Aprendizagem nas empresas fica longe do dia a dia de 72% dos profissionais, mostra pesquisa

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Por Allan Ravagnani — Carta Capital

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Pesquisa do DOT Digital Group com 1.088 trabalhadores de 154 empresas aponta índice de 58,5 pontos e mostra o peso do PDI e da IA na capacitação

A aprendizagem corporativa no Brasil atingiu 58,5 pontos em uma escala de 0 a 100, e 71,5% dos profissionais de empresas de grande porte não a percebem conectada às próprias necessidades no trabalho. O dado vem do primeiro Índice de Maturidade da Aprendizagem (IMA), levantamento do DOT Digital Group, edtech de educação corporativa digital.

A pesquisa ouviu 1.088 trabalhadores de 154 companhias e foi apresentada em São Paulo, durante o DOT Think 2026, encontro que reuniu líderes de Recursos Humanos, especialistas e profissionais de gestão de pessoas. Os números indicam distância entre o investimento em infraestrutura educacional e a capacidade de converter treinamento em execução diária.

Como novidade, o estudo ouviu o usuário dos programas de Treinamento e Desenvolvimento (T&D), em vez de limitar a consulta às diretorias de RH. “O levantamento reafirma o nosso compromisso de discutir, junto às organizações, como integrar a aprendizagem de maneira mais efetiva à rotina de trabalho para gerar impacto positivo no negócio”, afirma Luiz Ferla, CEO e fundador do DOT Digital Group.

Pelos dados, só 28,5% dos entrevistados estão no estágio mais avançado, em que o aprendizado se liga à rotina, às metas da área e ao desenvolvimento pessoal.

Em seguida, o maior grupo, de 32,4%, trabalha em empresas com verba e ferramentas disponíveis, mas sem adaptação às rotinas individuais. Já 17,5% relatam acesso a conteúdos e plataformas, porém sem tempo e orientação adequados. Por fim, 21,6% não enxergam a aprendizagem como parte da própria experiência profissional.

Entre as dimensões avaliadas, Cultura (52,4 pontos) e Práticas e Processos (53,0 pontos) registraram as menores notas. Por outro lado, Impacto (68,3 pontos) e Tecnologia e Ecossistema (62,5 pontos) tiveram pontuação maior.

O levantamento também mediu o interesse por qualificação em Inteligência Artificial. Ao contrário da expectativa de que ferramentas digitais atraiam sobretudo quem inicia a carreira, o interesse sobe com a senioridade.

Dessa forma, a IA aparece como prioridade para 49% da liderança formal e 47% dos profissionais experientes, ante 23% dos iniciantes.

Passando aos gargalos operacionais, o Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) é o ponto mais frágil. Apenas 39,1% dos profissionais o reconhecem como guia ativo para as oportunidades de capacitação.

Na prática, o documento tende a funcionar como registro parado, sem ligar a carreira do funcionário às competências que a empresa exige. O efeito aparece na aplicação do conhecimento: 92,0% dos trabalhadores com PDI ativo usam o que aprenderam em tarefas recentes, taxa que cai a 47,4% quando o plano está inativo ou ausente.

Além disso, só 40,7% das equipes notam a aprendizagem dentro do fluxo diário de trabalho, como em softwares de gestão e sistemas de atendimento.

Para Ferla, os resultados pedem uma inversão na forma como as empresas pensam o desenvolvimento de pessoas. “Durante anos, o mercado corporativo perguntou o que precisava ensinar aos seus colaboradores. Os dados mostram que essa é a pergunta errada. A questão real é o que precisa acontecer dentro da organização para que as pessoas consigam aprender, aplicar o que aprenderam e gerar impacto de negócio com isso”, diz o executivo.

Segundo ele, o estudo confirma uma tese que orienta a atuação do DOT há anos: a aprendizagem corporativa deixou de depender do conteúdo disponível e passou a depender do desenho organizacional. “Não existe jornada de aprendizagem eficaz sem tempo planejado, sem liderança presente ou sem rituais que sustentem o hábito. Tecnologia e inteligência artificial ajudam, mas só quando aplicadas sobre uma estrutura organizacional que já reconhece a aprendizagem como parte do trabalho, e não como uma atividade paralela a ele”, completa.

Outro dado do relatório trata do aproveitamento das plataformas de ensino. Quando os usuários as classificam apenas como fáceis de usar, sem utilidade direta no trabalho, o aproveitamento operacional forte ocorre em 44% dos casos.

Em contrapartida, quando a facilidade de navegação vem junto com utilidade nas tarefas, a taxa de aplicação bem-sucedida chega a 84%.


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Fonte: Carta Capital

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