A aula e a taça: Lita aposta em degustação e jantar para ensinar sobre vinhos em São Paulo
Por Eduardo do Valle — Seu Dinheiro
Começar a estudar vinho nem sempre é uma jornada óbvia. Por vezes, a distância que separa o apreciar do conhecer vira um abismo de siglas, cursos e certificados de alto custo. Ao não-iniciado, resta a ajuda de um bem-intencionado sommelier – ou, simplesmente, do ChatGPT.
Mais recentemente, porém, um endereço em São Paulo vem abrindo espaço para quem quer dar o primeiro passo. Essa é a intenção do EscoLita, projeto de Tássia Magalhães e Danyel Steinle, do Lita, em Pinheiros.
A casa é uma dentre as estreias que movimentaram a rua Ferreira de Araújo nos últimos meses. O destaque é o vinho, com uma carta que se renova com frequência e um menu que a acompanha. Por si só, já é um lugar onde se bebe bem. Agora, eles querem aproximar o cliente também do conhecimento.
“Queríamos criar um espaço para aproximar as pessoas do universo do vinho de maneira acessível, sem a sensação de que é preciso ser especialista para participar”, diz Steinle. “A ideia de escola vem justamente da vontade de compartilhar conhecimento, mas sem o formato tradicional de uma aula.”
Uma aula na EscoLita
A convite do espaço, o Seu Dinheiro participou da segunda edição do EscoLita, em setembro. Na ocasião, Tássia e Daniel convidaram Pedro Testa, o fundador e proprietário da Casa Tés. A vinícola boutique do Vale da Grama colocou a Serra da Mantiqueira paulista no radar do vinho mundial recentemente, ao ter um rótulo reconhecido pelo World’s Best Sommeliers’ Selection em 2025.
O encontro acontece no segundo andar do Lita, em um espaço reservado, com capacidade para 26 pessoas. Reunidos em mesas, os convidados não demoram a engajar em uma conversa em torno do interesse comum da noite, o vinho. E aí fica evidente o que talvez seja a maior qualidade do projeto: não é necessário ser iniciado ou dominar termos técnicos para participar. Ali há profissionais da área e estudantes, mas também interessados, presentes pelo mero prazer de descobrir mais sobre a bebida.

“A ideia é justamente tornar esse universo mais próximo, apresentando diferentes regiões, produtores, variedades e estilos de forma didática e descontraída”, diz Danyel. “A proposta é que cada encontro tenha uma identidade própria e ofereça aos participantes uma nova maneira de olhar para o vinho.”
A prova final
Conduzidos por Steinle, que também é consultor da Casa Tés, os presentes foram levados para o universo da vinícola, um projeto fundado em 2017 por Pedro em São Sebastião da Grama, território historicamente associado à produção cafeeira. Slide após slide, aprende-se mais sobre a operação de intervenção mínima da produtora, sobre o modelo de vinificação por parcela e sobre a técnica da dupla poda, que já virou assinatura da produção da Mantiqueira.
Durante o papo, Pedro intervém. Os alunos também. E, entre as explicações, chegam os pratos criados por Tássia e executados pela cozinha da chef Nathalia Schiavon. Ao todo, são seis etapas, abrindo com um choux com patê de fígado e pêra e uma salada de aspargos, com ervilha-torta, castanha-de-caju e hortelã. A entrada fica por conta de beterrabas da estação, com amora e queijo de cabra, seguida de um primeiro prato de ziti preparado com ragu de língua. O principal é cabrito ao molho romesco com café e brócolis ramoso. A sobremesa vem com um chocolate tostado com amarena.
Além de bem executada, cada etapa vinha acompanhando um rótulo da Casa Tés, que serviu ali três linhas em diferentes safras, incluindo a Casa Tés 2022, premiada em 2025. E é justamente na expressão de cada ano que fica evidente o aspecto educativo da noite: entre a aula, o paladar e a harmonização, mesmo o convidado não-iniciado consegue entender a evolução e as escolhas de vinificação do produtor. Ou, no caso da Casa Tés, o terroir-roça, que virou marca da vinícola.
Próximas aulas
Com apenas duas edições realizadas, o EscoLita é um projeto em evolução: Danyel e Tássia já marcaram as duas próximas edições, que acontecem ambas no mês de outubro, em celebração dupla ao primeiro ano do Lita. Dia 20, a convidada é Linda Díaz, da Gramona, tradicional vinícola de Penedès, na Catalunha. Já no dia 27 será a vez dos representantes brasileiros da Cave Geisse, de Pinto Bandeira, na Serra Gaúcha, referência na produção nacional de espumantes. A participação em cada encontro sai a R$ 700, com passe único de R$ 1.200 para quem confirmar presença nas duas noites.

De acordo com Danyel, cada encontro parte de um recorte específico, que pode ser uma região, um país, uma variedade, estilo ou movimento de viniviticultura. Em comum, está o aprendizado leve, com espaço para perguntas, trocas e descobertas, longe do rigor de uma sala de aula, mas igualmente interessante, tanto para novatos, quanto para veteranos: “queremos que cada pessoa saia do encontro com novas referências e ainda mais curiosidade para continuar descobrindo o mundo do vinho.”
Lita Wine Bar: R. Ferreira de Araújo, 333 – Pinheiros, São Paulo.
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Fonte: Seu Dinheiro