PF encontra dinheiro escondido em adega de policial preso em operação no Rio
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – A Polícia Federal (PF) encontrou dinheiro escondido dentro de uma adega pertencente ao policial civil José Carlos Alves de Souza Júnior, preso nesta quinta-feira (15) durante uma operação contra uma organização criminosa suspeita de utilizar postos de combustíveis para lavar dinheiro no Rio de Janeiro. A ofensiva também resultou nas prisões do deputado estadual Márcio Canella e do ex-chefe da Polícia Civil fluminense Marcus Amim.
A descoberta ocorreu durante o cumprimento dos mandados da Operação Unha e Carne, que investiga a participação de agentes públicos e a existência de articulações políticas em um esquema financeiro que teria movimentado R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos. A investigação identificou uma rede de 96 postos de combustíveis suspeitos de integrar a estrutura utilizada para movimentar e ocultar recursos de origem ilícita.
José Carlos Júnior está entre os quatro inspetores da Polícia Civil presos na operação. Também foram detidos Christiano Gaspar Fernandes, que exerce o cargo de secretário municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo; Giovanni Gaspar Fernandes; e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo.
A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento das ordens judiciais contra os agentes investigados. A participação de policiais no suposto esquema é um dos elementos centrais da apuração, que busca esclarecer as conexões entre integrantes das forças de segurança, agentes políticos e atividades criminosas no estado.
Deputado e ex-chefe da Polícia Civil estão entre os presos
As prisões foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um novo desdobramento da Operação Unha e Carne. Entre os principais alvos estão Márcio Canella, segundo deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro, e Marcus Amim, que já comandou a Polícia Civil fluminense.
De acordo com a PF, Canella é apontado como o articulador do grupo criminoso investigado. Tanto o parlamentar quanto o ex-chefe da corporação são investigados por suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, formação de cartel e outros crimes.
Os dois já haviam sido alvos de mandados de busca e apreensão em julho, durante a sexta fase da operação. Na ocasião, os investigadores aprofundaram a apuração sobre a rede de 96 postos de combustíveis que estaria sendo utilizada como instrumento de lavagem de dinheiro.
A investigação teve origem em um relatório de inteligência financeira elaborado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A análise das movimentações suspeitas contribuiu para identificar a dimensão financeira das operações atribuídas ao grupo.
Segundo os investigadores, as transações alcançaram R$ 7,6 bilhões em um período de seis anos, valor que passou a orientar parte das diligências destinadas a esclarecer a origem e a destinação dos recursos.
STF determina bloqueio de bens e suspensão de atividades de 112 empresas
Além das prisões, Alexandre de Moraes determinou medidas patrimoniais e econômicas contra os investigados. Entre elas estão o sequestro de bens e valores e a suspensão das atividades de 112 empresas suspeitas de participação no esquema, a maioria ligada ao comércio de combustíveis.
A operação desta quinta-feira mobilizou equipes da Polícia Federal para cumprir seis mandados de prisão e 16 de busca e apreensão em sete municípios fluminenses: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo, Petrópolis, Angra dos Reis e Armação dos Búzios.
A abrangência territorial das diligências reflete a extensão da rede empresarial investigada, que, segundo a PF, teria utilizado estabelecimentos comerciais para viabilizar operações financeiras suspeitas.
O bloqueio patrimonial e a interrupção das atividades das empresas fazem parte das medidas determinadas judicialmente para atingir a estrutura econômica sob investigação.
A suspeita de formação de cartel também integra a apuração, ampliando o alcance das investigações para possíveis irregularidades no funcionamento do mercado de combustíveis.
Operação começou com investigação sobre vazamento de informações ao Comando Vermelho
A Operação Unha e Carne teve início em dezembro de 2025, inicialmente concentrada na investigação de possíveis vazamentos de informações sigilosas sobre ações policiais direcionadas ao Comando Vermelho.
Na fase inicial, o objetivo era esclarecer suspeitas de que agentes públicos estariam fornecendo informações privilegiadas capazes de comprometer operações das forças de segurança contra a facção criminosa.
Com o avanço das diligências, os investigadores identificaram elementos que levaram à ampliação do escopo da apuração. Ao longo de oito fases, a operação passou a investigar também suspeitas de corrupção, fraudes em contratos públicos e lavagem de dinheiro.
A atual etapa concentra parte de seus esforços nas relações entre agentes públicos, integrantes das forças de segurança e uma estrutura empresarial suspeita de movimentar recursos ilícitos.
A ofensiva ocorre no contexto das determinações estabelecidas pelo STF na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas, processo que trata da atuação das forças de segurança no Rio de Janeiro.
Entre as medidas previstas nesse processo está a determinação para que a Polícia Federal investigue possíveis vínculos entre agentes públicos e organizações criminosas que atuam no estado.
Fonte: Brasil 247