“A língua portuguesa vale para nós termos um papel no mundo e sermos uma nação”, diz Maria Ângela Carrascalão, embaixadora do Timor-Leste
Por Leonardo Sobreira — Brasil 247
247 – A embaixadora de Timor-Leste no Brasil, Maria Ângela Carrascalão, participou, na quarta-feira (7), do Fórum das Agências de Promoção do Comércio e do Investimento da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). Promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Atração de Investimentos (ApexBrasil), o encontro integrou as celebrações pelos 30 anos da comunidade e abriu espaço para debates sobre formas de ampliar a integração entre os países lusófonos.
Em seu discurso, a embaixadora timorense destacou o papel da CPLP no processo de construção da jovem nação, ressaltou a língua portuguesa como elemento de coesão nacional e de projeção internacional e apontou o país como uma porta de entrada para a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).
Timor-Leste é um país muito novo, um país que está em construção, não só na base da língua, como também do ensino, da defesa e da justiça. Portanto, em termos da CPLP é evidente sua importância em Timor-Leste, que se pauta especialmente pela construção do Estado timorense.
O que importa dizer é que nós não devemos ficar apenas pela língua. Nós sabemos que a língua une, nós estamos nos quatro continentes, de Portugal, da Europa, até Timor-Leste, que fica lá tão longe, quando eu digo, bom dia, eles dizem, boa noite, são doze horas de diferença, são dois dias de viagem, o que às vezes torna um bocadinho difíceis as comunicações.
Isso não obsta a que as relações entre a CPLP e Timor-Leste sejam muito válidas e valiosas, particularmente porque nós somos um país pequeno, mas nem por isso não somos menos soberanos.
A nossa soberania, conta-se também pela luta que teve o povo timorense para se tornar independente. Também importa dizer que nós somos uma nação por falarmos português. Timor-Leste fala português, está do outro lado do mundo, e pode ser uma porta de entrada para a ASEAN. Nós temos essa vantagem de estarmos na CPLP e estarmos também na ASEAN. Temos valores que, provavelmente, na Ásia não são muito usuais, mas nós a CPLP temos, e é disso que nós temos que nos vangloriar, é disso que nós temos de nos orgulhar.
Tudo aquilo que nos une, da Europa à África, passando por Timor-Leste, tem justamente o objetivo de respeito pelos direitos humanos. Isso é tão importante, é tão válido, e é tão anormal num mundo que hoje é tão fragmentado, que deve ser tido em conta.
O Brasil tem muita importância para Timor-Leste. Nós podemos apoiar Timor-Leste em termos do Brasil e também da CPLP na medicina, na agricultura, na economia azul, na economia sustentável, no respeito pelo meio ambiente. Somos países tropicais, temos os mesmos problemas. Nós lutamos e ganhámos a luta pela malária, mas temos outros problemas que precisamos vencer.
Por exemplo, em termos de agricultura, o café. Se o Brasil tem tanto, é um dos principais exportadores do mundo de café, nós podemos beneficiar do apoio da CPLP em termos do Brasil. Não necessariamente só da ASEAN. A CPLP vale pela cultura, vale pela língua, e vale também pelos valores que tem consigo.
Talvez seja essa a importância do Brasil, em apostar no relançamento da CPLP, que às vezes parece que está um bocadinho esquecida, mas José Sarney e Jaime Gama apostaram, e são 30 anos de história, de vantagem, em que nós não nos esquecemos que fomos colônia.
Nós temos a língua portuguesa, e a língua portuguesa vale para nós termos um papel no mundo e sermos uma nação, uma nação de língua portuguesa.
Esquecendo aquilo que está para trás, não vale a pena falar daquilo que é mau, que fica para trás e não interessa em nada. Temos que voltar para a frente e pensar que o apoio da CPLP em termos de comércio, de indústria, de saúde, de turismo e de tudo o mais, é muito importante para Timor-Leste.
Fonte: Brasil 247