Aliados de Flávio Bolsonaro orientam senador a resistir à pressão de Lula pela abertura de sigilos

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Por Paulo Emilio — Brasil 247

247 – Integrantes da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) defendem que o senador não aceite o desafio lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a abertura dos sigilos bancários, fiscais e telefônicos dos dois candidatos e de seus familiares. A orientação é evitar que o assunto domine os últimos dias da disputa presidencial, mesmo depois de Lula formalizar a proposta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo o jornal O Globo, aliados de Flávio Bolsonaro consideram que a iniciativa do presidente busca produzir um fato político às vésperas do segundo turno. A avaliação predominante no entorno do candidato do PL é que uma resposta mais incisiva poderia ampliar a repercussão da cobrança e favorecer a estratégia eleitoral petista.

Interlocutores da campanha recomendam que Flávio Bolsonaro não tome, neste primeiro momento, qualquer iniciativa para atender à proposta. O grupo também considera improvável que Lula efetivamente divulgue seus próprios dados e interpreta o desafio como uma tentativa de causar impacto entre os eleitores.

A recomendação, contudo, não significa que o senador tenha decidido abandonar o assunto. Integrantes da equipe admitem a possibilidade de Flávio Bolsonaro voltar a comentar a iniciativa, desde que evite prolongar a controvérsia.

Uma das alternativas discutidas é manter o tom irônico utilizado pelo candidato após o debate presidencial da Band, quando ele questionou a proposta de divulgação dos registros telefônicos de Lula, alegando que o presidente não possui celular próprio. Outra possibilidade seria explorar o momento escolhido pelo petista para apresentar o desafio, a poucos dias da votação.

Lula formaliza desafio no TSE e inclui familiares

A pressão sobre Flávio ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (20), quando Lula apresentou uma petição ao Tribunal Superior Eleitoral autorizando a divulgação de seus próprios sigilos referentes aos últimos oito anos.

O presidente, entretanto, condicionou a medida à abertura das informações do adversário, dos familiares de ambos e de empresas com as quais os envolvidos mantenham vínculos financeiros ou societários.

O desafio havia sido lançado inicialmente no domingo (18), durante o debate promovido pela Band. Na ocasião, Lula propôs que os dois candidatos tornassem públicos seus dados financeiros e os de suas famílias, argumentando que a medida permitiria aos eleitores avaliar acusações de corrupção.

“Eu vou fazer uma proposta para você para amanhã abrirmos a nossa conta bancária e o nosso sigilo bancário para que o povo brasileiro saiba quem é ladrão nesse país. Eu abro da minha família e você abre da sua”, declarou Lula durante o confronto.

A proposta foi considerada por aliados do presidente um dos momentos mais favoráveis ao petista no debate, em razão da exposição pública do desafio dirigido ao adversário.

Depois do encontro, Flávio reagiu com ironia e questionou a viabilidade da abertura dos registros telefônicos de Lula.

“Fiquei muito feliz com esse desempenho, pude falar de propostas e, obviamente, pude rebater várias mentiras que ele fazia aqui, né? E algumas até chegam a ser engraçadas, né? Ele propõe a abertura, a quebra do sigilo telefônico, quando ele não tem celular”, afirmou o senador.

Nesta terça-feira, durante um compromisso eleitoral no Maranhão, Lula voltou a cobrar a divulgação dos dados de Flávio. O presidente ampliou o alcance político da proposta ao incluir o ex-mandatário Jair Bolsonaro (PL), que está preso, e outros integrantes da família do candidato.

Campanha de Flávio tenta evitar desgaste na reta final

A decisão defendida por aliados de Flávio de não responder imediatamente à cobrança está relacionada a uma estratégia mais ampla para os últimos dias da eleição.

A equipe do senador pretende reduzir provocações e confrontos que possam desviar a atenção das propostas de governo. O objetivo é apresentar o candidato com uma postura mais equilibrada, especialmente diante dos eleitores que ainda não definiram seu voto.

Essa orientação deverá influenciar a preparação de Flávio para o próximo debate presidencial, previsto para ocorrer na TV Globo.

De acordo com O Globo, a campanha pretende ampliar o tempo dedicado à apresentação de propostas e estimular o senador a responder diretamente às perguntas feitas por Lula, em vez de concentrar suas intervenções em ataques ao presidente.

O confronto é tratado pelos estrategistas do PL como uma das últimas oportunidades de conquistar eleitores indecisos antes do segundo turno.

Nesse contexto, aliados avaliam que insistir na discussão sobre os sigilos poderia comprometer a tentativa de apresentar uma agenda de governo e manter o candidato concentrado nos temas considerados prioritários pela campanha.

Fonte: Brasil 247

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