Protestos contra custo de vida na França terminam em confrontos com a polícia (vídeo)

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Por Leonardo Lucena — Brasil 247

247 – Uma onda de protestos contra o aumento do custo de vida, a perda do poder de compra e as condições dos serviços públicos levou milhares de pessoas às ruas da França neste sábado (17), em meio a confrontos com as forças de segurança. Até o meio-dia, o Ministério do Interior contabilizou 140 manifestações e 32,8 mil participantes fora de Paris. Policiais recorreram a gás lacrimogêneo para conter manifestantes em diferentes cidades, enquanto episódios de violência e vandalismo ampliaram a tensão política sobre o governo do presidente Emmanuel Macron. As informações são da agência Reuters.

Segundo a Reuters, os atos representam uma escalada de um movimento que começou entre estudantes do ensino médio na periferia de Paris e passou a reunir outros setores da sociedade francesa. As autoridades atribuíram parte dos confrontos a grupos que classificam como de “ultraesquerda”. A mobilização ocorre em um momento de insatisfação com os preços dos combustíveis, a situação econômica e a qualidade dos serviços públicos.

As manifestações tiveram início no mês passado em escolas de bairros de baixa renda da região norte da capital. Na primeira fase, os estudantes cobravam a contratação de professores e investimentos na estrutura das unidades de ensino. Nas semanas seguintes, as reivindicações passaram a incorporar críticas à desigualdade social, às políticas de gastos públicos e à redução da capacidade de consumo das famílias.

A ampliação da pauta atraiu participantes de movimentos anteriores, sindicatos e grupos que questionam as medidas econômicas adotadas pelo governo francês.

Polícia usa gás lacrimogêneo e Paris reforça segurança

Na capital francesa, as autoridades mobilizaram um esquema de segurança para acompanhar os protestos e restringir o acesso a determinados pontos da cidade. A Avenida Champs-Élysées e o Arco do Triunfo ficaram fora dos percursos que a administração autorizou para os manifestantes.

Os confrontos envolveram agentes de segurança e grupos que participavam dos atos. Em diferentes localidades, policiais utilizaram gás lacrimogêneo, enquanto participantes bloquearam vias e enfrentaram as forças de segurança.

Parte dos manifestantes vestiu coletes de alta visibilidade, em referência ao movimento dos “coletes amarelos”, que ganhou projeção internacional em 2018 ao contestar os preços dos combustíveis e as políticas econômicas do governo Macron.

Uma testemunha da Reuters relatou que aproximadamente 100 pessoas seguiram em direção a um dos pontos de concentração em Paris enquanto gritavam palavras de ordem contra a polícia. Entre os slogans, estava a frase “Todos os policiais são bastardos”.

O Ministério do Interior também informou a ocorrência de ataques contra agentes de segurança, jornalistas e instalações públicas em outras regiões do país.

Manifestantes denunciam custo de vida e falta de professores

A insatisfação econômica ocupa o centro das reivindicações. Os participantes questionam o encarecimento dos combustíveis, a redução do poder aquisitivo e as condições oferecidas aos estudantes da rede pública.

Em Paris, a manifestante Lola, de 19 anos, relacionou a mobilização às dificuldades financeiras enfrentadas pela população e à reação policial contra os estudantes.

“Estamos lutando porque o custo de vida está insuportável, porque o preço dos combustíveis está muito alto, porque estudantes do ensino médio estão sendo violentamente atacados e feridos em todo o país simplesmente por tentarem protestar e pedir mais professores e condições dignas de ensino”, afirmou.

A declaração sintetiza duas das principais reivindicações que impulsionaram os atos: a defesa de investimentos na educação e a contestação das condições econômicas.

O movimento também ganhou força por meio das redes sociais, que passaram a concentrar convocações para novas manifestações e incentivar a participação de grupos envolvidos em mobilizações anteriores.

Confrontos em Marselha provocam envio de reforços policiais

Em Marselha, no sul da França, manifestantes e policiais entraram em confronto durante os atos. O prefeito informou que participantes depredaram a sede da administração municipal.

Diante da situação, o governo francês decidiu ampliar o contingente de agentes na cidade. A medida ocorreu após conversas entre o prefeito, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu e o ministro do Interior Laurent Nuñez.

Os episódios em Marselha integram uma série de ocorrências que levaram as autoridades a reforçar a presença policial em locais de concentração dos protestos.

O governo sustenta que grupos organizados participaram dos ataques e responsabiliza integrantes da chamada “ultraesquerda” por parte dos episódios de violência.

