Apple revela iPhone Ultra: a aposta de Tim Cook para a era dos dobráveis
Por Toque Tec — Carta Capital
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Após anos de especulações e um longo período de desenvolvimento, o iPhone Ultra marca a entrada da Apple no segmento de celulares dobráveis, trazendo inovações e desafios em sua estreia, ao lado dos tradicionais e poderosos modelos iPhone 18 Pro
A Apple se prepara para um evento significativo, onde deve apresentar ao mundo o aguardado iPhone Ultra, seu primeiro smartphone dobrável, e a nova linha de modelos convencionais, o iPhone 18 Pro e iPhone 18 Pro Max. A chegada do dispositivo dobrável representa um marco para a empresa, que busca consolidar sua presença em um mercado que já conta com concorrentes de peso. No entanto, a inovação vem acompanhada de desafios relacionados a preço, tecnologia e logística, enquanto a série Pro tradicional continua a ser uma referência em desempenho.
O desenvolvimento do iPhone Ultra é atribuído a um projeto de uma década, impulsionado pelo ex-CEO Tim Cook. Embora conhecido por não ser um “homem de produto” no mesmo sentido de Steve Jobs ou Jony Ive, Cook teria se empenhado pessoalmente para aperfeiçoar o conceito de um iPhone dobrável antes de sua saída. Relatos indicam que o interesse de Cook por este formato cresceu a partir de 2020, durante uma viagem à Ásia, onde observou a crescente popularidade de smartphones dobráveis de marcas como Samsung e Huawei.
Apesar de a Samsung ter lançado seu primeiro dobrável em 2019, a Apple já investia tempo em pesquisa no setor muito antes. A empresa obteve uma patente abrangente para um iPhone dobrável e flexível em 2015, com o pedido original datando de 2011. Ao longo dos anos, engenheiros e designers da Apple exploraram diversas possibilidades, incluindo a ideia de um iPad mini que se desdobraria em um iPad maior, e até mesmo um MacBook dobrável, embora este último conceito pareça ter sido abandonado. O foco, no entanto, foi direcionado para o smartphone, com Cook sendo o principal defensor do projeto iPhone Ultra, que agora é finalizado sob a liderança de John Ternus, o atual CEO. A expectativa é que o iPhone Ultra seja revelado em 09/09, marcando o início da gestão de Ternus.
O iPhone Ultra está posicionado para ser o smartphone mais caro da Apple até o momento. Analistas estimam um preço inicial de US$ 2,1 mil (R$ 10,7 mil) para o modelo de entrada, podendo chegar a US$ 3 mil (R$ 15,3 mil) nas configurações mais avançadas. Inicialmente, a Apple teria almejado um preço de US$ 2 mil (R$ 10,2 mil) durante o desenvolvimento, uma estratégia que ecoa o lançamento do iPhone X, que custou US$ 999 na época, desafiando a percepção de preço dos consumidores.
A alta precificação é parcialmente atribuída a uma crise global de memória e flash, que impacta a indústria de tecnologia em larga escala. Esse cenário de escassez e aumento de custos de componentes contribui para o valor final elevado do dispositivo, tornando-o um produto de nicho ainda mais exclusivo.
Uma das revelações que chamam a atenção sobre o iPhone Ultra é a aparente adoção do Touch ID em vez do Face ID para autenticação biométrica. Rumores indicam que o chassi do dispositivo dobrável é muito fino para acomodar a tecnologia Face ID. Evidências encontradas no código da versão beta do iOS 27 sugerem essa mudança, com referências a um iPhone que suporta Ultra Wideband (UWB) e Touch ID.
Essa escolha remete ao iPad Air, que também utiliza o Touch ID integrado ao botão de ligar/desligar, permitindo um design de tela que ocupa quase toda a frente do aparelho sem a necessidade do botão Home tradicional. Embora o Touch ID seja uma tecnologia mais antiga que o Face ID, sua implementação no iPad Air foi considerada um feito de engenharia. No contexto do iPhone Ultra, isso significa que os consumidores pagarão um valor elevado por um dispositivo que, em um aspecto, emprega uma tecnologia de autenticação mais madura.
Outro desafio logístico para o lançamento do iPhone Ultra é a sua distribuição em mercados importantes, como a China. O País pode enfrentar atrasos na chegada do aparelho devido a questões relacionadas ao suporte de eSIM. A China ainda depende amplamente de cartões SIM físicos, e a transição para o eSIM tem sido um processo lento e complexo regulatoriamente. O iPhone Ultra seria o segundo smartphone da Apple a ser vendido sem acesso a SIM físico na China, seguindo o iPhone Air, que também enfrentou atrasos semelhantes por motivos regulatórios e dificuldades na ativação e transferência de serviços com as operadoras locais. A Apple busca aprimorar essa experiência para o lançamento do Ultra, mas o cenário regulatório chinês permanece um obstáculo.
Enquanto o iPhone Ultra atrai os holofotes pela novidade do formato dobrável, a linha iPhone 18 Pro e iPhone 18 Pro Max se posiciona como a opção de alta performance e confiabilidade para a maioria dos usuários. Estes modelos são descritos como os “cavalos de trabalho” do ecossistema Apple, oferecendo o que há de melhor em sistema de câmera, poder de processamento e duração de bateria.
A principal vantagem dos modelos Pro reside em sua construção tradicional, que evita as complexidades inerentes aos dobráveis. Por exemplo, a arquitetura de bateria do iPhone Ultra, que utiliza células divididas para manter o chassi fino quando aberto, pode resultar em uma capacidade combinada menor (cerca de 4.883 mAh) em comparação com a bateria de célula única do iPhone 17 Pro Max. Os rumores indicam que o iPhone 18 Pro e Pro Max terão baterias de 4.288 mAh e 5.200 mAh (ou até 5.567 mAh), respectivamente, que tendem a ser mais eficientes.
A dissipação de calor é outro ponto crucial. Embora o iPhone Ultra e a linha 18 Pro devam compartilhar o mesmo chip A20 Pro de 2 nm, o chassi fino do dobrável pode ter dificuldades em dissipar o calor de forma tão eficaz quanto os modelos Pro. Isso pode levar a um desempenho do processador potencialmente limitado para evitar superaquecimento.
A durabilidade também é um fator. Enquanto os modelos 18 Pro são construídos para resistir a quedas e arranhões, a tela interna flexível do iPhone Ultra, mesmo com tecnologias como vidro duplo e dobradiça com metal líquido, é inerentemente mais suscetível a danos do que o Ceramic Shield dos modelos Pro. Além disso, a espessura do aparelho dobrável impõe restrições às câmeras. O iPhone Ultra pode abrir mão da lente telefoto, adotando uma configuração de câmera dupla de 48 MP, enquanto o iPhone 18 Pro deve apresentar um sensor telefoto aprimorado, oferecendo maior versatilidade fotográfica.
A chegada do iPhone Ultra representa um passo ousado da Apple no mercado de dispositivos dobráveis, um segmento em crescimento que busca oferecer novas formas de interação com os smartphones. Contudo, a linha iPhone 18 Pro e Pro Max continua a ser a escolha preferencial para a maioria dos consumidores que buscam desempenho, durabilidade e as tecnologias mais avançadas em um formato consolidado. A estratégia da Apple parece ser a de explorar a inovação com o Ultra, ao mesmo tempo em que fortalece sua oferta principal com os modelos Pro, atendendo a diferentes perfis de usuários e expectativas de mercado.
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Fonte: Carta Capital