A CGT convoca mobilização “ao lado dos estudantes do ensino médio” neste dia 6 de outubro
Por Damien Bernard — Esquerda Diário

Enquanto o governo de Macron e seu ministro Lecornu tentam quebrar o movimento dos estudantes secundaristas, que ganhou dimensão nacional e começou a se expandir para as universidades, docentes e setores de trabalhadores, vários sindicatos, entre eles a CGT, estão convocando a adesão à mobilização chamada pela juventude para a próxima terça-feira, 6 de outubro. A Revolución Permanente, organização irmã do MRT na França e integrante da nossa corrente internacional Revolução Permanente – Quarta Internacional (CRP-CI), defende que essa convocação é um importante ponto de apoio para impulsionar uma greve de massas contra a repressão, unir o movimento operário à revolta dos secundaristas e fazer convergir essa indignação com a revolta contra os cortes e o alto custo de vida. Eles conclamam a assumir esse chamado e a construir, pela base, uma greve de massas neste 6 de outubro.
Há vários dias, a mobilização dos estudantes do ensino médio vem ganhando força em todo o país. Falta de professores, salas de aula superlotadas, prédios deteriorados, horários e condições de estudo precários e barreiras para o acesso ao ensino superior são as denúncias dos estudantes, que evidenciam uma crise mais ampla: a forma como tanto o governo quanto o patronato tratam a juventude. Diante dessa mobilização, o governo desencadeou uma repressão brutal. Mais de 5.000 estudantes do ensino médio foram detidos desde o início do movimento; o Ministro do Interior deu sinal verde para a repressão, como ilustra o aumento de lesões causadas por balas de borracha, e determinou o fechamento de 400 escolas de ensino médio na tentativa de sufocar a mobilização. Dessa forma, o governo multiplica medidas repressivas para tentar quebrar, pela força, a revolta dos estudantes.
Nesse contexto, em um comunicado publicado em 2 de outubro, a CGT convoca a “apoiar os estudantes do ensino médio e universitário” que se mobilizarão no dia 6 de outubro para reivindicar mais recursos e melhores condições de estudo, “inclusive por meio de greve, particularmente no marco dos avisos de greve já apresentados por várias de nossas organizações”. A confederação ressalta que essas reivindicações da juventude coincidem com aquelas que os trabalhadores da educação vêm defendendo há anos. Denuncia diretamente a repressão contra os estudantes do ensino médio, em particular “as detenções, as prisões e a mobilização de forças de segurança nos arredores das escolas”. Da mesma forma, o sindicato Unión Sindical Solidaires (USS) convoca a participação na jornada de mobilização nacional de 6 de outubro, “inclusive por meio de greve”.
No setor educacional, vários sindicatos já haviam convocado mobilizações em conjunto com os estudantes. A CGT Éduc’action, o SUD Éducation, o SNES-FSU (o sindicato majoritário) e a FNEC FP-FO convocam explicitamente uma greve para o dia 6 de outubro. No entanto, o SNES-FSU condena a “violência, venha de onde vier”, uma formulação que equipara a repressão policial às reações dos jovens mobilizados. Por sua vez, o Sud Éducation defende a rejeição das aulas a distância, convocando os docentes a “não ministrar aulas a distância para apoiar o movimento estudantil do ensino médio”, a fim de não contribuir para sufocar a mobilização por meio do fechamento de escolas ou de “lockouts escolares“.
Há convocações semelhantes em nível local. Em Seine-Saint-Denis, por exemplo, o SNES convoca os trabalhadores da educação para a greve e para estarem ao lado dos estudantes. Em Isère, uma frente intersindical que reúne, entre outros sindicatos, o SNES-FSU, a CGT Éducation, o SUD Éducation, a CNT Éducation e outras organizações, também convocou um dia de greve e mobilização para 6 de outubro. Em Toulouse, a União Local Sud (ULS) da CGT publicou um comunicado denunciando a violência policial contra os estudantes do ensino médio e convocando a “tomar iniciativas a partir de 6 de outubro e a preparar o dia 17 nos sindicatos e nas empresas”.
Outros setores do movimento operário também se somaram a esses chamados. Em um comunicado, a Federação SUD-Rail expressa seu apoio aos estudantes mobilizados e convoca os ferroviários a participarem das manifestações de 6 de outubro. Em nível local, a seção Paris-Nord do sindicato SUD-Rail adota uma posição clara ao convocar os ferroviários a estarem presentes “ao lado dos estudantes nas concentrações e bloqueios”, a divulgar as reivindicações entre seus colegas e a construir laços de unidade para ajudá-los a vencer. O sindicato também denuncia a repressão policial, judicial e administrativa e exige “a libertação imediata de todos os estudantes detidos”, afirmando que “sua mobilização é legítima”.
Todos esses apelos constituem um ponto de apoio importante para unir o movimento operário e a juventude diante da repressão que recai sobre os estudantes secundaristas mobilizados. Enquanto o governo conduz uma ofensiva brutal para tentar quebrar o movimento, é urgente construir uma greve de massa junto aos secundaristas e às organizações estudantis que impulsionam a convocação de 6 de outubro, para enfrentar a repressão e trazer o movimento operário para a luta em apoio à juventude mobilizada. Foi o que se viu, por exemplo, em Le Havre, onde trabalhadores de várias empresas foram apoiar os secundaristas e formaram uma corrente humana para defendê-los das investidas da polícia.
Após a jornada de mobilização de 29 de setembro, o movimento operário deve aproveitar esse novo impulso para propor um verdadeiro plano de luta. Trata-se de unir-se à revolta da juventude e articulá-la com a indignação existente no movimento operário devido aos cortes e ao aumento do custo de vida, do qual a alta do preço dos combustíveis é uma expressão, bem como com as convocações para as mobilizações de 17 de outubro. Com o corte de 54 bilhões de euros no orçamento, o congelamento das aposentadorias acima de 1.260 euros e o corte de 1.588 postos de trabalho na educação, o governo prossegue com sua ofensiva. Em vez de multiplicar jornadas isoladas, é preciso fazer convergir esses diferentes motivos de indignação em um movimento conjunto para enfrentar a repressão do governo, combater o aumento do custo de vida e as políticas de austeridade, conquistar orçamento e postos de trabalho em massa para a educação, reduzir o preço dos combustíveis mediante a expropriação da Total, impor aumentos salariais gerais e, sobretudo, derrotar o governo e seu orçamento de cortes.
Original em francês no Révolution Permanente, versão em espanhol no La Izquierda Diário e tradução para o português por Abayomi Abebe.
Fonte: Esquerda Diário