Alunos descobrem câmera no banheiro de escola cívico-militar no Paraná

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Por Julia Cardoso — Esquerda Diário

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Alunas do colégio cívico-militar Érico Veríssimo de Cambé, no norte do Paraná, descobrem câmeras instaladas nos banheiros da escola. A escola confirmou ter instalado os equipamentos. Nesse caso, se reafirma o reacionarismo da extrema-direita em que defende escolas controladas por militares e que agora invadem o ambiente mais íntimo da escola, expondo o corpo de adolescentes e crianças. Um verdadeiro absurdo.

Segundo relatos das estudantes, a escola já havia sido questionada anteriormente sobre os equipamentos que emitiam uma luz vermelha no banheiro mas declararam que se tratava de sensores de fumaça. A escola retirou os equipamentos. Algumas alunas descobriram as câmeras no banheiro feminino e outro estudante fotografou as imagens da câmera na sala de monitoramento controlada por militares. Veja o seguinte relato: “Eu me senti invadida, porque é o meu corpo que estavam vendo. Eu mesma já troquei de roupa diversas vezes no banheiro. Para a gente, é assustador porque eram homens que viam as câmeras, estavam na sala dos militares”.

Na carta aos pais, a direção da escola ainda declarou que “Também foram registrados, nesta data, atos de vandalismo, com a retirada à força das câmeras dos acessos aos banheiros. O colégio adotará as medidas administrativas cabíveis e os encaminhamentos necessários aos órgãos competentes, assegurando a apuração dos fatos e a escuta dos envolvidos”. Trata-se de um verdadeiro absurdo e que reafirma o reacionarismo da extrema-direita. Além de se defender a privatização da educação, o que acarreta uma piora do serviço oferecido à população e sobrecarga sobre os educadores, o que pode acarretar mortes, como vimos do bebê de imigrantes senegaleses em São Paulo.

Vimos, nos últimos anos, a direita encabeçar o projeto asqueroso das escolas cívico-militares, colocando membros da polícia, isto é, o órgão braço do Estado capitalista para reprimir e matar nossa juventude dentro das escolas. Isso se trata de colocarmos membros associados a polícia que deu mais de 40 tiros acertando 27 deles em jovem negros de 20 anos recentemente em São Paulo dentro das escolas. É o escárnio da sociedade posto para dar “segurança” aos nossos estudantes. Esse caso é uma mostra cabal do reacionarismo dessas escolas. Militares instalam câmeras nos banheiros, permitindo que assistam imagens dos corpos de jovens e adolescentes. E em meio a descoberta aos alunos tirarem as câmeras são chamados de vândalos. Não nos impressionaria se os alunos que o fizeram fossem perseguidos por essa direção da escola. Um absurdo tremendo que precisamos repudiar.

A escola não é quartel. Precisamos com toda força repudiar as escolas cívico-militares que são defendidas em plenos pulmões pela extrema-direita. Esse é o projeto defendido por Flávio Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, e certamente, será levado a frente por Sérgio Moro, novo governador eleito do Paraná pelo PL. É preciso uma luta independente dos alunos junto a comunidade escolar e os trabalhadores para repudiar esse caso e pôr abaixo o projeto das escolas cívico-militares que tem sido levado a frente em diferentes estados do país. A segurança dos nossos alunos jamais virá de vermes fardados.

Fonte: Esquerda Diário

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