Alta do frete pressiona mineradoras e pode sustentar preço do minério de ferro, afirma BTG

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Por Luis Mauro FilhoBrasil 247

247 – Produtores brasileiros de minério de ferro com custos mais altos podem interromper entre 30 milhões e 40 milhões de toneladas anuais de oferta caso as atuais condições de mercado persistam, estima o BTG Pactual. A análise, publicada pelo Brazil Stock Guide, associa o risco à combinação de minério abaixo de US$ 100 por tonelada, descontos de qualidade ainda elevados e forte alta do frete marítimo.

A tarifa de transporte entre Brasil e China alcançou cerca de US$ 42 por tonelada, enquanto o minério de ferro é negociado entre US$ 96 e US$ 98. Segundo o levantamento, a escalada do conflito no Irã acrescentou aproximadamente US$ 25 por tonelada aos custos de transporte em relação aos níveis de US$ 22 a US$ 23 observados no início do ano.

O encarecimento decorre principalmente da alta do combustível marítimo e da menor disponibilidade de navios. O frete passou a representar perto de 40% do preço de referência do minério, reduzindo rapidamente o netback, valor líquido recebido pelas mineradoras depois das despesas de transporte.

A pressão atinge sobretudo empresas que dependem do mercado spot de frete e comercializam minério de menor qualidade. O BTG avalia que a distância entre os custos logísticos do Brasil e da Austrália, tradicionalmente desfavorável aos produtores brasileiros, atingiu um nível extremo com o choque recente.

Os primeiros cortes de produção já ocorreram. A Usiminas suspendeu as operações da planta de Samambaia, em Minas Gerais, responsável por aproximadamente 30% a 35% de sua capacidade de mineração. A produção total da companhia é estimada em cerca de 9 milhões de toneladas por ano.

A empresa atribuiu a paralisação aos preços mais baixos do minério e ao aumento do frete marítimo. O fechamento temporário da unidade evidencia o impacto dos custos logísticos sobre a rentabilidade das operações brasileiras de maior custo.

A Itaminas também começou a ajustar sua atividade. A companhia concedeu férias coletivas a cerca de 300 trabalhadores e pretende suspender temporariamente a produção em outubro, após acumular estoques equivalentes a aproximadamente um mês de operação.

O BTG considera que os casos de Usiminas e Itaminas podem ser seguidos por novas interrupções caso o minério e o frete permaneçam nos níveis atuais. O volume potencialmente ameaçado equivale a cerca de 2% a 3% do mercado mundial de minério transportado por via marítima e superaria os embarques esperados de Simandou neste ano.

A retirada dessa oferta poderia produzir um efeito inverso sobre as cotações. Embora o cenário prejudique os produtores brasileiros menos competitivos, novas paralisações reduziriam a disponibilidade mundial de minério e poderiam sustentar os preços da commodity.

Para o banco, “algo terá de ceder”: o frete precisará recuar de forma relevante ou o minério terá de subir para manter a produção de maior custo no mercado. Se as tarifas de transporte continuarem elevadas, cortes adicionais poderiam levar a cotação para uma faixa entre US$ 105 e US$ 110 por tonelada.

Entre as companhias listadas acompanhadas pelo BTG, a Usiminas apresenta exposição particularmente elevada, como demonstra a suspensão de Samambaia. A CSN também está vulnerável por sua dependência significativa do frete spot, que amplia a sensibilidade dos netbacks e das margens da mineração às tarifas marítimas.

A Vale ocupa uma posição mais confortável devido à maior proteção contra oscilações do frete e às vantagens de escala, segundo o banco. A diferença logística aparece nas principais rotas até a China: o transporte entre Tubarão e Qingdao custa aproximadamente US$ 42 por tonelada, ante cerca de US$ 19 no trajeto australiano entre Dampier e Qingdao.

Fonte: Brasil 247

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