Chicago e o Espírito Santo: o que um futuro hub logístico pode aprender com o passado

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Artigo de Opinião

Publicado em 17 de Outubro de 2026 às 10:00

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Depois de nove anos trabalhando no Brasil, em empresas como Galwan e Cyrela, e dos últimos quatro anos atuando nos Estados Unidos pela PREMIER Design+Build, uma convicção  profissional se tornou ainda mais forte para mim: nossos engenheiros, arquitetos, gestores e  profissionais da construção estão entre os mais qualificados do mundo.  

Por isso, quando olho para o Espírito Santo e seu potencial de transformação logística, vejo uma  oportunidade extraordinária. O Estado está bem posicionado para se tornar um dos grandes hubs  logísticos do Brasil e, potencialmente, da América do Sul. Para isso, podemos olhar para fora  não para comparar grandezas, mas para aprender com quem já percorreu esse caminho. Chicago é um desses exemplos.  

Localizada no coração do Midwest americano e às margens do Lago Michigan, Chicago possui  uma posição geográfica privilegiada entre os grandes mercados do leste e oeste dos Estados  Unidos. Sua transformação começou em 1848, com a conexão dos Grandes Lagos ao sistema do Mississippi pelo Illinois & Michigan Canal e a chegada da primeira ferrovia. Em 1856, dez  grandes ferrovias já terminavam na cidade.  

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Chicago entendeu cedo que logística não é um ativo isolado, mas um sistema. Hoje, a região  movimenta quase 700 milhões de toneladas de mercadorias por ano, avaliadas em mais de US$ 1 trilhão, integrando rodovias, ferrovias, aeroportos, hidrovias e milhares de empresas. Em 2024, o setor de freight (carga) empregava mais de 210 mil pessoas na região.  

Outra grande lição é que essa atividade não ficou concentrada no centro urbano. A região  metropolitana desenvolveu uma rede de cidades e corredores logísticos. Joliet, a aproximadamente 60 quilômetros de Chicago, tornou-se um importante polo intermodal, conectado a grandes  ferrovias e rodovias.  

O crescimento do e-commerce acelerou esse processo, atraindo grandes investimentos para  cidades como Joliet e Monee. Esses empreendimentos, porém, geram impactos muito além dos operadores logísticos, movimentando construtoras, empresas de concreto, terraplenagem,  pavimentação, engenharia, instalações, transporte e inúmeros fornecedores.  

Essa é uma oportunidade e um alerta para o Espírito Santo. Atrair grandes investidores, incluindo a maior e-commerce do mundo, exigirá não apenas infraestrutura, mas uma cadeia produtiva  preparada para uma demanda maior, mais rápida e tecnicamente mais complexa. 

 

Chicago também mostra que crescimento tem consequências. Congestionamentos, emissões,  cruzamentos ferroviários, qualidade do ar e impactos sobre comunidades próximas às áreas de  carga fazem parte da discussão sobre seu futuro.  

É aqui que entra uma palavra muitas vezes mal compreendida: sustentabilidade. 

Sustentabilidade precisa ser entendida como equilíbrio entre meio ambiente, sociedade e  economia. Um projeto ambientalmente agressivo não é sustentável; um projeto que prejudica a  sociedade também não; e aquele que não é economicamente viável tampouco se sustenta no  longo prazo.  

A região de Chicago já reduziu suas emissões em 20% desde 2005 e trabalha com uma meta de redução de 80% até 2050. Ao mesmo tempo, reconhece que grande parte de sua infraestrutura foi construída para as necessidades do século passado e precisa ser preparada para o próximo.  

A lição para o Espírito Santo não é copiar Chicago, mas aprender antes de precisar corrigir. 

Precisamos pensar em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos, áreas industriais, energia,  saneamento, habitação e tecnologia como partes de um mesmo sistema, planejando também os  impactos ambientais e sociais desde a concepção.  

O objetivo não deve ser construir uma infraestrutura preparada apenas para 2030, mas aquela que o Espírito Santo precisará em 2050.

  

O futuro logístico do Estado não será definido apenas pela quantidade de carga que  conseguiremos movimentar, mas pela nossa capacidade de fazê-lo de maneira eficiente,  competitiva e sustentável.  

E, olhando para o potencial do Espírito Santo, acredito que esse futuro já começou.

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