Alcolumbre articula reeleição no Senado em meio à pressão por impeachment no STF
Por João Antonio Cunha — Brasil 247
247 – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem procurado senadores eleitos pela primeira vez e parlamentares reeleitos para reunir apoio à sua permanência no comando da Casa a partir de 2027. Segundo o jornal O Globo, o senador também tem conversado com representantes de diferentes partidos para antecipar as articulações em torno da eleição para a Presidência do Senado.
A movimentação ocorre em meio ao crescimento da oposição, especialmente do PL, que contará com 28 senadores e pretende eleger um presidente mais alinhado às suas pautas. Entre as prioridades do grupo está o avanço dos pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), tema em relação ao qual os oposicionistas criticam a postura de Alcolumbre.
Apesar da pressão, parlamentares avaliam que a capacidade de articulação do atual presidente não deve ser subestimada. Alcolumbre conquistou o comando do Senado ainda durante seu primeiro mandato, apoiou a eleição de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para sucedê-lo e, posteriormente, voltou à Presidência da Casa.
A renovação do Senado também terá peso na disputa. Das 54 cadeiras submetidas à votação neste ano, 40 serão ocupadas por novos parlamentares a partir de 2027. Dos 32 senadores que buscaram a reeleição, apenas 14 conseguiram permanecer no cargo.
Entre os novos integrantes estão Bia Kicis (PL-DF), Carol de Toni (PL-SC) e Marcel van Hattem (Novo-RS), que chegam à Casa após passagens pela Câmara dos Deputados. Ligados à oposição, eles devem engrossar o grupo que cobra uma atuação mais incisiva contra ministros do Supremo.
Alcolumbre busca apoio no centro e na esquerda
De acordo com a apuração, os contatos do presidente do Senado têm priorizado parlamentares do centro e da esquerda. Interlocutores avaliam que há poucas chances de atrair senadores identificados com o bolsonarismo, que defendem a substituição de Alcolumbre por um nome mais comprometido com a pauta de impeachment.
Embora a tradição de reeleição favoreça quem já ocupa a Presidência da Casa, aliados reconhecem que a chegada de novos parlamentares e o fortalecimento da oposição podem dificultar a permanência do senador. Uma possível vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial, por outro lado, poderia ampliar suas chances, com o apoio do PT e de partidos da base governista.
Oposição mira presidência do Senado para avançar contra o STF
A possibilidade de abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo está no centro da disputa. Cabe ao presidente do Senado decidir se dá prosseguimento às denúncias, o que torna a escolha do próximo comandante da Casa estratégica para os parlamentares favoráveis ao afastamento de integrantes da Corte.
Um dos nomes cotados é o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Ele já manifestou interesse em assumir a Presidência do Senado e é visto por integrantes da oposição como um parlamentar disposto a dar andamento aos pedidos de impeachment. Outra possível candidata é Tereza Cristina (PP-MS), que também demonstrou interesse no cargo e tem trabalhado para fortalecer sua candidatura nas articulações políticas.
O resultado da eleição presidencial poderá interferir nas negociações para o comando do Senado. Segundo aliados, Alcolumbre já sinalizou a interlocutores que não pretende dar andamento, ainda neste ano, aos pedidos de impeachment contra ministros do STF, mesmo se Flávio Bolsonaro vencer o segundo turno. A posição contraria setores da oposição que defendem o avanço dessas iniciativas antes do início da próxima legislatura.
Fonte: Brasil 247