Fim da escala 6×1 pode estimular pequenos negócios e movimentar a economia, diz Sebrae
Por Aquiles Lins — Brasil 247
247 – A aprovação da proposta que encerra a escala de trabalho 6×1 e estabelece uma jornada de 40 horas semanais poderá abrir novas oportunidades de crescimento para micro e pequenas empresas brasileiras. A avaliação é do presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Décio Lima, que aponta o aumento do tempo livre dos trabalhadores como um fator capaz de estimular o consumo, especialmente nos setores de serviços, turismo, lazer e alimentação.
Segundo a Agência Sebrae de Notícias (ASN), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi aprovada pelo plenário do Senado Federal nesta quarta-feira (14), com 75 votos favoráveis, e segue para promulgação pelo Congresso Nacional. A mudança prevê uma implementação gradual, com redução inicial da jornada de 44 para 42 horas semanais e posterior adoção do limite de 40 horas, acompanhado de dois dias de descanso remunerado por semana.
Para Décio Lima, a alteração representa um avanço nas condições de trabalho e também pode produzir efeitos positivos sobre a atividade econômica, ao permitir que milhões de brasileiros disponham de mais tempo para atividades pessoais, familiares e de consumo.
“É uma grande vitória para o povo brasileiro: além de proporcionar melhoria de qualidade de vida para os trabalhadores, também estimula a economia e o desenvolvimento dos pequenos negócios. É humanizar a vida do povo brasileiro. Várias atividades devem ser beneficiadas diretamente com o tempo mais livre destas pessoas, que poderão investir mais nas áreas de lazer, turismo, bares e restaurantes, por exemplo”, afirmou o presidente do Sebrae.
Maioria dos pequenos empreendedores não prevê impacto nos negócios
Um levantamento realizado pelo Sebrae indica que 51% dos proprietários de micro e pequenas empresas e dos microempreendedores individuais (MEIs) acreditam que o encerramento da escala 6×1 não terá impacto sobre seus negócios.
O resultado faz parte da Pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios e oferece um indicativo sobre a percepção dos empresários diante da mudança na legislação trabalhista. Embora a reorganização das jornadas possa exigir adaptações operacionais, a maioria dos entrevistados não prevê alterações significativas no funcionamento de suas atividades.
A avaliação do Sebrae é que o novo modelo poderá incentivar melhorias na gestão empresarial, na organização das equipes e na utilização de tecnologias capazes de elevar a produtividade. A instituição pretende intensificar o apoio aos empreendedores durante a transição.
“O Sebrae está preparado para apoiar os pequenos negócios a partir deste novo cenário. Queremos contribuir para o aperfeiçoamento da gestão para mais produtividade, competividade e inovação, com soluções de inteligência artificial”, declarou Décio Lima.
Redução da jornada ocorrerá em duas etapas
A implementação das novas regras está prevista para ocorrer gradualmente, permitindo que empresas e trabalhadores se adaptem à reorganização dos horários.
Na primeira etapa, programada para começar 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 42 horas. Os trabalhadores também passarão a contar com dois dias de repouso remunerado por semana.
A segunda fase ocorrerá um ano e dois meses após a promulgação, quando o limite semanal será reduzido de 42 para 40 horas. Com isso, será consolidado o modelo de cinco dias de trabalho e dois de descanso, conhecido como escala 5×2.
A transição busca permitir que os estabelecimentos reorganizem escalas, distribuam tarefas e avaliem eventuais necessidades de contratação. Para pequenos negócios que dependem de atendimento contínuo, como restaurantes, hotéis e estabelecimentos comerciais, a adequação poderá exigir mudanças no planejamento das equipes.
Mais tempo livre pode beneficiar turismo, comércio e serviços
Um dos principais argumentos apresentados pelo Sebrae em defesa da mudança é o potencial de fortalecimento do mercado consumidor. Com dois dias de descanso por semana, os trabalhadores poderão ampliar sua participação em atividades de lazer, viagens, gastronomia e outros serviços.
Esses segmentos concentram uma parcela importante dos pequenos negócios brasileiros e poderão se beneficiar de uma eventual redistribuição do tempo dedicado ao trabalho e ao consumo.
Décio Lima também relaciona a redução da jornada à construção de um ambiente econômico mais equilibrado, no qual a melhoria das condições de vida dos trabalhadores contribua para o desenvolvimento das atividades produtivas.
“Na medida em que você estabelece ao ser humano uma condição menos agressiva naquilo que é a exigência do processo produtivo com a sua jornada de trabalho, naturalmente você vai trazer um ambiente muito mais humanizado, uma economia saudável, uma economia que nós vamos poder com certeza também garantir o aumento da renda do povo brasileiro naquilo que é a base sólida do protagonismo econômico, que são os trabalhadores”, defende Décio Lima.
A perspectiva apresentada pela instituição é que a mudança não seja tratada exclusivamente como uma questão de reorganização dos custos empresariais, mas também como uma oportunidade de aperfeiçoar processos produtivos e fortalecer a economia dos serviços.
Sebrae orienta empresas a investir em produtividade e planejamento
Diante da previsão de início das novas regras 60 dias após a promulgação, o Sebrae recomenda que os empreendedores comecem a analisar o funcionamento de seus estabelecimentos e identifiquem oportunidades de melhorar a eficiência das operações.
A orientação inclui o levantamento de informações sobre processos internos, distribuição das tarefas, horários de maior movimento e desempenho das equipes. O objetivo é permitir que os empresários tomem decisões fundamentadas em dados e encontrem alternativas para preservar a produtividade sem necessariamente elevar os custos.
Para apoiar essa adaptação, a instituição ampliou sua oferta de cursos, consultorias e ferramentas voltadas à gestão empresarial, digitalização, liderança, automação e inteligência artificial.
Entre as iniciativas disponíveis está a Imersão Empreendedora em IA, desenvolvida em parceria com Google e Alura. A formação apresenta recursos digitais que podem ajudar pequenos empresários a melhorar sua presença na internet, organizar atividades administrativas e utilizar inteligência artificial para aumentar a competitividade.
Outro curso, denominado IA na prática para pequenos negócios, oferece orientações sobre o uso de ferramentas de inteligência artificial no marketing, no atendimento aos clientes e na resolução de problemas cotidianos. O conteúdo também aborda a elaboração de comandos para sistemas de IA e cuidados relacionados à segurança e à ética no uso dessas tecnologias.
Na área de recursos humanos, o curso Gestão de pessoas apresenta estratégias para melhorar a comunicação interna, acompanhar o desempenho dos funcionários, aperfeiçoar contratações e organizar equipes mais eficientes.
Pequenos negócios terão papel importante na adaptação
A avaliação do Sebrae é que a capacidade de reorganização das empresas será determinante para o aproveitamento das oportunidades abertas pela nova jornada de trabalho.
Além da adequação às regras trabalhistas, a instituição considera que investimentos em qualificação profissional, planejamento e inovação poderão ajudar os pequenos empreendimentos a manter sua competitividade.
“O empreendedor brasileiro já mostrou inúmeras vezes sua capacidade de superar obstáculos. Com planejamento, informação e apoio adequado, os pequenos negócios continuarão sendo protagonistas da geração de emprego, renda e desenvolvimento em todo o país”, reforçou Décio Lima.
A redução da jornada representa, assim, uma mudança nas relações de trabalho com possíveis repercussões sobre o funcionamento das empresas e os hábitos de consumo da população. Para o Sebrae, o desafio será transformar a reorganização dos horários em ganhos de produtividade, melhoria das condições de vida e novas oportunidades de desenvolvimento econômico.
Fonte: Brasil 247