Abstenção chega a 62,69% no exterior, onde Lula supera Flávio Bolsonaro

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Por otero — Fundação Perseu Abramo

A abstenção entre os eleitores brasileiros no exterior chegou a 62,69% no primeiro turno das eleições de 2026, com 574.345 pessoas que deixaram de votar. Nas 1.351 seções fora do país, apenas 341.766 eleitores compareceram às urnas, o equivalente a 37,31% do total.

Entre os que votaram, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL). Pelos dados do Tribunal Superior Eleitoral compilados por país, Lula somou 157.387 votos, contra 143.900 de Flávio, uma vantagem de 13.487 votos.

Foram contabilizados 330.882 votos válidos, além de 5.816 votos em branco e 5.068 nulos. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), responsável pela votação no exterior, a abstenção aumentou 6,45 pontos percentuais em relação a 2022, quando havia sido de 56,24%.

No Brasil, maior abstenção desde 1998

A baixa participação não ficou restrita aos brasileiros no exterior. Segundo o TSE, cerca de 33,4 milhões de pessoas deixaram de votar no primeiro turno realizado no domingo (4), o equivalente a 21,08% do eleitorado, acima dos 20,9% registrados em 2022.

Dos 158,7 milhões de eleitores aptos, mais de 125 milhões compareceram às urnas. De cada dez brasileiros, dois deixaram de votar. Em primeiros turnos de eleições gerais, o índice só é menor que o de 1998, quando 21,49% não votaram.

Entre os que foram às urnas, 2,3 milhões votaram em branco para presidente e cerca de 3,7 milhões anularam o voto presidencial. Os percentuais foram de 1,84% e 2,93%, respectivamente, sobre o total de votos depositados. Quem faltou ainda pode votar no segundo turno, desde que esteja com o título regular.

Europa sustenta a vantagem de Lula

Portugal foi o país que mais deu votos a Lula: 26.401, contra 19.412 de Flávio, uma diferença de 6.989 votos. Na Alemanha, o petista venceu por 13.525 a 3.532; na França, por 8.769 a 1.758; no Reino Unido, por 8.640 a 5.366; na Itália, por 6.148 a 4.386; na Espanha, por 7.263 a 3.338; e na Irlanda, por 6.025 a 1.559.

Também houve vantagem nos Países Baixos (4.624 a 1.081) e na Suíça (5.194 a 4.525). Fora da Europa, Lula venceu no Canadá (12.508 a 7.043) e na Austrália (4.562 a 2.579).

Estados Unidos e Japão dão vantagem a Flávio

O melhor desempenho absoluto de Flávio Bolsonaro veio dos Estados Unidos, onde o candidato do PL obteve 45.004 votos, quase o dobro dos 23.335 de Lula, uma diferença de 21.669 votos. No Japão, a distância foi proporcionalmente ainda maior: 24.601 a 5.234, uma vantagem de 19.367 votos.

América do Sul dividida e vitórias por poucos votos

Na América do Sul, Lula venceu na Argentina (3.747 a 1.681) e no Uruguai (797 a 701), enquanto Flávio teve maioria no Paraguai (3.848 a 546), na Bolívia (1.387 a 349) e no Peru (380 a 248).

Em outros países, a disputa foi decidida por poucos votos: no México, Flávio venceu por quatro (589 a 585); no Vietnã, por um (14 a 13). Na Índia, o placar se inverteu, com 29 a 27 para Lula, e na Venezuela o petista levou por três votos (128 a 125). Em Guiné-Bissau, houve empate, 17 a 17.

Entre os resultados mais desiguais para ambos, aparecem a Palestina, onde Lula fez 1.078 votos contra 46 de Flávio, e Israel, onde o candidato do PL venceu por 523 a 92.

Fonte: Fundação Perseu Abramo

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