Alckmin: classificar facções como terroristas “não vai resolver o problema”

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Por Luis Mauro Filho — Brasil 247

247 – O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta quarta-feira (14) que a classificação de facções criminosas como organizações terroristas não seria suficiente para combater o crime organizado no Brasil. Ele defendeu o fortalecimento das investigações, a prisão de integrantes dessas organizações e a adoção de medidas mais rigorosas contra a impunidade.

Em entrevista à Rádio Tupi, repercutida pela CNN Brasil, Alckmin disse não se opor ao enquadramento de grupos criminosos como organizações terroristas, mas ressaltou que a mudança de classificação, isoladamente, não produziria os resultados necessários na segurança pública.

“Não tem nenhum problema ser colocada como organização terrorista, acontece que isso só não vai resolver o problema. O que precisa é investigar o crime organizado e por em segurança máxima. A impunidade estimula o crime, é preciso prender, prender, prender, que tira o cidadão da rua e desestimula. O que tem que prender mesmo é o crime organizado”, declarou.

O vice-presidente também afastou a possibilidade de os Estados Unidos realizarem operações diretamente em território brasileiro contra organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Na avaliação de Alckmin, o enfrentamento dessas organizações exige maior articulação entre autoridades brasileiras e governos de países vizinhos, especialmente para investigar as rotas internacionais de tráfico de drogas e a atuação de redes criminosas que ultrapassam as fronteiras nacionais.

“Não acredito [na possibilidade de operações americanas no Brasil contra o crime organizado].O que precisamos fazer é integrar forças, fazer um entendimento com os países vizinhos para fazer uma força-tarfa de todos. A cocaína, por exemplo, não é produzida aqui, vem de fora, é preciso investigar isso também”, afirmou.

Alckmin defende PEC da Segurança Pública

O vice-presidente também manifestou apoio à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, aprovada nesta quarta-feira pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Segundo Alckmin, a proposta pode aprimorar o enfrentamento das organizações criminosas ao modificar a estrutura da segurança pública brasileira e ampliar a participação dos municípios nas ações de prevenção e repressão à criminalidade.

Ele também apontou a criação de um ministério federal voltado à área como uma iniciativa capaz de contribuir para a coordenação das políticas de segurança.

“A PEC aprovada hoje na CCJ muda a organização da segurança pública no país. O projeto aumenta o combate e eleva as punições para membros do crime organizado”, declarou.

Vice-presidente apoia redução da maioridade penal para crimes graves

Alckmin também se posicionou favoravelmente à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes graves, como homicídio e latrocínio.

A proposta é defendida pelo senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), além de outros representantes da direita.

Ao comentar o assunto, o vice-presidente afirmou que a responsabilização penal mais rigorosa deve ser acompanhada de políticas voltadas à educação e à criação de oportunidades para os jovens.

“Para crimes graves, eu sou totalmente favorável [da redução]. Mas nós precisamos trabalhar para melhorar a educação da população, dar oportunidade ao jovem e agir com rigor para quem descumpre a lei”, afirmou.

Alckmin sustentou, assim, que o combate à criminalidade deve combinar punição aos responsáveis por delitos, fortalecimento das instituições de segurança e iniciativas sociais voltadas à prevenção da violência.

Fonte: Brasil 247

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