Lula deve ir ao Congresso para promulgação da PEC do fim da escala 6×1
Por Otávio Rosso — Brasil 247
247 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve comparecer ao Congresso Nacional na próxima semana para acompanhar a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1. A participação é defendida por aliados como uma oportunidade de associar o governo à conquista da redução da jornada de trabalho e fortalecer a campanha do petista na reta final da disputa presidencial.
Segundo informações publicadas pelo jornal O Globo, interlocutores próximos a Lula avaliam que a presença do presidente na cerimônia poderá ampliar os ganhos políticos decorrentes da aprovação da proposta, considerada uma das principais bandeiras de sua campanha à reeleição. Embora ainda não exista confirmação definitiva sobre o comparecimento, a tendência entre integrantes do entorno presidencial é que Lula participe do evento no Senado.
A PEC foi aprovada na noite de quarta-feira (14), por 75 votos favoráveis e apenas um contrário. O resultado representou uma vitória expressiva para os defensores da redução da jornada semanal e passou a ocupar posição central na estratégia eleitoral do presidente, que disputa o segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
A possibilidade de participação na promulgação, entretanto, depende de ajustes na agenda de Lula. O presidente deverá percorrer diferentes regiões do país na última semana de campanha antes do segundo turno, o que pode dificultar sua presença em Brasília.
Mesmo diante desse obstáculo, aliados consideram prioritário que o chefe do Executivo esteja no Congresso no momento da formalização da mudança constitucional. A avaliação é que a cerimônia permitirá destacar o envolvimento do presidente na articulação política que viabilizou a votação da proposta.
Campanha pretende explorar aprovação da PEC contra Flávio Bolsonaro
A aprovação do fim da escala 6×1 também deverá intensificar a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro em torno das condições de trabalho dos brasileiros.
Integrantes da campanha petista identificam nas posições assumidas pelo senador um ponto de vulnerabilidade eleitoral. Flávio fez críticas à PEC durante sua tramitação, defendeu um modelo alternativo de flexibilização das jornadas mediante negociação entre trabalhadores e empregadores e atuou para postergar a votação.
Na véspera da deliberação, contudo, o candidato do PL mudou de posicionamento e se manifestou favoravelmente à proposta. Embora não tenha comparecido presencialmente à votação de quarta-feira, registrou voto favorável à distância.
O senador também afirmou a interlocutores do setor empresarial que, caso seja eleito presidente da República, a mudança constitucional poderá ser revista pelo Congresso Nacional.
Essas manifestações deverão ser utilizadas pela campanha de Lula para estabelecer um contraste entre os dois candidatos em relação à redução da jornada de trabalho. A estratégia consiste em apresentar o atual presidente como defensor da mudança e questionar a disposição de seu adversário de preservar as novas regras.
O fim da escala 6×1 já vinha sendo enfatizado por Lula em suas manifestações públicas. Após a aprovação da PEC, a expectativa de aliados é que o assunto ganhe ainda mais destaque na propaganda eleitoral e nos compromissos de campanha.
Plenário do Senado teve manifestações de apoio a Lula
A votação da proposta também foi acompanhada por manifestações favoráveis ao presidente no plenário do Senado.
Assim que o resultado foi anunciado, pessoas presentes na sessão começaram a entoar o coro de “olê, olê, olá, Lula, Lula”, associando a aprovação da mudança constitucional ao chefe do Executivo.
Integrantes da equipe de comunicação da campanha petista acompanharam a votação e produziram registros em vídeo das manifestações. Segundo O Globo, as imagens deverão ser aproveitadas na propaganda eleitoral de Lula.
A mobilização evidencia a importância que a campanha atribui à aprovação da PEC, especialmente por ocorrer às vésperas do segundo turno presidencial.
O resultado de 75 votos a um também oferece ao governo um argumento político adicional: o elevado apoio parlamentar à proposta, apesar das divergências registradas durante sua tramitação.
A estratégia eleitoral deverá enfatizar tanto a dimensão trabalhista da medida quanto a capacidade de articulação política necessária para sua aprovação no Congresso.
Presença de Lula no Congresso divide auxiliares
Antes da votação, integrantes do entorno presidencial já discutiam a possibilidade de Lula comparecer pessoalmente ao Senado para acompanhar a deliberação da PEC.
A iniciativa, porém, provocou divergências entre seus auxiliares. Parte dos aliados defendia que a presença do presidente reforçaria sua identificação com a proposta, enquanto outros recomendavam cautela diante do risco de confrontos políticos com parlamentares da oposição.
O receio era que adversários aproveitassem a presença de Lula no plenário para realizar discursos críticos ao governo, deslocando a atenção da votação para embates eleitorais.
Com a aprovação da PEC, a avaliação sobre os riscos de comparecimento mudou. Interlocutores do presidente consideram que uma cerimônia institucional de promulgação oferece condições mais favoráveis para sua participação, reduzindo a possibilidade de ataques políticos durante o evento.
Além disso, a presença de Lula permitiria reforçar a narrativa de que sua atuação foi determinante para superar resistências e acelerar a tramitação da proposta.
A decisão também teria significado institucional, já que o presidente tem comparecido poucas vezes ao Congresso Nacional desde o início de seu terceiro mandato.
Lula esteve no Legislativo apenas uma vez nesse período, em 2024, quando participou de uma cerimônia no Salão Negro do Congresso para marcar o primeiro aniversário dos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.
Fonte: Brasil 247