Aarhus ligou 6 bombas de calor que puxam até 1,2 milhão de litros de água do mar por hora para aquecer 1.900 casa: e prepara mais 8 para substituir pellets de madeira
Por Joaquim Luppi Fernandes — Catraca Livre
A busca por alternativas sustentáveis impulsiona cidades litorâneas a transformar recursos naturais em conforto térmico. Na Dinamarca, uma estrutura moderna instalada na costa utiliza água marinha gelada para garantir aquecimento seguro, reduzindo custos ambientais e fortalecendo a eficiência energética coletiva.
Como funciona o complexo térmico em Aarhus?
A concessionária pública Kredsløb ativou seis bombas potentes no edifício Maskinrummet, situado no porto de Aarhus Ø. O sistema capta até um milhão e duzentos mil litros de água por hora da baía local para abastecer quase duas mil residências.
Essa usina compacta eleva a temperatura do fluido até cerca de setenta graus Celsius antes da distribuição subterrânea. A solução dinamarquesa entrega energia contínua aos bairros conectados, comprovando que áreas portuárias densas podem operar com sustentabilidade e elevado desempenho operacional.
De que maneira a água marinha produz calor?
O mecanismo opera de modo semelhante a um refrigerador invertido durante todas as estações. O fluido refrigerante evapora com a baixa temperatura marinha e passa por compressores elétricos que geram calor intenso, transferindo a carga térmica obtida para a rede urbana.
Mesmo durante os invernos rigorosos a captação ocorre no fundo das bacias, onde a água permanece líquida e estável. Após a transferência energética, o volume marinho retorna ao porto alguns graus mais frio, mantendo o circuito em pleno equilíbrio ecológico.
Abaixo está o registro divulgado pelo canal TV2 ØSTJYLLAND no YouTube sobre essa estrutura:
https://www.youtube.com/watch?v=G8ElxH7SwgM
Por que a cidade quer substituir a queima de biomassa?
A administração local estabeleceu a meta de eliminar a queima de pellets importados para aquecer as moradias urbanas. A substituição gradual desse combustível sólido diminui emissões atmosféricas e protege a economia municipal contra oscilações de mercado, priorizando fontes locais de eletricidade renovável.
O plano municipal prevê o aproveitamento exclusivo de resíduos regionais como palha e sobras florestais enquanto as bombas expandem o atendimento. Essa abordagem integrada garante estabilidade financeira para os consumidores e impulsiona a descarbonização definitiva da infraestrutura pública de calefação distrital.
Quais são as vantagens dessa tecnologia costeira?
Os equipamentos marítimos entregam eficiência notável, produzindo até três vezes e meia mais calor do que a energia consumida pelos compressores. Além do ganho térmico invernal, o sistema disponibiliza resfriamento predial no verão, reaproveitando o excedente para aquecer a população com grande economia.
A flexibilidade de acionamento permite operar as máquinas nos momentos em que o preço da eletricidade atinge patamares favoráveis na rede. Essa gestão inteligente assegura confiabilidade no fornecimento residencial, consolidando uma matriz moderna baseada em tecnologia limpa e segurança energética duradoura.
As principais características dessa operação urbana reúnem pontos fundamentais:
- Alta taxa de conversão que gera três vezes e meia mais calor do que a eletricidade consumida.
- Capacidade de fornecer refrigeração distrital durante o período de verão.
- Aproveitamento constante da água do fundo da baía mesmo em invernos rigorosos.
Quais são as metas de expansão para o futuro?
A concessionária Kredsløb planeja adicionar oito unidades complementares a partir de 2028 na antiga usina de Aarhusværket. Com quatorze equipamentos em atividade até 2030, a capacidade total atenderá cerca de cinco mil lares com água aquecida por meio de investimento estratégico planejado.
O programa amplo de transição urbana prevê um custo aproximado de quase três bilhões de coroas dinamarquesas. A concessionária projeta manter as tarifas estáveis para os moradores locais, transformando o setor térmico sem impor custos adicionais ao consumidor atendido pelo município.
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Fonte: Catraca Livre