A sentença de Sérgio Moro na primeira condenação de Lula na Lava Jato se baseou em depoimentos, mensagens, rasuras em documentos e visitas
Por Maurício de Araújo Lima — Brasil 247
A condenação de Lula em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região ocorreu no julgamento realizado em 24 de janeiro de 2018. A 8ª Turma do TRF-4 analisou o recurso contra a sentença proferida pelo então juiz federal Sérgio Moro na primeira instância.
E por decisão unânime manteve a condenação, sendo que o relator afirmou que havia provas contundentes. Provas baseadas em depoimento de delator, mensagens de executivos, rasuras em documentos e visitas de Marisa e Lula ao apartamento. Nenhuma prova concreta para uma condenação e, menos ainda, para o aumento da pena que havia sido estipulada pelo então juiz Sérgio Moro.
A defesa ainda argumentou com a ausência de provas de propriedade do imóvel, alegando falta de ato de ofício específico e apontando parcialidade no processo conduzido por Moro. A condenação pela Lei da Ficha Limpa impediu a participação de Lula na eleição presidencial de 2018.
Em 7 abril de 2018 o mandado de prisão foi cumprido e Lula foi preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba. Na madrugada do dia 5, o Supremo Tribunal Federal havia rejeitado, por 6 votos a 5, um pedido de habeas corpus preventivo impetrado pela defesa para evitar a prisão de Lula.
E naquele dia, em cima de um carro de som ele disse:
“Se dependesse de mim, eu não iria. Mas eu vou porque, se eu não for, amanhã eles vão dizer que eu sou um fugitivo, que eu estou me escondendo. Não! Eu não estou me escondendo. Eu vou lá na barba deles para eles saberem que eu não tenho medo, que eu não vou correr e para eles saberem que eu vou provar a minha inocência.”
“Eu vou atender ao mandado deles. E vou atender porque eu quero fazer a transferência de responsabilidade. Eles acham que tudo o que acontece neste país acontece por minha causa.”
“Não adianta tentar me parar. Eu não sou mais um ser humano, eu sou uma ideia. Uma ideia misturada com a ideia de vocês. Os meus traidores vão saber que vocês vão ser embaixadores da minha ideia. Todos vocês, de agora em diante, vão virar Lula e vão andar por este país fazendo o que têm que fazer todo santo dia.”
“Os poderosos podem matar uma, duas ou três rosas, mas jamais poderão deter a chegada da primavera. E a nossa luta é em busca da primavera.”
“Eu sou um cidadão indignado, porque eu já fiz muita coisa com meus 72 anos. Mas eu não os perdoo por ter passado para a sociedade a ideia de que eu sou um ladrão. Deram a primazia dos bandidos chamarem a gente de petralha. Nenhum deles tem a coragem ou dorme com a consciência tranquila da honestidade e da inocência com que eu durmo.”
“Eu não sou contra a Lava Jato. A Lava Jato, se pegar bandido, tem que pegar bandido mesmo que roubou e prender. Todos nós queremos isso. A vida inteira dizíamos: ‘A Justiça só prende pobre, não prende rico’. E eu quero que continue prendendo rico. O problema é que você não pode fazer julgamento pela imprensa.”
“Não é fácil o que sofre a minha família. Não é fácil o que sofrem meus filhos. Não é fácil o que sofreu a Marisa. E eu quero dizer que a antecipação da morte da Marisa foi a safadeza e a sacanagem que a imprensa e o Ministério Público fizeram contra ela.”
“Minha mãe fez um pescoço curto para não olhar para baixo, e ele não vai olhar para baixo porque eu vou sair de cabeça erguida e com o peito aberto, porque vou provar minha inocência. Muito obrigado, companheiros!”
E provou companheiro. Muito obrigado a você!
Amanhã a trama de Fachin.
Fonte: Brasil 247