Alckmin mira classe média e eleitores de centro para virada no segundo turno
Por José Reinaldo — Brasil 247
247 – O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu ampliar o diálogo com a classe média, os eleitores independentes e o centro político para conquistar votos para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno. Em ato realizado no sábado (10), em São Paulo, afirmou que a campanha deve apresentar os prejuízos que uma mudança de governo pode trazer à população. As informações são do jornal O Globo.
Segundo a reportagem, Alckmin classificou a vitória como “perfeitamente possível” e comparou a diferença de 2,2 milhões de votos entre os candidatos no primeiro turno com os 33 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. A declaração ocorreu em uma manifestação da organização Judeus pela Democracia em apoio à chapa governista.
“Em política não se obriga, se conquista. Nós temos que falar com os independentes, com o centro, com a classe média e convencer o pessoal, mostrando os prejuízos que podem ter. A população quer mudança, mas não pode ser mudança para pior, para piorar a vida da população”, afirmou o vice-presidente.
A participação no evento integra uma atuação mais intensa de Alckmin na campanha. O objetivo é aproximar a candidatura de Lula de eleitores que têm ressalvas ao presidente, mas também desconfiam de um eventual governo do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Para estimular a mobilização dos apoiadores, Alckmin recuperou a experiência da eleição paulista de 1994, quando disputou como vice de Mário Covas (PSDB). Segundo seu relato, a chapa iniciou o segundo turno dez pontos atrás e conseguiu reverter a desvantagem a quatro dias da votação.
Ajuste fiscal e proteção à renda
Na discussão econômica, o vice-presidente reconheceu a necessidade de ajuste fiscal, mas defendeu que a redução de despesas alcance os supersalários e preserve a população de menor renda.
Alckmin afirmou que 70% dos aposentados e pensionistas brasileiros recebem apenas um salário mínimo, de R$ 1.621, e criticou propostas de redução de benefícios. A abordagem associou o debate sobre as contas públicas à proteção dos rendimentos de quem depende desses pagamentos.
Ao conversar com jornalistas depois do ato, disse que “governar é escolher” e comparou decisões tributárias das gestões de Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro. Citou a redução de impostos sobre armas de fogo e jet skis no governo anterior e destacou a medida voltada aos trabalhadores na atual administração.
“Nós tiramos imposto pro assalariado que ganha até R$ 5 mil”, declarou.
Tebet e Marina defendem apoio à chapa
As ex-ministras Simone Tebet (PSB), do Planejamento, e Marina Silva, do Meio Ambiente, também participaram da manifestação. Ambas foram derrotadas na disputa pelo Senado em São Paulo e passaram a atuar na mobilização pela reeleição de Lula.
Tebet relacionou seu apoio à chapa à defesa das instituições democráticas. Em seu discurso, citou a divulgação, em um grupo de WhatsApp do PL, de uma imagem de Flávio Bolsonaro inspirada na representação do ditador fascista italiano Benito Mussolini.
“Nós estamos com Lula e com Alckmin porque sem eles nós não temos mais democracia. E nós sabemos, vocês mais do que nós, o que significa não ter democracia”, afirmou.
A ex-ministra também acusou adversários de banalizar a desinformação e de comprometer o debate público. Ao mencionar a imagem compartilhada no grupo, declarou: “Hoje num grupo de WhatsApp do PL do partido do candidato Flávio postaram uma foto de Flávio Bolsonaro estilizado na figura de Mussolini. É disso que nós estamos tratando nessa luta”.
Marina, por sua vez, defendeu que a decisão eleitoral seja orientada por projetos, valores e compromissos com temas como sustentabilidade, direitos das mulheres e governabilidade democrática.
“Nós não estamos escolhendo quem é o nosso melhor amigo. Nós estamos escolhendo quem é o melhor para nos governar. Nós temos que aprender a desfulanizar as coisas. Esse é o país da fulanização”, disse.
Mobilização de grupos religiosos
O ato ocorreu na Casa do Povo, centro cultural fundado em 1946 no bairro do Bom Retiro, na capital paulista, com tradição de acolher iniciativas de judeus progressistas. A Frente Evangélica pelo Estado de Direito e a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos Dom Paulo Evaristo Arns também participaram.
A organização Judeus pela Democracia já havia divulgado, em agosto, um manifesto favorável à candidatura de Lula. A mobilização de sábado buscou reforçar esse apoio e se contrapor à adesão de integrantes da comunidade judaica à campanha de Flávio Bolsonaro.
Uma das líderes do movimento, a professora da Universidade de São Paulo (USP) Raquel Rolnik criticou o uso de símbolos judaicos para sustentar posições autoritárias.
“A identidade judaica está sendo instrumentalizada pela extrema direita e usada como um motivo para ataques ao governo Lula”, afirmou.
Rolnik também mencionou a elaboração de uma lista de judeus para boicotar profissionais e negócios durante o governo Bolsonaro, episódio que apresentou como exemplo de práticas antissemitas em contraste com o discurso de defesa da comunidade.
A aproximação com segmentos religiosos ocupa espaço na agenda de Alckmin. Na quinta-feira (8), ele participou de uma transmissão da plenária “Povo de Deus com a Democracia”. Para segunda-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida, está prevista uma visita à basílica dedicada à padroeira, em Aparecida, no interior paulista.
Flávio Bolsonaro e a relação com Israel
O encontro em São Paulo ocorreu dois dias depois de uma conversa por telefone entre Flávio Bolsonaro e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. O dirigente israelense parabenizou o candidato pelo resultado no primeiro turno e o convidou a visitar o país para “renovar a profunda amizade” entre Brasil e Israel.
De acordo com O Globo, o médico Claudio Lottenberg, presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), era, até a publicação da reportagem, o único nome anunciado por Flávio para integrar um eventual governo. Ele foi indicado para assumir o Ministério da Saúde.
Lula mantém uma relação de tensão com Netanyahu em razão das críticas à ofensiva militar israelense na Faixa de Gaza, que o presidente brasileiro classificou como “genocídio”. Em outubro de 2025, Lula afirmou que as divergências do Brasil eram com o primeiro-ministro, e não com Israel.
Fonte: Brasil 247