Violência policial entra no centro das críticas

A atuação da polícia também passou a provocar questionamentos diante dos relatos de ferimentos durante a repressão às manifestações.

Um dos episódios envolve um adolescente que perdeu uma das mãos após pegar uma granada de efeito moral. O caso aumentou a pressão sobre as autoridades responsáveis pelas operações de segurança.

O órgão encarregado de fiscalizar a atuação policial investiga pelo menos 24 denúncias de violência atribuída a agentes durante os protestos.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu, por sua vez, afirmou que os confrontos também deixaram mais de 900 policiais feridos.

As autoridades francesas chegaram a interromper o uso de granadas de efeito moral durante os atos estudantis. Antes das manifestações deste sábado, o ministro do Interior Laurent Nuñez informou que a polícia poderia voltar a utilizar os equipamentos.

A decisão acrescentou outro elemento de tensão ao ambiente das mobilizações, diante das críticas ao emprego da força contra os participantes.

Crise econômica aumenta pressão sobre Emmanuel Macron

A nova onda de protestos ocorre quando o presidente Emmanuel Macron se aproxima do encerramento de seu mandato e enfrenta um ambiente político fragmentado.

Na sexta-feira (16), o chefe de Estado pediu calma em meio à expectativa de novas manifestações.

O governo também enfrenta dificuldades para conter a pressão sobre as contas públicas. As tentativas de reduzir o endividamento francês ainda não conseguiram recuperar a confiança dos investidores, enquanto os custos de financiamento do Estado alcançaram os maiores patamares em mais de duas décadas.

Esse cenário econômico amplia as dificuldades políticas do Executivo, que precisa administrar as demandas por investimentos nos serviços públicos ao mesmo tempo que busca controlar a dívida.

O aumento do custo de vida e as reclamações sobre a qualidade dos serviços oferecidos à população passaram a ocupar espaço nas manifestações, que já ultrapassaram o ambiente escolar onde tiveram início.

Movimento dos coletes amarelos volta a influenciar protestos

As mobilizações atuais também recuperam símbolos e formas de organização associados aos “coletes amarelos”, movimento que marcou o primeiro mandato de Emmanuel Macron.

A onda de protestos começou em 2018, inicialmente como reação ao aumento dos impostos sobre o diesel. Depois, incorporou reivindicações relacionadas à renda, à desigualdade social e às condições de vida da população francesa.

Naquele período, manifestações se espalharam pelo país e provocaram confrontos com as forças policiais. O movimento perdeu intensidade após Macron anunciar um pacote de medidas econômicas que incluiu bilhões de euros em reduções tributárias.

Agora, antigos participantes voltaram a se organizar diante das dificuldades econômicas.

O professor Yannick Maillou, de La Crèche, no oeste da França, participou das manifestações dos coletes amarelos e relatou que grupos locais estabeleceram diversos pontos de concentração para os atos deste sábado.

Segundo ele, organizações sindicais também estimularam a participação da população.

A mobilização de estudantes, trabalhadores e antigos integrantes dos coletes amarelos amplia o alcance territorial dos protestos e mantém o custo de vida, os serviços públicos e a atuação das forças de segurança entre os principais temas da crise enfrentada pelo governo francês.

Gros affrontements en cours à Paris, la police et la gendarmerie sont en déroute totale.#17octobre #manifestation pic.twitter.com/aLOMcFmKIb

— Enzo Rabouy (@enzorabouyy) October 17, 2026

👮‍♂️🪧 Policiais contra alunos: confrontos começam em manifestações massivas em Paris

🇫🇷✊ Os alunos de escolas, motoristas de táxi, paramédicos, funcionários de construção, sindicalistas e Coletes Amarelos estão protestando contra a política do governo do presidente Emmanuel… pic.twitter.com/TTP7TXx643

— Sputnik Brasil (@sputnik_brasil) October 17, 2026

🇫🇷 Manifestantes franceses incendeiam diversos carros em Paris, durante grandes protestos contra as medidas neoliberais de cortes de gastos do orçamento de serviços públicos promovidas pelo governo de Emmanuel Macron. pic.twitter.com/21x46Zj6fE

— Análise Geopolítica (@AnaliseGeopol) October 17, 2026

🚨 BREAKING: Tensions remain high around Place de la République in Paris, where several vehicles were set on fire during the protests….. #17octobre#Paris pic.twitter.com/gmQ7PacIQ3

— World Conflict (@WorldConflict_X) October 17, 2026

Fonte: Brasil 247

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