Aliados de Moraes querem afastar Nunes Marques de votação do caso Vorcaro

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Por Paulo EmilioBrasil 247

247 – Uma nova ofensiva está sendo preparada nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF) por integrantes do grupo aliado ao ministro Alexandre de Moraes para tentar impedir Kassio Nunes Marques de participar de julgamentos relacionados ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A articulação inclui a possibilidade de levar ao plenário da Corte uma discussão sobre a suspeição do magistrado.

Segundo a Coluna do Estadão, do jornal O Estado de São Paulo, o grupo pró-Moraes começou a “mandar recados” nos bastidores do Supremo de que, caso Nunes Marques insista em votar, ele e a própria Corte poderão ser submetidos a novos constrangimentos. A ofensiva busca afastá-lo tanto de ações sobre as relações atribuídas a Moraes com Vorcaro quanto da representação apresentada por Moraes contra André Mendonça por suposto abuso de autoridade.

Ofensiva mira suspeição de Nunes Marques

A estratégia descrita pela reportagem passa pela exposição de informações relacionadas a Nunes Marques e a seu filho, o advogado Kevin Marques, envolvendo Daniel Vorcaro. Esses dados seriam utilizados para questionar a participação do ministro nos julgamentos.

Na semana passada, Nunes Marques declarou-se impedido de votar na sessão que analisaria a abertura de investigação sobre Moraes por suas relações com Vorcaro. O ministro, entretanto, relacionou o impedimento ao risco de repercussão eleitoral, uma vez que exerce a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Interlocutores de Nunes Marques afirmam que a restrição alcança apenas causas relacionadas ao Banco Master que possam produzir impacto eleitoral. Após o segundo turno, marcado para 25 de outubro, o ministro pretende avaliar individualmente os processos e voltar a votar quando considerar que não existe impedimento.

É essa possibilidade que provocou a nova movimentação entre aliados de Moraes.

O afastamento de Nunes Marques é considerado importante pelo grupo para evitar derrotas de Moraes no plenário. Conforme a reportagem, uma ala formada por Nunes Marques, André Mendonça, Luiz Fux e Edson Fachin, somada à avaliação interna de que Cármen Lúcia também poderá apoiar o pedido de investigação contra Moraes, teria votos suficientes para formar maioria nesses julgamentos.

Mensagens do celular de Vorcaro elevam pressão

Nunes Marques passou a enfrentar maior pressão depois da divulgação de informações extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro. As mensagens mencionam tanto o ministro quanto Kevin Marques.

Entre o material divulgado está uma conversa de julho de 2025 entre Vorcaro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master.

Rennó encaminha ao banqueiro o contato de Kevin Marques e pergunta: “esse aqui _ 500 mil mês – mantém? Kkkkkkkk. Então esse aqui já era né Kkkkk”. Vorcaro respondeu com risadas.

A mensagem, isoladamente, não esclarece a natureza do valor mencionado nem comprova que Kevin Marques tenha recebido o pagamento.

O material divulgado também contém referências a supostos pagamentos a prostitutas.

Em meio à disputa, a reportagem atribuiu a um ministro da Corte a afirmação de que a intenção seria “deixar o ministro nu em praça pública”.

Nunes Marques e filho negam pagamentos

Kevin Marques nega ter prestado serviços ao Banco Master ou recebido recursos de Daniel Vorcaro.

A assessoria do advogado afirmou que ele “não prestou serviço ao Banco Master nem recebeu dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro”.

Nunes Marques também rejeitou favorecimento ao Banco Master e negou que seu filho tenha recebido dinheiro do banqueiro.

O ministro declarou que “nunca votou a favor do Banco Master, e que o filho nunca recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro”.

Impedimento pode terminar após as eleições

Na sessão do dia 15, Nunes Marques declarou seu impedimento logo no início da análise sobre a eventual investigação de Moraes e deixou o local.

De acordo com a reportagem, o ministro estava ciente da possibilidade de ser submetido a constrangimentos durante a sessão e se retirou para evitar provocações. Outros magistrados, entre eles Luiz Fux, também foram alvo de embates.

A decisão de Nunes Marques, contudo, não representa um afastamento permanente das causas relacionadas ao Banco Master.

Interlocutores do ministro sustentam que a restrição está vinculada ao período eleitoral e aos processos com potencial repercussão na disputa. Encerrado o segundo turno, ele pretende analisar sua participação caso a caso.

Nunes Marques também sinalizou que pretende continuar participando de processos relacionados ao tema na Segunda Turma do STF.

No colegiado, ele tem formado maioria em determinados casos ao lado de André Mendonça e Luiz Fux, superando a posição de Gilmar Mendes. Dias Toffoli, por sua vez, declarou-se suspeito para todas as causas relacionadas ao Banco Master.

Embate entre Moraes e Mendonça amplia tensão

A ofensiva contra Nunes Marques ocorre paralelamente a outro foco de tensão dentro do Supremo: o confronto entre Alexandre de Moraes e André Mendonça.

A sessão que analisaria o pedido de investigação contra Moraes foi suspensa no dia 15 depois que Flávio Dino apresentou pedido de vista.

Dino defendia que a representação apresentada por Moraes contra Mendonça fosse examinada conjuntamente com o pedido de investigação relacionado a Moraes. O STF, entretanto, já havia formado maioria para manter os procedimentos separados.

O julgamento envolvendo Mendonça estava previsto para esta semana, mas foi retirado da pauta pelo presidente do Supremo, Edson Fachin.

Na segunda-feira (21), Mendonça apontou o que considera ilegalidades na representação apresentada contra ele e pediu o arquivamento sumário do procedimento.

Fachin deverá retomar os temas somente depois das eleições.

Fonte: Brasil 247

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