Após instalar uma câmera para descobrir quem deixava sacos de lixo diante do seu portão toda madrugada, moradora passa uma semana revisando as imagens até perceber que o responsável era um vizinho três casas acima que os arrastava para longe de casa antes do caminhão passar
Por Carlos Emanoel Freires dos Santos — Catraca Livre
Durante quase duas semanas, Patrícia acordou com a mesma surpresa diante de casa: dois ou três sacos de lixo que não eram dela apareciam encostados no portão antes do amanhecer. No começo, imaginou que alguém estivesse confundindo os horários da coleta. Depois percebeu que aquilo acontecia quase sempre de madrugada e apenas em frente ao imóvel dela. Cansada de retirar sacos rasgados e restos espalhados pela calçada, instalou uma câmera. Passou uma semana revendo gravações até descobrir que o responsável morava três casas acima e arrastava o próprio lixo para longe antes da passagem do caminhão.
O primeiro saco apareceu numa segunda-feira de manhã
Patrícia saiu para trabalhar pouco depois das 7h e encontrou uma sacola preta encostada no portão. Pensou que algum cachorro tivesse arrastado o lixo de outra casa durante a noite.
Na terça-feira, apareceram dois sacos. Na sexta, eram três. Um deles estava rasgado e havia embalagens espalhadas perto da entrada da garagem.
Ela perguntou aos vizinhos mais próximos se alguém tinha visto alguma coisa, mas ninguém soube explicar.
Os sacos sempre apareciam antes do caminhão de coleta
A rua recebia o caminhão normalmente por volta das 6h. Patrícia percebeu então que o lixo não estava sendo deixado na noite anterior. Em vários dias, ela ainda olhava pela janela perto da meia-noite e não havia nada no portão.
Quando acordava às 5h30, os sacos já estavam lá.
Foi essa diferença de poucas horas que a fez desconfiar que alguém saía durante a madrugada apenas para mover o lixo de lugar.
Ela instalou uma câmera apontada para a calçada
Patrícia colocou uma câmera simples sob o beiral da garagem, cobrindo apenas a frente da própria casa e parte da calçada.
Nas duas primeiras noites, nada aconteceu. Na terceira, a gravação mostrou um homem passando do outro lado da rua pouco depois das 4h, mas a imagem estava escura demais para identificar quem era.
Na manhã seguinte havia novamente dois sacos junto ao portão.
Durante uma semana, ela começou a anotar os horários
Assim como havia feito com o lixo, Patrícia começou a comparar as gravações.
- segunda-feira, 4h18;
- quarta-feira, 4h42;
- sexta-feira, 3h57;
- sábado, 4h26.
Em todas essas madrugadas, os sacos apareciam pouco antes da coleta.
O movimento também era parecido: alguém surgia do mesmo lado da rua e voltava poucos minutos depois sem carregar nada.
A imagem mais clara mostrou que o homem vinha de três casas acima
Na sétima noite, a iluminação de um carro que passava pela rua deixou a gravação mais nítida. Patrícia reconheceu um vizinho chamado Sérgio, que morava três imóveis acima.
Ele caminhava puxando dois sacos grandes pelo chão, segurando-os pelas alças. Ao chegar à frente da casa de Patrícia, deixou os dois junto ao portão e voltou pelo mesmo caminho.
Ela assistiu à gravação algumas vezes porque não conseguia entender o motivo.
O vizinho disse que queria evitar o lixo acumulado diante da própria casa
Patrícia decidiu conversar com Sérgio antes de procurar o condomínio de moradores da rua ou fazer qualquer reclamação formal.
Ele admitiu que tinha colocado os sacos ali. Explicou que costumava deixar o lixo na própria calçada, mas alguns animais rasgavam as sacolas antes da coleta e espalhavam resíduos perto da garagem.
Como o caminhão vinha da direção da casa de Patrícia, Sérgio passou a levar os sacos alguns metros abaixo acreditando que ficariam menos tempo na rua.
A explicação deixou Patrícia ainda mais irritada
Para ela, o vizinho não havia resolvido o problema. Apenas transferiu para outra porta aquilo que não queria diante da própria casa.
Patrícia mostrou as imagens em que aparecia recolhendo embalagens rasgadas antes de sair para trabalhar.
Sérgio pediu desculpas e disse que não imaginava que os animais continuassem mexendo nas sacolas naquele ponto.
Os dois combinaram uma solução diferente para o lixo
Nos dias seguintes, Sérgio passou a armazenar os sacos em um recipiente fechado e colocá-los para fora apenas pouco antes da passagem do caminhão.
Patrícia manteve a câmera instalada, mas nenhum novo saco apareceu diante do portão nas semanas seguintes.
Ela também deixou de precisar sair alguns minutos mais cedo para limpar a calçada antes de trabalhar.
O que parecia descarte aleatório tinha uma rotina de poucas casas de distância
Durante dias, Patrícia imaginou que o lixo pudesse vir de alguma rua próxima ou ser levado por animais. A resposta estava muito mais perto: alguém que ela via com frequência, mas nunca teria associado à situação.
A câmera não revelou um desconhecido chegando de longe, mas um vizinho que todas as madrugadas arrastava o próprio problema três casas adiante. Depois da conversa, o lixo parou de aparecer. Patrícia continuou cumprimentando Sérgio quando o encontrava na rua, mas diz que nunca mais viu uma sacola preta diante do portão sem olhar primeiro para a câmera.
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Fonte: Catraca Livre