Líder do PL na Câmara confirma: partido de Flávio Bolsonaro vai tentar passar escala 7×0 escravista
Por Redação — Esquerda Diário

O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), reafirmou nesta quarta-feira (14) que o partido de Jair e Flávio Bolsonaro pretende avançar com uma proposta escravista de flexibilização das jornadas de trabalho, a escala 7×0, que remunera por hora trabalhada.
Mesmo diante da votação da PEC que propõe o fim da escala 6×1, o deputado anunciou que a estratégia do partido é apoiar inicialmente a redução da jornada e, em 2027, tentar aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 12, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN). A iniciativa permitiria substituir a contratação tradicional pela CLT por um regime de remuneração por horas trabalhadas, abrindo caminho para jornadas distribuídas ao longo dos sete dias da semana, sem as mesmas garantias de descanso e remuneração.
Ao falar com jornalistas no Senado, Sóstenes negou que a proposta do PL contrarie o fim da escala 6×1 e procurou apresentar a flexibilização como uma ampliação da liberdade dos trabalhadores. “O trabalhador que quer trabalhar CLT por 40 ou 44 horas […] fala, ‘quero, sou CLT’. Ou, ‘não, eu quero trabalhar por horas trabalhadas e horas recebidas, porque eu só quero trabalhar 3 dias por semana’, e então ele vai ter a liberdade de escolha. O que nós queremos dar ao trabalhador é a liberdade que o PT não quer dar. O PT quer impor 40 horas. Nós queremos dar a liberdade total”, declarou. O parlamentar também comparou a proposta à criação do MEI e à possibilidade de contratação como pessoa jurídica, modalidades frequentemente utilizadas pelas empresas para reduzir custos trabalhistas.
Fica claro que o discurso de Flávio de que vai apoiar o fim da escala 6×1 se resume a isso: discurso. Pressionado pelas eleições e o medo do rechaço ao seu projeto escravista aumentar, Flávio e o PL agora falam que vão votar a favor da PEC para, assim que os parlamentares de extrema-direita assumirem seus mandatos, usar dessa força para estralar o chicote de Zanatta no lombo da população.
O discurso da suposta “liberdade de escolha” é reacionária. Não há liberdade de escolher nada com o trabalhador sendo explorado, com uma carta de demissão na mesa caso ele não aceite trabalhar o quanto seu patrão mandar. A PEC defendida pelo bolsonarismo abriria espaço para contratos individuais com remuneração variável, enfraquecendo garantias coletivas, a previsibilidade dos rendimentos e o descanso remunerado. Enquanto milhões de trabalhadores reivindicam mais tempo de descanso e redução da jornada sem redução salarial, para viver além do trabalho, não aguentando mais a precarização imposta pela reforma trabalhista, o PL quer aprofundar essa reforma e legalizar uma exploração desenfreada para os capitalistas.
As declarações de Sóstenes confirmam que, mesmo se for aprovada, o fim da escala 6×1 não vai ser garantida por nenhuma PEC. É urgente que o amplo rechaço a essa escala, que atinge entre 70-80% da população, se coloque nas ruas, em luta, para impor esse direito contra a vontade da extrema-direita, dos patrões e dos acordos no Senado. A demagogia de Flávio e da extrema-direita mostra que é isso que eles temem, a força dos trabalhadores lutando por seus interesses e do conjunto do povo pobre, se volte contra eles. É isso que pode derrotar de fato a extrema-direita, a unidade da nossa classe, dos setores oprimidos, organizada em cada local de trabalho e estudo. As burocracias sindicais petistas, da CUT e CTB, devem parar de traição e convocar de imediato uma greve geral para garantir que a escala 6×1 seja enterrada, impondo uma correlação de forças que não dê margem para o PL avançar com a 7×0, e colocar em questionamento a raiz da precarização do trabalho que se aprofundou nos últimos anos: as reformas trabalhista e da previdência.
Fonte: Esquerda Diário