Academias desafiam juros e concorrência: como 62% do setor driblou o cenário conturbado e aumentou as margens de lucro?
Por Giovanna Figueredo — Seu Dinheiro

O setor de academias enfrenta, assim como todo o empresariado, um cenário econômico difícil: taxa de juros alta que dificulta o acesso ao crédito, custos operacionais elevados e dificuldade de atrair e reter profissionais qualificados, por exemplo. No caso fitness, também há o fator de concorrência excessiva.
Porém, o Relatório do Mercado Fitness 2026, pesquisa divulgada pelo Wellhub, mostra que as academias estão conseguindo se sobressair mesmo em um ambiente adverso.
O levantamento aponta diferentes fatores para isso, como a diversificação das fontes de receita por parte das redes e o uso de tecnologia.
Segundo o estudo, nos últimos 12 meses, 90% dos donos de academias e estúdios no Brasil aumentaram o número de alunos. Outros 62% também relataram o aumento das margens de lucro no período.
Mas esses avanços não foram tão fáceis. Cerca de 98% dos empresários do setor dizem que a concorrência ficou mais intensa nos últimos três anos e 97% afirmam que o custo para conquistar novos clientes aumentou.
Cabe ressaltar que existem mais de 60 mil CNPJs ativos de academias no país. Seguindo o ritmo de aberturas atual, o Brasil pode ultrapassar 70 mil estabelecimentos já no próximo ano.
Crescer ficou mais caro
Apesar do otimismo no mercado sobre a abertura de academias e os dados de crescimento da base de clientes, a rotina de quem administra uma academia no Brasil exige equilibrar os pratos.
A pesquisa mostra que 97% dos proprietários de academias brasileiros perceberam uma alta no custo para conquistar novos clientes nos últimos 12 meses, enquanto 69% afirmam que a operação do negócio ficou significativamente menos previsível no período.
Além disso, 72% dizem já ter se preocupado com a sustentabilidade financeira da empresa pelo menos uma vez ao longo do último ano.
“O aumento dos custos é real. Se não gerenciadas de forma eficaz, essas pressões se convertem diretamente em margens mais apertadas, decisões mais difíceis de precificação e contratação, e menos tolerância para ineficiências”, destaca o estudo.
Outra dificuldade está na captação de alunos. Só 3% das academias brasileiras contam com equipes ou agências de publicidade dedicadas de marketing, segundo a pesquisa. Na prática, os próprios donos acabam assumindo essa função.
Em relação às dificuldades financeiras, há uma distinção de acordo com o tipo da empresa.
A pesquisa mostra que as academias independentes estão em uma posição mais saudável em termos de receita: 44% afirmam que a receita cresce mais rápido do que os custos, contra 22% das redes nacionais e regionais.
Além disso, um percentual maior de proprietários de estabelecimentos independentes afirma que teve um aumento na margem de lucro em comparação aos que pertencem às redes.
Outro comparativo entre as redes e as independentes é no ritmo de expansão. Setenta por cento das redes planejam abrir novas unidades nos próximos 12 meses, mais do que o dobro da taxa entre as independentes, que é de 33%.
“Essas diferenças refletem a diferença estrutural entre os dois grupos: as redes têm a infraestrutura de capital e os sistemas operacionais para crescer mais rápido, enquanto as empresas independentes tendem a focar na otimização do negócio que já têm”, diz o estudo.
Quais são as estratégias das academias
De acordo com a pesquisa, as academias tiveram que se adaptar para continuar crescendo em um cenário difícil. A principal estratégia tem sido deixar de depender só das mensalidades e ampliar as fontes de receita.
Nos últimos dois anos, 92% dos operadores brasileiros reforçaram a oferta de personal trainers, enquanto 80% passaram a oferecer orientação nutricional. Outros 62% investiram na venda de suplementos e produtos ligados ao universo fitness.
Segundo os empresários do setor, essa expansão dos serviços acompanha uma mudança no comportamento do consumidor: 84% acreditam que os alunos estão mais sensíveis a preços, mas não necessariamente procuram mensalidades mais baratas.
Os empreendedores dizem que os alunos buscam maior flexibilidade nos contratos, como assinaturas de curto prazo, e querem mais valor pelo dinheiro gasto.
No caso das academias de musculação, por exemplo, só os aparelhos já não parecem mais bastar. Agora, é necessário incluir acompanhamento profissional, ferramentas digitais, outras modalidades de exercício no mesmo espaço e iniciativas de bem-estar.
Não é à toa que 80% reconhecem que, para crescer nos próximos 12 meses e manter a relevância no mercado, é essencial adicionar formatos novos ou em alta, como recuperação, pilates ou fitness racing.
Academias também apostam em tecnologia
Outra frente de investimento tem sido a tecnologia. Com a aquisição de clientes cada vez mais cara, academias e estúdios passaram a buscar ferramentas para automatizar processos pensando em uma melhora na eficiência operacional.
Segundo o estudo, 59% dos empreendedores fitness brasileiros investiram em novas tecnologias, como sistemas de gestão, CRM, automação e ferramentas de inteligência artificial, nos últimos 12 meses.
Além disso, 62% acreditam que a IA será essencial para competir pela atenção dos consumidores no próximo ano.
Os principais usos têm sido a produção de conteúdo para redes sociais, atendimento e ações de marketing.
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Fonte: Seu Dinheiro