Ex-colegas de Direito da UFPE apelam a Raquel Lyra por apoio a Lula no 2º turno

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Por Leonardo Miazzo — Carta Capital

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‘A democracia exige mais do que discursos solenes’, diz carta aberta à governadora reeleita de Pernambuco

Desde que as urnas confirmaram sua reeleição para mais quatro anos à frente do governo de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) dribla uma pergunta que insiste em não sair de cena: quem ela apoia na disputa pela Presidência da República, Lula ou Flávio Bolsonaro? A resposta segue a fórmula que marcou sua campanha no primeiro turno, na qual disse não ser “nem lulista nem bolsonarista”, mas “pernambuquista”.

A posição, questionada por diferentes setores da política, ganha agora um novo capítulo com a divulgação de uma carta assinada por colegas de faculdade da governadora, integrantes da turma de 2000 do curso de Direito da UFPE. Sem mencionar Flávio e declarando apoio à reeleição de Lula, os ex-colegas cobram de Lyra uma manifestação clara no segundo turno presidencial.

Divulgada nesta terça-feira 13 pelo Blog do Magno, a carta evoca a democracia e a Constituição para resgatar o legado da formação jurídica e os princípios que, segundo os 21 signatários, deveriam servir de alicerce à atuação de qualquer advogado. “Recebemos tua reeleição com a alegria de quem vê uma amiga conquistar novamente a confiança dos pernambucanos. Mas também com a consciência de que o exercício do poder, sobretudo em momentos históricos decisivos, traz responsabilidades que ultrapassam os limites de qualquer mandato”, diz um trecho do documento. “Na Faculdade de Direito, aprendemos que a democracia exige mais do que discursos solenes. Exige compromisso cotidiano, coragem cívica e fidelidade aos princípios constitucionais.”

Embora evite declarar abertamente sua preferência entre os presidenciáveis, Lyra tem criticado possíveis alterações na Constituição, como as propostas por Flávio. Também defendeu a democracia e elogiou o governo Lula, a quem diz ser grata pelas parcerias desenvolvidas ao longo dos últimos quatro anos.

“A governadora tem resistido muito a se posicionar em relação ao cenário nacional, como estratégia de fortalecimento dela localmente. Ela se conectou com ambos os eleitorados e isso foi decisivo para sua reeleição”, avalia Priscila Lapa, cientista política e integrante do Observatório de Política do Nordeste.

A pesquisadora ressalta, no entanto, que o perfil político da governadora está mais próximo do centro, com rejeição a ideais radicalizados, a exemplo daqueles associados ao campo bolsonarista. “Com um discurso sempre de centro, leva à interpretação de que ela não se identifica com o bolsonarismo, que impele seus adeptos a um posicionamento mais firme na defesa das pautas conservadoras.”

Na carta endereçada à governadora, os advogados também apelam para a responsabilidade de Raquel Lyra. “Os mandatos terminam. Os governos passam. As vitórias eleitorais se tornam páginas de livros de história. Mas há algo que nenhuma passagem do tempo consegue apagar: a memória das nossas escolhas e a responsabilidade que assumimos por elas. E quando a história perguntar onde estávamos, queremos responder: estávamos de pé. De consciência tranquila. Fiéis à democracia. Fiéis à justiça. Fiéis à nossa história.”

Única mulher eleita governadora já no primeiro turno, Raquel Lyra se tornou alvo da disputa entre os dois principais campos políticos nacionais. Apelidada de “noivinha do Nordeste”, a governadora é cortejada tanto por aliados de Lula quanto por interlocutores bolsonaristas, interessados em atraí-la para seus respectivos palanques.

Após o resultado das urnas, o próprio Lula telefonou para parabenizá-la pela reeleição. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, também procurou a governadora na tentativa de conquistar seu apoio. Já o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, correligionário de Lyra, recebeu a incumbência de convencê-la a subir no palanque de Lula.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro fez um aceno à governadora durante discurso em um evento em São Paulo, na semana passada. “Quero falar para aqueles governadores que não são do nosso campo político, como Raquel Lyra em Pernambuco, e dizer que vou ser presidente da República para ajudar os cidadãos de cada estado, independente da colocação partidária”, afirmou. O gesto, porém, não altera o favoritismo de Lula em Pernambuco, onde a tendência é de fortalecimento do chamado voto “Luquel” , combinação de votos em Lula para presidente e Raquel para governadora.

“O voto ‘Luquel’ tende a aumentar, porque as pessoas que já eram Lula e queriam se engajar na campanha presidencial tinham como obstáculo o palanque adversário, para que ele não fosse fortalecido. Agora, é perceptível que as pessoas estão se engajando, com a questão local resolvida”, finaliza Lapa.

Leia a íntegra da carta:


Fabíola Mendonça

Repórter correspondente de CartaCapital em Pernambuco

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Fonte: Carta Capital

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