A bolsa subiu na expectativa, mas a realidade segue difícil. O que esperar da temporada de resultados?
Por Ruy Hungria — Seu Dinheiro
O Ibovespa sobe 10% em outubro, e algumas ações que fazem parte do índice avançam bem mais do que isso, como é o caso da Smart Fit (SMFT3), que inclusive já recomendei aqui no Sextou algumas vezes. A rede de academias sobe 40% no mesmo período!
Mas não pense que a situação está tranquila para as empresas brasileiras. Na verdade, o momento é bastante difícil, como bem resumiu o CEO da própria Smart Fit em entrevista nesta semana.

Ou seja, podemos dizer com convicção que a alta recente das ações brasileiras está associada exclusivamente a uma expectativa: a de que teremos uma espécie de ajuste fiscal que ajude a reduzir o dólar e os juros lá na frente.
Mas, muito antes desse possível ajuste chegar, teremos os resultados do terceiro trimestre, e eles não serão nada inspiradores.
Começando pelo varejo, que é o segmento mais afetado pelos juros altos, a temporada será difícil principalmente para as varejistas de moda, alimentos e eletrônicos, com as famílias mais endividadas, juros elevados e maiores restrições ao crédito.
Essa combinação negativa também começou a afetar de maneira mais enfática as construtoras, algo que já começou a aparecer, inclusive, nas prévias operacionais.
- Leia também: Por que você deveria ter Petrobras (PETR4) na carteira — independentemente de quem ganhar as eleições?
O cenário difícil também afeta os bancos, que veem seus clientes atrasando o pagamento das dívidas e, por isso, passam a conceder menos crédito — ou seja, inadimplência em alta e crescimento de carteira desacelerando. No setor, nosso preferido é o Itaú (ITUB4), que consegue entregar bons resultados independentemente do cenário.
As mineradoras também devem ter resultados pressionados, mas o problema, neste caso, é externo: a guerra elevou o preço do frete de minério de ferro para a China de cerca de US$ 20 por tonelada para US$ 40 por tonelada, espremendo as margens das companhias.
Mas nem todos os resultados serão fracos. As concessionárias de serviços básicos, como de energia elétrica e saneamento, são pouco afetadas pelas condições macroeconômicas — as pessoas continuam consumindo energia elétrica e água, em qualquer cenário. Gosto da Equatorial (EQTL3) no setor.
Mesmo no varejo deveremos ter alguns resultados bons, como é o caso de Smart Fit e Track & Field (TFCO4), que se aproveitam do ganho de importância da cultura fitness.
As redes de farmácia também devem mostrar bom crescimento, pois seguem surfando a onda do consumo de medicamentos para emagrecimento.
No entanto, o grande destaque positivo da temporada, em termos de crescimento de lucros, ficará com as empresas de óleo e gás e com as distribuidoras de combustíveis, que têm se beneficiado amplamente da valorização do petróleo desde o início da guerra. Minha preferida no setor é a Petrobras (PETR3; PETR4) e falei sobre isso aqui.
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Meu objetivo não é assustar você, mas lembrar que, mesmo com a forte alta da bolsa nos últimos dias, não dá para sair colocando qualquer coisa na carteira.
Ainda precisamos ser seletivos, pois as condições seguem difíceis no curto prazo. E, se o tal ajuste não vier, ter empresas boas e em momentos favoráveis fará toda a diferença.
Algumas de nossas ações preferidas já foram mencionadas na coluna de hoje. Mas se quiser conferir todas elas por 30 dias gratuitos, deixo aqui o convite.
Um abraço e até a próxima,
Ruy
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Fonte: Seu Dinheiro