipal.
O fato de o republicano ter sido o mais votado no primeiro turno é um ponto positivo para Cris. Se Pazolini vencer o pleito, ela terá um aliado no comando do Executivo estadual, o que pode facilitar o plano de ela disputar a reeleição em 2028.
Em Vitória, Pazolini teve 56,51% dos votos, contra 25,03% de Ricardo.
Cris, entretanto, endossou publicamente a candidatura de Erick Musso (Republicanos) à Câmara dos Deputados. Presidente estadual do Republicanos e principal articulador do ex-prefeito, Erick teve 53.726 votos, sendo 11.921 em Vitória.

Mas não foi eleito. O partido de Pazolini emplacou apenas um federal: Coronel Ramalho.

Cris Samorini e Erick Musso

Cris Samorini e Erick Musso
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Cris também pediu votos aos eleitores em prol de Evair de Melo, que foi eleito, mas na Capital foi ultrapassado por Casagrande.

O socialista recebeu 91.552 votos e o republicano, 84.313.

WEVERSON MEIRELES
O prefeito da Serra, Weverson Meireles (PDT) engajou-se nas campanhas de Ricardo e de Serginho Vidigal (Podemos), filho do ex-prefeito Sérgio Vidigal que disputou uma vaga na Câmara dos Deputados.
Para o Palácio Anchieta, Pazolini foi o mais votado na Serra, com 52,87% dos votos. O emedebista ficou com 26,89%.
Trata-se do maior colégio eleitoral do estado. A derrota de Ricardo lá certamente foi decisiva para ele ter ficado em segundo lugar no primeiro turno.
Já Serginho Vidigal recebeu uma boa votação, 81.162 votos. Superou quatro deputados federais eleitos, mas o desempenho da chapa do Podemos não foi suficiente para emplacar duas cadeiras na Câmara. 
A única vaga da sigla foi para o deputado federal Gilson Daniel, que se reelegeu com 107.660 votos.

Serginho Vidigla e Weverson Meireles

Serginho Vidigla e Weverson Meireles
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Ao menos um nome apoiado por Weverson foi o mais votado na Serra e conquistou uma cadeira: Casagrande foi o campeão entre os candidatos ao Senado na cidade, com 121.389 votos, seguido por Evair (92.510).

WANDERSON BUENO

Por falar em Gilson Daniel, ele foi o candidato a deputado federal apoiado pelo prefeito de Viana, Wanderson Bueno (Podemos). A vitória de Gilson foi uma boa notícia para Wanderson.

O desempenho de Ricardo em Viana, contudo, deixou a desejar. Principalmente se considerarmos que o prefeito da cidade esteve na linha de frente da campanha do governador e foi um dos responsáveis pelo plano de governo do emedebista.

O governador recebeu 34,85% dos votos em Viana, ao passo que Pazolini foi o mais votado, com 47,02%.

Para o Senado, o mais votado em Viana foi Casagrande, aliado do prefeito: O ex-governador teve 20.082 votos, seguido de Evair, com 14.881.

RODRIGO BORGES

Em Guarapari, o prefeito Rodrigo Borges até trocou de partido em 2026, saiu do Republicanos de Pazolini para o PP, que está com Ricardo. Borges fez campanha para Ricardo e, sobretudo, para o deputado federal Amaro Neto (PP), que tentou a reeleição.

Ricardo perdeu em Guarapari, com 33,85% dos votos, contra 53,65% de Pazolini.

Rodrigo Borges e Amaro Neto

Rodrigo Borges e Amaro Neto
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Amaro teve, ao todo, 36.839 votos, bem menos que os 52.375 de 2022. Em Guarapari, o apresentador de TV recebeu 9.658 votos em 2026, foi o segundo mais votado para deputado federal, superado por Lucas Polese (PL), com 15.408.

Na corrida pelo Senado, o mais votado foi o candidato do antigo partido de Rodrigo Borges, Evair de Melo (32.266 votos), seguido de perto por Casagrande (30.039).


THEODORICO FERRAÇO

Cachoeiro de Itapemirim é a terra dos Ferraço. O município é administrado por Theodorico, pai de Ricardo.

O governador superou Pazolini lá no primeiro turno, mas por uma margem muito apertada: 46,48% a 44,82%.

E Casagrande, principal aliado de Ricardo, não foi o mais votado na capital secreta. O preferido foi Evair, com 59.841 votos, ao passo que o socialista ficou em segundo, com 40.367.

Na disputa pela Câmara dos Deputados, o candidato apoiado por Theodorico e pela primeira-dama, Norma Ayub, entretanto, venceu e venceu bem: Dr. Bruno Resende foi o terceiro candidato a deputado federal mais votado do Espírito Santo, com 110.675 votos, sendo 42.550 apenas em Cachoeiro.

LUCAS SCARAMUSSA

Em Linhares, o prefeito Lucas Scaramussa (Podemos) apoiou Ricardo, mas a população da cidade preferiu Pazolini. O republicano teve 55,44% dos votos na cidade, contra 30,30% do emedebista.

Na disputa pelo Senado, Evair foi o mais votado em Linhares, superando Casagrande, que foi endossado pelo prefeito. 

Scaramussa, entretanto, tem uma vitória a comemorar: a eleição do aliado Franco Fiorot (Podemos) para a Assembleia Legislativa. Fiorot recebeu 35.019 votos, sendo 26.376 em Linhares.

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Fonte: A Gazeta

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