Após cinco perdas gestacionais, mulher realiza sonho de ser mãe de gêmeas

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Por Luan Monteiro — Jornal Opção

Após cinco perdas gestacionais, mulher realiza sonho de ser mãe de gêmeas

Aos 36 anos, Joana Stefane Domingos realizou o sonho de ser mãe após enfrentar cinco perdas gestacionais e duas gravidezes ectópicas. A gestação de Manuela e Melinda, concebidas por fertilização in vitro, foi marcada por hipertensão arterial e restrição de crescimento de uma das bebês. O quadro exigiu acompanhamento especializado e antecipação do parto. Nascidas prematuramente, as gêmeas precisaram de cuidados intensivos, e uma delas permaneceu internada por 67 dias.

A trajetória reforça a importância dos cuidados médicos antes e durante a gravidez, especialmente para mulheres com histórico de complicações.

Segundo a ginecologista e obstetra Caroline Matias, especialista em pré-natal de alto risco da Hapvida, a preparação deve começar, sempre que possível, antes da concepção. “O ideal é fazer uma consulta pré-concepcional antes de a paciente engravidar, para tratar e controlar as comorbidades e chegar à gestação com tudo mais ajustado”, orienta a médica.

A consulta permite identificar condições preexistentes, como hipertensão e diabetes, revisar medicamentos e, quando necessário, envolver profissionais de outras especialidades. Embora não elimine todos os riscos, o planejamento ajuda a preparar a mulher e a equipe médica para possíveis complicações.

Durante três anos, Joana realizou acompanhamento com o ginecologista e obstetra Diego Fraga, especialista em reprodução humana assistida. Nesse período, enfrentou duas gravidezes ectópicas, situação em que o embrião se desenvolve fora do útero.

Na primeira ocorrência, a gestação foi identificada na trompa esquerda e tratada com metotrexato. Na segunda, Joana engravidou naturalmente de gêmeos, mas perdeu o embrião que estava no útero. Mesmo após o beta-hCG chegar a zero, ela voltou a apresentar sintomas e descobriu que o outro embrião continuava se desenvolvendo na trompa direita.

A ruptura provocou uma emergência médica que exigiu cirurgia e a retirada da trompa. Após a perda, considerada a quinta gestacional, e a retirada das duas trompas, Joana recorreu à fertilização in vitro, realizada de forma particular. O procedimento permitiu a gravidez de Manuela e Melinda.

A confirmação da gestação, porém, marcou o início de uma nova etapa de cuidados. Joana desenvolveu hipertensão arterial antes da 20ª semana e passou a ser monitorada de perto para acompanhar a evolução clínica e o desenvolvimento das bebês.

Complicações levaram à antecipação do parto

Por volta da 19ª semana, exames identificaram restrição seletiva de crescimento de uma das meninas. A equipe médica passou a realizar ultrassonografias semanais e a preparar a família para a possibilidade de nascimento prematuro. “Não fomos surpreendidos, pois nos preparamos desde a 19ª semana, quando o ultrassom mostrou que havia chances de elas nascerem prematuras”, explica Caroline Matias.

Joana também recebeu medicação para favorecer a maturação pulmonar das bebês e foi orientada sobre a possibilidade de internação neonatal. Por volta das 30 semanas de gestação, a pressão arterial chegou a 180 por 120. Diante da piora clínica, a equipe decidiu antecipar o parto para preservar a saúde da mãe e das filhas.

Manuela e Melinda nasceram prematuras e foram encaminhadas à UTI neonatal. Manuela permaneceu internada por 67 dias, recebendo cuidados voltados ao desenvolvimento e ao ganho de peso.

Para Joana, a atuação conjunta dos profissionais e a comunicação ao longo do acompanhamento foram fundamentais para compreender as decisões médicas e enfrentar as incertezas da gravidez. “Se não fosse o trabalho em equipe de todo mundo junto, tenho certeza de que uma de nós três não estaria aqui hoje”, relata.

Pré-natal ajuda a identificar riscos

A experiência de Joana evidencia que o planejamento pré-concepcional não garante uma gestação sem complicações, mas contribui para identificar fatores de risco e organizar a assistência. Durante a gravidez, o pré-natal permite acompanhar a saúde materna e o desenvolvimento fetal, além de orientar decisões diante de alterações clínicas.

Em gestações de alto risco, a frequência das avaliações e as condutas adotadas dependem das condições de cada paciente e da evolução do quadro. A integração entre os profissionais também é importante para que possíveis complicações sejam identificadas e tratadas em tempo adequado.

Depois de anos marcados por perdas gestacionais e desafios médicos, Joana vive a maternidade ao lado das filhas. Ao recordar o período, ela destaca a preparação para cada etapa da gravidez e a segurança proporcionada pelo acompanhamento. “Nós fomos preparadas para passar por todas as etapas. Isso me deu segurança clínica e consciência ativa para lutar pela vida das minhas filhas. Hoje, eu sou a pessoa mais feliz do mundo”, completou.

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Fonte: Jornal Opção

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