Brasil amplia comércio e superávit com a China
Por Redação Brasil 247 — Brasil 247
247 – O comércio entre Brasil e China atingiu um novo recorde nos primeiros nove meses de 2026, consolidando a importância do país asiático como principal parceiro comercial da economia brasileira. Entre janeiro e setembro, a corrente de comércio bilateral alcançou US$ 143,3 bilhões, impulsionada pelo crescimento das exportações e importações. As vendas brasileiras somaram US$ 84,7 bilhões, alta de 12% em relação ao mesmo período de 2025, enquanto as compras de produtos chineses avançaram 9,9%, chegando a US$ 58,6 bilhões. O resultado garantiu ao Brasil um superávit comercial de US$ 26,1 bilhões. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), organizados pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), conforme reportagem do jornal Valor Econômico.
Os números mostram a expansão das relações econômicas entre as duas maiores economias de suas respectivas regiões. A China permanece como principal destino das exportações brasileiras e maior fornecedora de produtos importados pelo Brasil, em uma relação comercial que abrange desde commodities agrícolas e minerais até veículos eletrificados, equipamentos industriais e componentes tecnológicos.
Soja, petróleo e minério de ferro sustentam exportações brasileiras
A pauta exportadora brasileira para a China continua concentrada em três produtos: soja, petróleo e minério de ferro. Juntos, eles responderam por mais de 77% das vendas ao mercado chinês entre janeiro e setembro.
A soja liderou as exportações, com receitas de US$ 30 bilhões. O mercado chinês absorveu aproximadamente 70% de todos os embarques brasileiros do grão, evidenciando sua importância para o agronegócio nacional.
O petróleo apareceu em segundo lugar, com exportações de US$ 21,8 bilhões, crescimento expressivo de 49% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O minério de ferro também permaneceu entre os principais produtos vendidos ao país asiático.
No setor de proteínas animais, os resultados foram distintos. As exportações de carne bovina recuaram 8,5%, em um cenário marcado pela adoção de uma cota anual estabelecida por Pequim para o produto.
Em contrapartida, as vendas de carne e miúdos de frango registraram forte expansão, com crescimento de 113% em valor e 86% em volume. O produto alcançou a sétima posição entre os dez principais itens exportados pelo Brasil à China, apresentando a maior expansão relativa desse grupo.
O minério de cobre também ganhou destaque, com aumento de 7,8% nas exportações, ocupando a oitava posição no ranking.
Sorgo e derivados do milho abrem novas oportunidades
Além dos produtos tradicionais, o comércio bilateral começa a incorporar novos itens ligados à alimentação animal, ampliando as possibilidades de diversificação das exportações brasileiras.
Entre os destaques estão o sorgo e o DDG, sigla em inglês para grãos secos de destilaria, subproduto da produção de etanol de milho utilizado na fabricação de rações.
As exportações brasileiras de DDG alcançaram US$ 204 milhões nos nove primeiros meses do ano, dos quais 53% tiveram a China como destino. Os embarques para o mercado chinês começaram efetivamente em fevereiro de 2026, após a formalização de um protocolo bilateral em 2025.
O sorgo também apresentou avanço. A abertura do mercado chinês para o produto ocorreu após a assinatura de um protocolo fitossanitário no final de 2024. Entre janeiro e setembro deste ano, as exportações brasileiras de sorgo à China somaram US$ 170 milhões.
“Os embarques de sorgo e DDG são particularmente importantes num momento em que a China tem buscado diversificar seus fornecedores de produtos para ração animal, além de aumentar a produção doméstica”, afirmou Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, ao Valor Econômico.
A expansão desses produtos indica novas oportunidades para o setor agroindustrial brasileiro, especialmente em cadeias produtivas associadas ao milho e à fabricação de biocombustíveis.
Minerais críticos ganham importância no comércio bilateral
Outro segmento que registrou crescimento expressivo foi o de minerais estratégicos, especialmente o espodumênio, utilizado na extração de lítio, matéria-prima fundamental para a produção de baterias e outras tecnologias.
As exportações brasileiras de espodumênio à China chegaram a US$ 172,3 milhões entre janeiro e setembro, um salto de 339% em relação ao mesmo período de 2025.
O mercado chinês concentrou 97% das exportações brasileiras do mineral, evidenciando a forte conexão entre a produção nacional e a demanda industrial chinesa.
O avanço ocorre em um contexto de crescente importância dos minerais críticos para cadeias produtivas relacionadas à transição energética, à eletrificação dos transportes e ao armazenamento de energia.
Carros eletrificados chineses já representam 10% das importações
Do lado das importações, um dos principais destaques foi a expansão dos veículos eletrificados produzidos na China.
As compras brasileiras de automóveis elétricos, híbridos e híbridos plug-in somaram US$ 5,9 bilhões entre janeiro e setembro, o equivalente a aproximadamente 10% de todas as importações brasileiras provenientes do país asiático.
As importações desses veículos cresceram ao longo do primeiro semestre, mas registraram recuo em julho e agosto, após a elevação da tarifa de importação para 35% em julho. Anteriormente, as alíquotas variavam entre 25% e 30%, conforme as características dos veículos.
Em setembro, entretanto, os desembarques voltaram a apresentar volumes significativos, indicando a continuidade da presença dos fabricantes chineses no mercado brasileiro.
Para Tulio Cariello, a expansão das marcas chinesas reflete uma transformação estrutural no setor automotivo nacional.
“O carro elétrico vai continuar crescendo nos próximos meses, pelo menos até o fim do ano, porque a China de fato está consolidando um mercado no Brasil. Os emplacamentos de carros eletrificados no Brasil mostram isso”, afirmou.
Herbicidas e chips de memória também se destacam
Além dos veículos eletrificados, as importações brasileiras provenientes da China incluem produtos químicos, equipamentos industriais e componentes tecnológicos.
Os herbicidas ocuparam a terceira posição entre os dez produtos mais importados do mercado chinês, demonstrando a relevância da indústria química chinesa para o abastecimento do agronegócio brasileiro.
No setor de informática, os chips de memória apresentaram uma evolução particular. Embora o volume importado tenha recuado 11% no acumulado até setembro, o valor financeiro das compras aumentou 237%.
A diferença entre a evolução dos volumes e dos valores indica uma forte elevação do preço médio dos componentes adquiridos.
Relação comercial combina superávit brasileiro e integração produtiva
O resultado dos nove primeiros meses de 2026 evidencia duas características centrais da relação econômica entre Brasil e China: o superávit brasileiro, sustentado principalmente pelas exportações agrícolas, energéticas e minerais, e a crescente presença de produtos industriais e tecnológicos chineses no mercado nacional.
Ao mesmo tempo, a expansão das vendas de novos produtos agroindustriais e minerais estratégicos revela possibilidades de diversificação da pauta exportadora brasileira.
Com US$ 143,3 bilhões movimentados até setembro e saldo positivo de US$ 26,1 bilhões para o Brasil, o comércio bilateral reforça o peso da China nas relações econômicas internacionais do país e sua importância para diferentes setores da economia brasileira.
Fonte: Brasil 247