Moradores do Setor Jaó contestam duplicação da Rua da Divisa e alertam para risco a nascentes
Por João Reynol — Jornal Opção

A líder da Associação dos Moradores do Setor Jaó, Adriana Dourado, defende, em entrevista ao Jornal Opção, que a decisão do Paço Municipal de duplicar a Rua da Divisa seja repensada diante dos impactos ambientais envolvidos na obra. Como alternativa, a comunidade propõe uma nova ligação viária pela área do Aeroporto de Goiânia.
Segundo Adriana, a região afetada pela intervenção possui nascentes difusas que alimentam o córrego Jaó e, posteriormente, o Rio Meia Ponte. A preocupação dos moradores é que a execução da obra sem uma solução adequada para a preservação dessas áreas possa comprometer os recursos hídricos da região. “Existe uma necessidade de preservação dessa área por conta até da água, que vai ser um problema futuro que nós vamos ter, a crise hídrica”, afirmou.
Apesar das críticas ao projeto, Adriana ressalta que os moradores não são contrários à solução do problema viário. Segundo ela, a Rua da Divisa representa atualmente um gargalo para quem circula pela região Norte de Goiânia, principalmente nos horários de maior movimento.
“Não é que nós somos contrários à duplicação. A gente quer que resolva, porque aquilo ali é um gargalo. […] A gente entende que é um problema que tem que ser resolvido, porém de forma sustentável”, explicou. Entre as possibilidades citadas pela representante está a construção de uma estrutura que permita a passagem dos veículos sem comprometer as nascentes.

A obra corresponde a uma nova tentativa do Paço Municipal de duplicar a Rua da Divisa. A primeira ocorreu ainda durante a gestão do então prefeito Iris Rezende (MDB). Na época, a 7ª Promotoria de Justiça do Ministério Público de Goiás (MPGO) ajuizou uma ação civil pública questionando aspectos ambientais relacionados ao empreendimento.
O caso chegou à Justiça e o processo acabou interrompido. Segundo Adriana, a licitação daquela época posteriormente foi encerrada, o que fez com que o objeto da ação original deixasse de existir. Com a abertura de um novo procedimento pela atual gestão, entretanto, surge um novo objeto relacionado à intervenção.
Agora, em 2026, a Prefeitura de Goiânia, sob a gestão do prefeito Sandro Mabel (UB), marcou para 11 de dezembro a contratação de empresa especializada em engenharia para elaboração do projeto e execução das obras de duplicação da Rua da Divisa. O valor previsto é de R$ 9.326.256,14, em licitação pelo critério de maior desconto.
Moradores propõem rota alternativa
Diante da retomada do projeto, a Associação dos Moradores do Setor Jaó voltou a defender uma alternativa apresentada às administrações municipais anteriores. A proposta consiste em utilizar uma área interna do aeroporto e prolongar o eixo da Avenida Santos Dumont, na região dos hangares, até as proximidades do Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO).
Segundo Adriana, a alternativa permitiria construir uma pista duplicada, com canteiro central e calçadas, aproveitando um trecho onde já existe uma via. A mudança também desviaria parte do tráfego pesado que atualmente atravessa o bairro residencial.
A líder comunitária argumenta que a proposta poderia evitar a intervenção sobre as áreas de nascentes e, ao mesmo tempo, solucionar o gargalo viário da região. “Você está cortando o setor no meio para passar uma avenida que é quase uma perimetral. Você vai ter uma mini perimetral dentro de um bairro residencial horizontal, que tem muito verde”, afirmou.
Segundo Adriana, a alternativa já foi apresentada à Prefeitura de Goiânia durante a gestão de Iris Rezende e também chegou a ser discutida no processo judicial envolvendo a antiga licitação. Os moradores chegaram a solicitar uma audiência de conciliação, mas, segundo ela, não houve acordo.
Foi apresentado esse projeto várias vezes. A gente pediu até uma audiência de conciliação. Só que não houve conciliação, não houve diálogo e o problema continua”, disse.
Para a associação, uma solução envolvendo Prefeitura, órgãos responsáveis pela área aeroportuária, Ministério Público e representantes ambientais poderia conciliar a melhoria da mobilidade com a preservação da região.
Nascentes preocupam moradores
Adriana afirma que a principal preocupação está na presença de diversas nascentes difusas nos dois lados da Rua da Divisa. Segundo ela, a região possui áreas úmidas responsáveis pela formação de água que segue para o córrego Jaó e, posteriormente, para o Rio Meia Ponte. “Dos dois lados você tem, não é uma nascente, são nascentes difusas, você tem várias nascentes. É uma área muito rica em água”, afirmou.
Com a abertura do novo procedimento, a questão ambiental voltou ao radar do Ministério Público. Segundo Adriana, o órgão acompanha a situação, embora ela ainda não tenha sido informada sobre quais medidas serão adotadas.
Eles estão acompanhando de perto, bem de perto essa questão, porque é uma área que realmente tem a defesa pública do meio ambiente”, afirmou.
Ao mesmo tempo, a 7ª Promotoria de Justiça voltou a questionar o empreendimento diante das preocupações ambientais que já haviam motivado a atuação do órgão durante a gestão de Iris Rezende.
Leia também: Seinfra pede licença ambiental para obras de duplicação e drenagem na Rua da Divisa
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Fonte: Jornal Opção