Keiko Fujimori realiza o sonho de Damares Alves nas escolas peruanas

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Por Rodrigo Martins — Carta Capital

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Novo código disciplinar proíbe maquiagem, unhas pintadas e cabelos longos para meninos, além de regular o comprimento das saias das garotas

“Menino veste azul e menina veste rosa”, afirmou Damares Alves em janeiro de 2019, ao anunciar “uma nova era no Brasil”. A então ministra de Jair Bolsonaro não conseguiu impor sua visão de mundo às escolas brasileiras, mas agora vê suas exóticas ideias ecoarem pelo continente.

Na segunda-feira 12, a presidente do Peru, Keiko Fujimori, apresentou um código disciplinar para a rede pública de ensino que proíbe as meninas de usarem maquiagem ou pintar as unhas, enquanto os garotos serão obrigados a manter os cabelos curtos. “A ordem não deve reinar apenas nas ruas, mas também voltar às nossas escolas, às nossas salas de aula”, afirmou Fujimori durante uma visita a uma escola da periferia de Lima.

As novas regras se aplicam aos ensinos fundamental e médio e vão além da aparência. O governo peruano também pretende atribuir notas para a conduta dos alunos, permitir a expulsão de estudantes em casos considerados graves e restringir o uso de celulares durante as aulas, com exceções autorizadas pelos professores. Haverá ainda regras para definir o comprimento das saias dos uniformes.

Para justificar o dress code dos sonhos de Damares Alves, a gestão Fujimori alega que o novo código ajudará a combater o assédio e a violência sexual nas escolas. A justificativa ignora, porém, uma questão fundamental: controlar a aparência dos estudantes não impede agressões e pode reforçar a ideia de que cabe às potenciais vítimas evitar comportamentos que supostamente provocariam os agressores.

A Coordenadoria Nacional de Direitos Humanos do Peru classificou as medidas como “populistas e autoritárias”. Após a publicação do regulamento, será aberto um prazo de 30 dias para que os cidadãos apresentem eventuais objeções e críticas. O Ministério da Educação estima que as normas entrem em vigor ainda neste ano.

*Com informações da AFP.


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Fonte: Carta Capital

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