Meta gera imagens de campanha para Flávio, mas bloqueia para Lula: big techs favorecem bolsonarismo escravista
Por Redação — Esquerda Diário
A inteligência artificial da Meta, empresa controlada pelo bilionário Mark Zuckerberg e responsável pelo WhatsApp, Instagram e Facebook, vem deixando óbvia a sua contribuição com a campanha escravista de Flávio Bolsonaro. Além de já ter sido acusada de entregar menos os conteúdos de Lula no Instagram, agora a IA da Meta mostrou uma recusa em produzir imagens para o presidente, enquanto produzia o mesmo tipo de imagens para o bolsonarista e outras figuras da direita.
A diferença de tratamento foi identificada em testes realizados nesta quarta-feira (14) por uma reportagem da Carta Capital, que utilizou a Meta AI. O episódio deixa evidente que a Meta é tão neutra quanto o ministro Nunes Marques, que tomou uma série de medidas arbitrárias para censurar a campanha do atual presidente. É revelador do poder dos monopólios tecnológicos, das chamadas big techs, em interferir no debate político e eleitoral brasileiro e favorecer artificialmente o fortalecimento internacional da extrema direita.
Durante os testes, foram solicitadas artes eleitorais em tons de verde e amarelo, com nomes e números associados aos candidatos. Para Flávio Bolsonaro, a ferramenta produziu um cartaz com o número 22 e os dizeres “Pátria, trabalho, liberdade” e “Pelo Brasil, com honra e confiança!”. A inteligência artificial também atendeu ao pedido de criação de uma imagem para Augusto Cury, com o número 70, utilizando as frases “Por um Brasil forte” e “Trabalho, ordem, progresso”.
Entretanto, quando recebeu uma solicitação semelhante envolvendo Lula e o número 13, a resposta foi outra: “Não consegui gerar a imagem que você pediu agora com Lula e o número 13”. Em uma segunda tentativa, o sistema afirmou ter bloqueado “essa combinação específica”, sem apresentar qualquer justificativa técnica para a restrição. Embora a Meta já tenha negado favorecimento ao candidato do PL, a diferença constatada nos testes permanece sem explicação e exige esclarecimentos.
O caso expõe a contradição que o monopólio das big techs de sistemas de inteligência artificial, das redes sociais, além de produzir lucros bilionários pelo conteúdo produzido gratuitamente pelos seus usuários, oferecem o controle privado sobre algoritmos, informações e mecanismos de produção e circulação de conteúdo.
Não se trata de uma questão menor: empresas privadas sediadas nos Estados Unidos possuem capacidade de influenciar o que milhões de brasileiros podem produzir, compartilhar e visualizar nas redes sociais sobre a principal eleição do país. Essa concentração de poder do grande capital tecnológico está sendo usada para promover o governo de Donald Trump e favorecer candidatos da extrema direita internacional aliados a ele. Como grandes monopólios capitalistas, favorecem projetos que defendem radicalizar os ataques aos direitos trabalhistas e da entrega das riquezas nacionais ao imperialismo norte-americano – inclusive de minerais críticos necessários para a indústria tecnológica que essas empresas dependem. No Brasil, o bolsonarismo representa uma das expressões mais reacionárias dessa ofensiva, defendem a escala 7×0 e que o Brasil seja colônia de Trump, já dizendo que somos a resposta dos EUA para a sua competição com a China por terras raras.
Esse caso coloca novamente a necessidade de questionar quem controla as tecnologias digitais e a serviço de quais interesses elas operam. É necessário enfrentar o poder econômico e político de empresas que transformaram a comunicação em um negócio bilionário e passaram a controlar instrumentos fundamentais do debate público. Para a classe trabalhadora, combater a influência das big techs e da extrema direita exige defender a liberdade de organização e expressão, a independência política diante dos grandes grupos capitalistas e o controle democrático sobre tecnologias que afetam a vida de milhões de pessoas.
Nossa classe deve lutar por sua liberdade de expressão de forma independente, sem se subordinar a qualquer controle por parte do estado burguês, livre de qualquer censura estatal e do monopólio das empresas privadas. A verdadeira regulação democrática das redes só pode vir das mãos da maioria explorada, em luta contra o sistema que lucra com a desinformação e com o silenciamento de quem é cotidianamente explorado e oprimido.
Fonte: Esquerda Diário