Analista indiana Palki Sharma explica o sucesso da cúpula de Nova Déli e o fracasso da narrativa ocidental
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – Direto de Nova Déli, no centro de convenções Bharat Mandapam, a jornalista indiana Palki Sharma apresentou em sua transmissão de encerramento da 18ª Cúpula dos BRICS — veiculada pelo canal India Global Review — um balanço detalhado que desmonta a cobertura enviesada da grande imprensa corporativa do Norte global e analisa a maturidade política alcançada pelo bloco ampliado.
A análise de Sharma traça um contraste explícito entre as previsões pessimistas do mainstream ocidental e os resultados concretos produzidos nas mesas de negociação na capital indiana.
1. O Contraste: Previsões de Colapso vs. Consenso em 45 Páginas
Nos meses que antecederam o encontro de chefes de Estado, capitais ocidentais apostavam abertamente no travamento do fórum. Em maio, a reunião preparatória de chanceleres havia terminado sem uma declaração ministerial conjunta, alimentando o ceticismo de veículos como BBC, The Independent, The New York Times e Time Magazine.
No entanto, a diplomacia indiana entregou o que Sharma classificou como um sucesso político incontestável: uma declaração de líderes aprovada por 100% de consenso, com 45 páginas e mais de 18 mil palavras.
A jornalista detalha a distância entre as manchetes ocidentais e a dinâmica real observada no Bharat Mandapam:
- A suposta “sombra de Donald Trump”: Enquanto a BBC estampava que a figura do ex-presidente norte-americano pairava como uma ameaça sobre a cúpula, Sharma apontou que o tema simplesmente não pautou as delegações do Sul Global. Em vez de personalismos, a declaração conjunta mirou nas estruturas de poder: condenou expressamente tarifas unilaterais, medidas protecionistas fora das regras comerciais e sanções econômicas coercitivas aplicadas pelo Ocidente.
- A falsa centralidade da Ucrânia: Redações ocidentais insistiram que a guerra no leste europeu seria o estopim para rachar o bloco. A realidade do texto final desmentiu o prognóstico: em 45 páginas de documento, o conflito na Ucrânia sequer foi citado nominalmente. Os membros dos BRICS mantêm relações diplomáticas e econômicas pragmáticas com Moscou e recusaram a imposição da pauta da OTAN sobre as prioridades do Sul Global.
- A caricatura do grupo fragmentado: Artigos do The New York Times e da Time tentaram reduzir a reunião a uma disputa insolúvel entre Índia e China ou a um colegiado paralisado por divergências internas. Sharma refutou a premissa: diferentemente de fóruns verticais como o G7 ou a OTAN — em que os Estados Unidos dão a diretriz final e os parceiros acatam —, o Sul Global adota uma governança policêntrica e democrática, capaz de construir consensos entre nações soberanas sem recorrer a ultimatos, expulsões ou sanções mútuas.
2. A Força dos BRICS+: 11 Membros, 10 Parceiros e Foco em Soluções Reais
O segundo dia da conferência em Déli concentrou-se no formato ampliado BRICS+, reunindo os 11 membros de pleno direito e uma rede estratégica de 10 países parceiros (incluindo Malásia, Vietnã, Bielorrússia, Cuba, Cazaquistão e Nigéria).
Entre os principais eixos destacados por Sharma no encerramento dos trabalhos:
- O combate à instrumentalização (weaponization) do comércio: O primeiro-ministro indiano Narendra Modi alertou para os riscos do uso geopolítico das cadeias de suprimentos de semicondutores, tecnologia e minerais críticos como instrumento de coerção econômica.
- Entrega de resultados tangíveis: A cobrança explícita de Déli para que o grupo avance além dos discursos de solidariedade política e apresente soluções econômicas e operacionais concretas.
- A proposta do “Grande BRICS”: A iniciativa apresentada pelo presidente chinês Xi Jinping para criar um mercado integrado entre membros e parceiros, estimulando novos polos de inovação tecnológica e cadeias produtivas de alto valor agregado.
- Diplomacia bilateral nos bastidores: O aproveitamento da cúpula para destravar impasses regionais complexos — como o diálogo direto entre o presidente iraniano Masoud Pezeshkian e a liderança dos Emirados Árabes Unidos com o objetivo de conter a escalada bélica no Oriente Médio.
3. O Sul Global e a Construção da Nova Ordem
Para a audiência da TV 247, que acompanha atentamente o avanço da multipolaridade, a exposição de Palki Sharma sintetiza um ponto nevrálgico: os BRICS não precisam atuar como um bloco reativo ou anti-Ocidente para redefinir as regras do jogo global.
Reunindo cerca de metade da população mundial e frações decisivas da economia, do comércio e das reservas energéticas do planeta, os países emergentes avançam na arquitetura de instrumentos próprios — do financiamento de infraestrutura pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) à interoperabilidade de pagamentos digitais e moedas locais para mitigar riscos cambiais e sanções externas.
Em Nova Déli, enquanto a crônica midiática do Norte anunciava paralisia, o Sul Global consolidou mais um passo institucional em direção a uma governança internacional descentralizada e soberana.
A transmissão completa pode ser conferida no canal India Global Review.
Fonte: Brasil 247