Ana Estela Haddad: “Os evangélicos estão do nosso lado”

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Por Dafne Ashton — Brasil 247

247 – Ana Estela Haddad afirmou que o eleitorado evangélico não pode ser tratado como um bloco político homogêneo e destacou a existência de setores das igrejas que apoiam candidaturas do campo progressista e defendem a democracia. Em entrevista ao Boa Noite 247, ela relatou um encontro realizado com integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e contestou a associação automática entre a população evangélica e a direita.

“Os evangélicos, muitos estão com a gente”, afirmou Ana Estela. Segundo ela, a reunião permitiu discutir a diversidade existente dentro das diferentes denominações e a disputa em torno da representação política desse segmento religioso.

“Foi muito interessante ouvir deles e conversar com eles sobre o quanto é complexo e diverso esse campo que a gente chama de evangélicos”, disse. “A gente tem muitos e muitos evangélicos que estão no nosso campo, que lutam pela democracia.”

O encontro mencionado por Ana Estela ocorreu no sábado (19), quando Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, reuniu-se com representantes de denominações como batistas, metodistas e presbiterianos. Organizada pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, a agenda contou com cerca de 25 participantes. Na ocasião, Haddad assinou uma carta de compromissos elaborada pela entidade.

O documento contém 11 pontos e estabelece, entre outros compromissos, a defesa do Estado Democrático de Direito, da liberdade religiosa e da laicidade do Estado, além do combate à intolerância religiosa e às desigualdades. A carta também prevê que campanhas eleitorais sejam mantidas fora de templos, cultos e celebrações religiosas.

Na entrevista, Ana Estela argumentou que a atuação de grupos como a Frente revela uma realidade que costuma desaparecer quando o eleitorado evangélico é apresentado apenas por meio de suas lideranças mais identificadas com a direita. Para ela, há uma disputa política e religiosa dentro desse universo.

“Houve uma apropriação indébita do termo e da religião para finalidades políticas”, afirmou. Na avaliação de Ana Estela, determinadas posições apresentadas como representação do conjunto dos evangélicos não correspondem à diversidade existente entre fiéis, pastores, igrejas e movimentos cristãos.

A declaração encontra respaldo na própria composição da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, criada em 2016 e formada por integrantes de diferentes igrejas e posições partidárias. A organização atua publicamente em temas relacionados à democracia, aos direitos humanos, à liberdade religiosa e às políticas sociais.

Essa diversidade, porém, convive com uma dificuldade eleitoral concreta para a candidatura de Haddad. Pesquisa Datafolha citada pelo UOL mostrou Tarcísio de Freitas com 59% das intenções de voto entre evangélicos paulistas, diante de 20% de Haddad. O dado indica que a presença de movimentos evangélicos ligados ao campo progressista não significa, neste momento, apoio majoritário do segmento à candidatura petista.

É justamente essa generalização que Ana Estela procura questionar. Sua afirmação de que “os evangélicos estão do nosso lado” se refere à presença de grupos e fiéis evangélicos no campo político que apoia Haddad e Lula, e não ao conjunto do eleitorado religioso paulista.

A mobilização não está restrita à eleição estadual. No plano nacional, a Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito declarou apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula também se reuniu recentemente com integrantes do movimento e lideranças religiosas. Na ocasião, representantes da Frente defenderam o reconhecimento da pluralidade política existente dentro das igrejas.

Para Ana Estela, essa pluralidade precisa chegar ao debate público. Ela afirmou ter “um apreço muito grande pelos evangélicos” e criticou o que considera utilização da religião para objetivos eleitorais. A ex-secretária também destacou materiais produzidos pela Frente que relacionam princípios cristãos a temas sociais, entre eles a saúde.

“Eles têm um material que desenvolvem. São algumas revistas que trazem o evangélico junto com o Evangelho. Por exemplo, tem uma em que o tema foi evangélicos e saúde”, relatou.

A relação entre religião e política aparece, assim, como parte da disputa pelo eleitorado paulista na reta final da campanha. De um lado, lideranças e igrejas mantêm proximidade com candidaturas de direita. De outro, movimentos evangélicos organizados procuram demonstrar que identidade religiosa não determina automaticamente uma posição eleitoral.

Para Ana Estela, reconhecer essa divisão interna é condição para estabelecer diálogo com um segmento que reúne diferentes denominações, interpretações religiosas e posições políticas. “A gente tem muitos e muitos evangélicos que estão no nosso campo, que lutam pela democracia”, reiterou.

Fonte: Brasil 247

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