A arte feminina em Maputo: identidade, memória e espiritualidade

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Por Leonardo Sobreira — Brasil 247

247 – No ecossistema criativo de Maputo, a residência artística Gineceu III revelou-se um divisor de águas e um catalisador para a arte contemporânea feminina, permitindo que a artista moçambicana Reggie reescrevesse a sua narrativa visual entre a memória e o silêncio. Superando uma fase em que o seu potencial esteve refém do cotidiano, Reggie encontrou no projeto um espaço de acolhimento. “O processo de mentoria desafiou-me a olhar para dentro sem medo, a libertar-me de bloqueios e a reconhecer que a minha linguagem artística tem valor e espaço”, partilha a artista, que resgatou a sua resiliência ao confrontar a ausência paterna na infância, em entrevista a O Destaque. “A incerteza do passado deu lugar a uma afirmação consciente de quem sou. A minha identidade enquanto mulher e artista moçambicana fortaleceu-se ao abraçar as minhas raízes, as memórias de infância e o papel da figura feminina na nossa sociedade. Como artista, deixei de apenas observar a minha história para passar a reescrevê-la e traduzi-la visualmente através das tintas e das formas.”

Na obra de Reggie, o cotidiano funde-se com a espiritualidade e a memória ancestral, resultando em composições que servem como portais visuais e transcendentes. “Para mim, o cotidiano moçambicano é intrinsecamente espiritual; a forma como vivemos, os rituais diários, o silêncio, a memória dos que vieram antes de nós tudo carrega uma energia ancestral”, explica. Este amadurecimento plástico foi também moldado pelo diálogo intergeracional e pela solidariedade experienciada com mestres como Carmen Muianga e pares como Luísa Paula Nhantumbo e Yassmin Forte. Fortalecida pelo apoio da Associação Kulungwana e da Embaixada da Noruega, Reggie ambiciona agora palcos internacionais: “Projeto a minha arte além de Maputo levando histórias que são profundamente nossas, mas que dialogam com questões universais sobre identidade, memória e feminilidade. Quero que a minha pintura e a minha visão artística circulem por galerias e residências internacionais, mostrando a força e a autenticidade da arte contemporânea feita por mulheres em Moçambique.”

Fonte: Brasil 247

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