Álbum celebra a obra de João Donato com duas músicas inéditas

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Por Augusto Diniz — Carta Capital

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Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

O registro reúne interpretes e instrumentistas de peso em uma produção caprichada

A obra inconfundível de João Donato é celebrada à altura no álbum Viva Donato (Selo Sesc). O tributo reúne intérpretes e instrumentistas de peso, reafirmando a importância do pianista, compositor, arranjador e cantor para a história da música brasileira.

O repertório passeia por grandes clássicos de Donato e presenteia o público com duas faixas inéditas. O disco abre as portas com A Paz, interpretada pelo parceiro de longa data Gilberto Gil ao lado de Mônica Salmaso.

Em Nua Ideia (parceria de Caetano Veloso com Donato), quem empresta a voz é Bebel Gilberto. O cantor Silva brilha na inédita Aquela Delícia Singela, composta por Joyce Moreno e Donato.

A viagem sonora prossegue com Roberta Sá interpretando Flor de Maracujá; Joyce Moreno em Até Quem Sabe; e Djavan dando o tom em Falta de Ar — todas elas frutos da inesquecível parceria de João Donato com o irmão Lysias Ênio.

O lirismo de Cadê Jodel? (Marcos Valle e Donato) ganha uma leitura delicada na voz de mãe e filha: Dora Morelenbaum e Paula Morelenbaum. O próprio Marcos Valle entra em cena na inédita Vamos Combinar, parceria com Donato que conta com a participação de Patrícia Alvi.

O disco segue recheado de encontros memoráveis: Ivan Lins interpreta E Vamos Lá (Joyce Moreno e Donato); o pianista Antônio Adolfo assume Simples Carinho, única faixa estritamente instrumental do álbum (composta originalmente por Donato com letra de Abel Silva e consagrada por Angela Ro Ro); Fafá de Belém canta De um Jeito Diferente (mais uma com Lysias Ênio); e o clássico A Rã ganha a voz de João Bosco. O toque de herança e afeto vem com Donatinho, filho de João Donato, interpretando Lua Dourada (Fausto Nilo e Donato).

A festa continua com Margareth Menezes em Emoriô (Gil e Donato), enquanto o encerramento fica por conta da contagiante Nasci para Bailar (Paulo André Barata e Donato), na voz de Fernanda Abreu.

Mais do que uma coletânea de regravações, Viva Donato reforça a sofisticação harmônica e rítmica da obra do homenageado ao contar com arranjadores e instrumentistas do primeiro escalão da MPB , incluindo Dori Caymmi (violão), Itamar Assiere (piano e teclados), Jaques Morelenbaum (violoncelo), Jorge Helder (contrabaixo), Jurim Moreira (bateria), Kainã do Jejê (percussão), Kassin (baixo e complementos), Kiko Horta (acordeon), Luiz Alves (contrabaixo), Marcelo Martins (flauta e saxofone), Marlon Sette (trombone), Ricardo Silveira (guitarra), Robertinho Silva (percussão) e Tuto Ferraz (bateria e percussão).

Um disco primoroso, feito para ouvir e aplaudir de novo e de novo.


Augusto Diniz

Jornalista há 25 anos, com passagem em diversas editorias. Foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Fonte: Carta Capital

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