Ala de Moraes vê Mendonça isolado após julgamento no STF
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A decisão do ministro Kassio Nunes Marques de se declarar impedido no julgamento sobre a possibilidade de investigação contra Alexandre de Moraes foi interpretada por integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) como um revés para André Mendonça e para a articulação em torno do caso Banco Master.
Segundo informações da coluna de Bela Megale, em O Globo, Moraes e ministros próximos a ele deixaram a sessão extraordinária de terça-feira (15) com a avaliação de que Mendonça saiu politicamente enfraquecido no tribunal, apesar de contar com apoios internos relevantes.
Na leitura da ala ligada a Moraes, Mendonça pretendia usar o julgamento para se fortalecer dentro da Corte. O resultado, porém, teria produzido o efeito oposto. O ponto central foi o impedimento de Kassio Nunes Marques, anunciado após a revelação de mensagens que indicariam vínculo entre seu filho, Kevin Marques, e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Integrantes do STF afirmam que Mendonça contava com o voto de Kassio para abrir investigação contra Moraes em desdobramento do escândalo envolvendo o Banco Master. Sem esse voto, a avaliação de aliados de Moraes é que ficou mais evidente o isolamento de Mendonça no plenário.
Embora Mendonça tenha recebido apoio do presidente do STF, Edson Fachin, de Luiz Fux e de Cármen Lúcia, interlocutores de Moraes afirmam que nenhum deles fez uma defesa enfática da atuação do relator no caso. Para esse grupo, o julgamento expôs uma divisão interna, mas não deu a Mendonça a força que ele esperava.
O embate ganhou contornos mais duros com a manifestação do decano Gilmar Mendes. Para a ala de Moraes, Gilmar expôs o que chamou de caráter político da atuação de Mendonça, ao sustentar que o ministro teria favorecido o grupo político de Flávio Bolsonaro.
Gilmar também acusou Mendonça de investigar um colega de Corte sem autorização e de divulgar mensagens sob sigilo para pressionar ministros a apoiar a abertura de investigação contra Moraes.
Nesta quinta-feira (17), Gilmar Mendes voltou ao tema nas redes sociais e afirmou que Mendonça teria motivações “político-eleitorais” ao divulgar informações envolvendo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no escândalo do Banco Master.
Mendonça reagiu em comunicado divulgado por seu gabinete. No texto, negou ter ameaçado ministros ou usado o caso para constranger julgadores.
“O relator jamais ameaçou quem quer que seja de execração pública, nem se valeu de linguajar impróprio para que alguém se retirasse de julgamento. Tampouco transformou o plenário num palanque ou picadeiro, vociferando aos berros, para tentar mascarar com truculência ilações vazias e que carecem de qualquer fundamento jurídico minimamente aceitável. A divergência é legítima e própria de um tribunal colegiado. Ilegítima é a tentativa de constranger o julgador”, afirmou Mendonça.
Fonte: Brasil 247