A crise climática e as eleições
Por Mauro Passos — Brasil 247
Os efeitos do El Niño já estão sendo sentidos. Os três estados do Sul são os mais impactados. Os cientistas mostram de forma detalhada por que o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e o Paraná vêm sofrendo as consequências das chuvas intensas e dos fortes ventos. Está tudo explicado pela ciência. O aquecimento das águas do Pacífico, mais o encontro dos rios voadores, carregados de umidade, que se formam na Amazônia, acabam provocando os desastres naturais a que estamos assistindo.
As imagens de satélite de alta precisão não deixam dúvidas e mostram por que esse encontro se dá na Região Sul. Com todas essas evidências, ainda insistem na desinformação. Lamentavelmente, o assunto mudanças climáticas não virou pauta na eleição desse ano. Em recente programa de entrevistas com os presidenciáveis da Rede Globo, Flávio Bolsonaro fez pouco caso e mostrou seu despreparo ao atribuir à falta de saneamento básico a responsabilidade pelas mudanças climáticas.
Não se trata de um caso isolado, os programas eleitorais se distanciaram dos problemas locais, regionais, nacionais e globais. Reduziram-se a ataques de lado a lado, sem mostrar programas e compromissos de um futuro governo. As guerras em curso continuam. O preço do petróleo, as taxações de Trump, os incêndios na Europa e a maior tragédia provocada por uma avalanche de neve na fronteira do Nepal com a China passaram batido, como se não fizessem parte da nossa realidade.
Se não bastasse, nos últimos dias, um pilantra aventureiro, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso por fraude bancária, tomou conta do noticiário político. A três semanas das eleições, os fatos apurados mostram o tamanho do escândalo. Não se trata mais de quanto roubaram, mas para onde foram os bilhões do Vorcaro.
Para nós, que pregamos a conscientização ambiental como um caminho para enfrentar as consequências das mudanças climáticas, que acreditamos no voto consciente como a única possibilidade de reforçar a democracia e proteger nossa soberania, é doído assistir ao que estamos assistindo. O caminho é de pedra e a caminhada é longa. O desafio maior é manter a lucidez e seguir em frente. O Brasil é muito maior que essa gente.
Fonte: Brasil 247