Aos 75 anos, idoso supera barreira digital para contestar descontos de R$ 600 na aposentadoria em Goiás

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Por Luan Monteiro — Jornal Opção

Aos 75 anos, idoso supera barreira digital para contestar descontos de R$ 600 na aposentadoria em Goiás

Aos 75 anos, Agenor Oliveira precisou recorrer à Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) depois que descontos de empréstimos passaram a comprometer cerca de R$ 600 de sua aposentadoria. Sem reconhecer parte dos contratos e com dificuldades para acessar documentos exigidos no atendimento, ele encontrou no Serviço de Apoio ao(à) Usuário(a) (SAU) uma alternativa para superar as barreiras digitais.

Agenor mora em Senador Canedo com a esposa e recebe um benefício equivalente a um salário mínimo. Ao conferir o extrato do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), percebeu que uma parcela significativa da renda estava sendo destinada aos descontos. “Somando tudo isso sobra mil conto pra mim”, relatou. Segundo ele, o dinheiro que deixa de receber faz falta no orçamento doméstico. “R$ 600 é pouco, mas dá uma boa feira, para mim e para a mulher”, afirmou.

Antes de se aposentar, Agenor trabalhou em diferentes atividades. Foi funcionário público, entregador de telegramas e sapateiro. Durante duas décadas, também produziu e vendeu pão integral. Agora, tenta contestar os descontos que considera indevidos e regularizar a situação junto à Defensoria.

O caminho, porém, esbarrou em outra dificuldade. Parte da documentação necessária para o atendimento precisava ser obtida por meio de plataformas digitais. Agenor conta que tem pouca familiaridade com celular e serviços pela internet. “Minha leitura é pouca, o celular só sei ligar e receber ligação, e olhe lá! Aí aqui recebi ajuda”, contou.

Serviço auxilia usuários com dificuldades digitais

O Serviço de Apoio ao(à) Usuário(a) foi criado em 2024 pelo Núcleo de Defensorias Especializadas de Atendimento Inicial da Capital (NDEAIC). A iniciativa oferece atendimento presencial e remoto para pessoas que encontram dificuldades para acessar documentos, plataformas e serviços digitais necessários ao andamento de demandas na Defensoria.

Entre os serviços prestados estão a emissão de certidões, acesso à carteira de trabalho digital, obtenção de extratos bancários e consulta a sistemas do INSS e do Banco Central.

No caso de Agenor, os servidores auxiliaram na utilização do portal gov.br e na obtenção dos documentos relacionados ao benefício previdenciário. “Eu estou com praticamente 76 anos, completo agora em novembro. Então é difícil pra mim, qualquer coisa eu me irrito logo, e aí fica pior. Então foi muito bom o atendimento, tiveram paciência comigo, fui bem orientado”, afirmou.

Depois de reunir os documentos, Agenor deixou a Unidade Marista da DPE-GO com o telefone da instituição anotado em um papel. A intenção é retornar para dar continuidade ao atendimento e levar a esposa, que estava fora de Goiás. “Segunda-feira ela está chegando da Bahia e vou trazer ela aqui para me ajudar nesse negócio aí. Pelo menos pra não ficarem pegando o meu dinheiro”, disse.

Para o defensor público Tiago Bicalho, coordenador do NDEAIC, o serviço ajuda a evitar que dificuldades com tecnologia impeçam o acesso à Justiça. “O SAU é a ponte entre um mundo cada vez mais digital e as pessoas, especialmente as idosas, que não têm acesso a dispositivos digitais ou dificuldade em usá-los. O acesso à Justiça não pode depender de saber usar um celular. Quando uma pessoa chega à Defensoria, ela precisa encontrar uma porta aberta, e não mais uma barreira”, afirmou.

Serviço também ajuda a reduzir tempo de atendimento

As dificuldades com ferramentas digitais, porém, não atingem apenas pessoas idosas. A costureira Adriana Rosa Teodoro, de 51 anos, procurou a DPE-GO para dar andamento ao inventário do filho.

Ela conseguiu reunir boa parte da documentação solicitada, mas encontrou dificuldade para emitir uma certidão pelo portal Meu INSS. Sem conseguir concluir o procedimento sozinha, recorreu ao SAU e resolveu a pendência. “A gente é leiga nessa situação, né? Nada melhor do que alguém que está por dentro poder orientar e facilitar. É melhor do que não conseguir [os documentos] e ter que voltar aqui de novo, porque aí o tempo vai só se prolongando”, afirmou.

Para Adriana, o auxílio também evita deslocamentos desnecessários e agiliza o andamento dos processos. “Essas dificuldades retardam muito o resultado final, porque a gente fica correndo atrás de coisas que a gente não sabe lidar. Então, ter esse apoio, com alguém nos ensinando, lado a lado, facilita bastante”, avaliou.

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Fonte: Jornal Opção

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